Literatura

Resenha: “Eu, Miep, escondi a família de Anne Frank” – Miep Gies

Esse ano eu firmei parceria com a Editora Vestígio, e mesmo que eu ainda esteja no segundo livro cedido já posso afirmar com veemência que essa parceria está me rendendo ótimas e enriquecedoras leituras, já que os títulos publicados por esse selo são livros de não-ficção, ideais para quem tem curiosidade sobre a história do nosso mundo e para quem gosta de aprender um pouco mais sobre a realidade do ser humano.

Eu quase cursei História na faculdade, justamente por gostar bastante de estudar sobre a realidade ao redor do nosso mundo, seja sobre as guerras, as lutas das mulheres ou quaisquer outros assuntos, e por isso ter contato com a Vestígio está sendo uma das melhores coisas do ano, que, combinemos, não está lá nos trazendo muitas alegrias.

Há uns dois ou três anos eu li e me emocionei com O Diário de Anne Frank, e agora chegou a hora de sentir as mesmas sensações com Eu, Miep, escondi a família de Anne Frank. Você não precisa ter lido o primeiro livro para ler esse da resenha, mas ter contato com ambas as leituras será fundamental para você absorver as realidades e visões distintas. Por isso, já deixo os dois livros como recomendação.

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Título: Eu, Miep, escondi a família de Anne Frank
Autoras: Miep Gies e Alison Leslie Gold
Quantidade de páginas: 256
Editora Vestígio
Gênero:
 Não-Ficção / História
Ano: 2020
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Compre: Amazon
Minha classificação: ★★★★★ (5/5)
* Livro cedido pela editora

Quem foi Miep Gies?

Miep Gies nasceu em Viena, mas ainda criança, por conta da pobreza e da fome, foi mandada para a Holanda para viver com uma família desconhecida. Por sorte e para a sua felicidade, adaptou-se bem no novo país e na nova família, criando imediatamente e nitidamente um laço familiar em seu novo lar e, quando mais adulta, sentindo-se inteiramente uma cidadã holandesa e cristã.

Junto com a chegada de sua fase adulta também veio uma vontade incontrolável de liberdade, de poder ganhar dinheiro com o seu próprio esforço e assim não depender mais de sua família adotiva. É claro que, mesmo após a Primeira Guerra, uma mulher trabalhar fora de casa ainda poderia ser vista com maus olhos, e por isso não foi fácil se fixar em um emprego. Não até encontrar um local e um cargo perfeitos para si.

Miep viu em uma oportunidade de emprego, para ser a secretária substituta em uma empresa de geleia, a sua chance ideal para a liberdade. E foi assim que ela, uma mulher simpática e carismática, conseguiu o cargo vago na empresa comandada por Otto Frank, o pai de Anne Frank.

A edição da Editora Vestígio é cuidadosa e bonita, com fotos em preto e branco ao final do livro.

Miep Gies e a luta pela liberdade da família Frank

A relação entre Miep e a família Frank era de grande fraternidade e amizade. Logo a funcionária tornou-se parte da lista de amigos dos Frank e também grande confidente quando o governo nazista se pronunciou em sua caçada contra os judeus, pois Miep, mesmo sendo cristã, repudiava tais atitudes de ódio e se colocava sempre ao lado dos amigos prejudicados.

Será então, em 1940, que a Segunda Guerra Mundial terá um pontapé ainda mais intenso com a Alemanha invadindo e bombardeando os países inimigos. Será também um ano difícil para os judeus, o qual também inicia uma caçada que ficará cada vez mais opressora e mortal, colocando-os todos na linha do risco de morte.

A família Frank, por ser judia, será uma dessas famílias afetadas, mas para não se entregarem aos comandos e opressões alemães decidem se esconder. E para isso precisarão da ajuda necessária e imprescindível da amiga Miep e de seu futuro marido Henk, ambos revolucionários contra o governo nazista.

Eu, Miep, escondi a família de Anne Frank é um livro autobiográfico emocionante, triste e angustiante. Miep e seu marido Henk se arriscaram pela segurança e futura liberdade da família Frank, sem se importarem com a penalidade destinada às pessoas que ajudavam judeus, que era a ida para um campo de concentração ou a morte imediata.

Miep era amiga de Anne Frank e era vista pela menina como um símbolo de força e de refúgio. Ambas, assim como todos os demais amigos, se agarravam a esperança de serem resgatados pelos Aliados, esperando por um momento de liberdade que parecia estar tão distante de suas vidas.

Reprodução: Biblioteca Pessoal

Uma história de resistência e de luta pela liberdade

Mesmo já conhecendo a história de Anne Frank através de seus próprios olhos, conhecer o outro lado da história foi tão intenso e triste quanto. Relembrar e sentir tudo de novo foi horrível ao mesmo tempo que também foi enriquecedor.

Miep é uma mulher adorável e encantadora, sempre disposta a ajudar os outros, e isso me emocionou demais, fazendo com que eu me sentisse agradecida por existir pessoas como ela e seu marido. Além disso, ela também foi uma grande amiga de Anne e ver a intimidade entre as duas também foi lindo. Inclusive por conta do sucesso da publicação do diário de Anne Frank, Miep decidiu manter os nomes fictícios adotados pela amiga pré-adolescente, deixando assim a leitura mais fácil para que os leitores reconheçam as pessoas citadas e as relacione em ambas as obras.

Esse livro traz uma história de luta, agonias e superação. É devastador lê-lo, mesmo já sabendo sobre as atrocidades da Segunda Guerra Mundial, e é impossível não ficar com raiva junto com os nossos novos amigos. Há tanta brutalidade, morte, preconceito e fome, que nos deixam zonzos e de estômago embrulhado, com incredulidade em como o ser humano pode ser tão ruim.

Eu adorei a leitura, apesar de seu conteúdo ser triste e claustrofóbico. Além do mais, eu já sabia como seria o desfecho e esperar por isso só tornou a leitura ainda mais pesada e sufocante. Para quem gosta de estudar essa triste época histórica e também para quem admira a Anne Frank, o livro é uma leitura mais do que recomendada.


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1 thought on “Resenha: “Eu, Miep, escondi a família de Anne Frank” – Miep Gies”

  1. Oi Thainá.

    Eu li este livro na edição anterior com o nome Recordando Anne Frank. Realmente é uma história bem emocionante e triste. Eu tenho vontade de ler O Diário de Anne Frank, vou dar prioridade para ele este ano. Parabéns pela resenha .

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