Literatura

Resenha: “O Fantástico Paradoxo de Ouro Fundo” – J. Eff

“Respire. Sinta o ar enchendo seus pulmões. Saboreie o doce aroma da vida. Porque ela ecoa pelas mãos como as areias na ampulheta do tempo, enquanto você sobrevive fingindo viver desperdiçando cada pôr do sol ignorado sobre sua cabeça.”



Anarina, Filipe e Choco, mesmo sendo o oposto um do outro e vindo de vivências familiares diferentes, são melhores amigos desde sempre. Anarina é corajosa, independente e vive apenas com a irmã mais velha; já Filipe é filho do governador da pequena cidade Ouro Fundo, convive com uma mãe enclausurada no quarto e um pai ausente por conta do trabalho; e Choco, um garoto negro e medroso, mora com o pai, sendo obrigado a aturar suas bebedeiras e violências domésticas. 


As três crianças juntas vivem inúmeras aventuras pela cidade, tendo assim uma nova oportunidade de se aventurarem quando um circo surge em Ouro Fundo. Para completar a busca por algo novo, em paralelo com a chegada do Circo a Vapor, crianças estão desaparecendo e mortes estranhas estão ocorrendo, levantando possíveis suspeitas de um monstro à solta. Tudo isso causando grande inquietação e curiosidade no trio de amigos, fazendo com que a vontade de conhecer os segredos mais íntimos e escondidos do circo virem a nova prioridade da diversão.


Entretanto junto com o Circo a Vapor outras mudanças também são necessárias na cidade. Por causa dos misteriosos assassinatos o agente Kron é instruído a juntar-se a investigação ao lado da polícia local. Com um ar de superioridade, o agente chega sem ser convidado e se coloca como chefe principal da investigação, estando decidido a encontrar o causador de tanto chacina. 


Uma mescla de aventura com suspense cerca a caminhada dessas três crianças e cria através de uma ação contínua cenas de perder o fôlego e aumentar a ansiedade. A escrita fluida e de certo modo leve do autor faz com que a leitura se desenrole de maneira fácil e rápida, causando grande conforto aos leitores. Você se torna amigo dos personagens, se sente próximo de suas famílias e se vê na obrigação de acompanhá-los em cada batalha. As crianças são tão cativantes que ao finalizar a leitura uma saudade cresce no peito e uma vontade de reler toda a história assola o coração.


Tendo uma essência semelhante à Stranger Things, It – A Coisa e Conta Comigo, o enredo do livro traz à tona assuntos como problemas familiares, a importância da amizade e da família, o desenrolar do primeiro amor e a busca por respostas (seja sobre você, sobre outro alguém ou sobre a vida, não importa). A curiosidade infantil habita em cada personagem e essa característica é transmita para o leitor, fazendo-o se encher de ansiedade para descobrir as verdades por trás de todos os mistérios. Por conta disso é interessante ressaltar que a história intercala entre momentos emocionantes e engraçados, nos arrancando suspiros, gargalhadas e sorrisos.


Com uma narração que mescla 1º e 3º pessoas, temos o narrador-personagem Menestrel, um homem ou uma espécie de entidade desconhecida no começo. Você só saberá quem é e o porque de estar narrando a história mais para a frente do livro, e isso é ótimo. A descoberta se torna espetacular e faz com que a magia da obra fique ainda mais intensa nesse momento. 

“De onde tirar forças para se manter de pé quando seu próprio mundo desmorona bem à sua frente? Quando a vida te arremessa pedras, o maior desafio é fazer delas seu pavimento. É arriscar-se a prosseguir seu caminhar. É desafiar-se a continuar a viver.”


Mais uma obra nacional surpreendente e cativante.
Com uma escrita muito agradável e imersiva, fui envolvida completamente pela história e pelos personagens. As crianças, cada uma com sua peculiaridade, formam um trio de amigos que me acolheram e me deixaram à par de tudo. Realmente pareceu que eu estava acompanhando as suas aventuras de pertinho, ao lado com afinco, me deixando sem fôlego em vários momentos de ação. 


Minha leitura ocorreu em três dias seguidos, pois eu não consegui largar o livro e muito menos ficar longe dos personagens. Precisava saber qual era o desfecho e o que estava por trás de todo o mistério. E quando eu soube me “peguei” de boca aberta em meio as respostas. Por mais que eu tenha descoberto alguns detalhes, o desfecho mesmo assim fez com que eu me sentisse surpreendida e até um pouco enganada, confesso. Principalmente as últimas quatro páginas que giraram a minha cabeça e me deixaram ao chão. Já disse para o autor e aqui eu repito: me sinto órfã da história e preciso urgentemente da continuação. Ainda mais ao saber que o segundo volume prosseguirá exatamente a partir de onde o primeiro parou. Eu poderia estar ainda mais ansiosa?


O único problema da obra não se relaciona ao autor e muito menos a história, mas, sim, com a revisão. Não sei se o problema está na editora, pois li outro livro publicado por eles que também estava cheio de erros gramaticais e de coerência, ou se o problema é exclusivamente de quem revisou, deixando coisas simples e banais passarem despercebidos no ato. Esses erros incomodam e podem fazer alguns leitores ficarem bastante irritados. Mas felizmente consegui burlá-los e não deixá-los influenciar na minha experiência de leitura. Espero que também não assuste ou bloqueie outros leitores.


Independente disso, espero ler outras obras do autor e continuar apreciando suas histórias. Gostei da escrita e de como o mesmo dá vida aos seus personagens. Me senti intrigada e convencida a acompanhar os futuros trabalhos. Mesmo que os protagonista sejam crianças, a história em nenhum momento é infantil. Entretanto é um enredo explorado de forma significativa e de maneira a se adequar a todos os públicos, sejam leitores mais jovens como também os adultos. O Fantástico Paradoxo de Ouro Fundo é uma ótima recomendação em diversas áreas: para você que quer começar a ler, mas ainda não sabe por qual obra começar; para você que quer adentrar no mundo da fantasia, sem mundos complexos ou histórias de dar um nó na cabeça; e para você que busca uma leitura tranquila e que, ao mesmo tempo, mexerá com você.

Reprodução: Autor J. Eff

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17 thoughts on “Resenha: “O Fantástico Paradoxo de Ouro Fundo” – J. Eff”

    1. Sim, Clay! A amizade é explorada de maneira linda e fantástica! Até por isso a obra me lembrou o filme Conta Comigo e a série Stranger Things, por conta do companheirismo e lealdade. Os personagens também são muito carismáticos e conquistam logo de cara o leitor. Recomendo demais!

  1. Uma pena estes erros na revisão do livro, espero que a editora corrija isso logo. Eu não conhecia o livro, mas gostei do enredo e vou anotar a dica. Só vou ler depois que a continuação sair, para não ficar nesta ansiedade.
    Bjs, rose

    1. Não é o primeiro erro da editora que vejo em relação a revisão, e isso me entristece. Assim como você, e como o autor que comentou abaixo, também espero em breve uma edição revisada, para me sentir ainda mais conectada ao livro. E, olha, eu estou bem ansiosa pela continuação. O final deixa aquele gostinho de "QUERO A CONTINUAÇÃO AGORA MESMO".

  2. Espero lançar em breve uma edição revisada. Uma pena não começar a ler desde já. Fico muito ansioso por reações dos leitores. rs. Mas entendo sua decisão e espero logo poder lhe entregar a continuação. Obrigado pelo comentário.

  3. Olá,
    Vou começar mencionando este título que dá um nó na cabeça, gostei muito. Livros com surpresas são o máximo e eu geralmente também não consigo desgrudar deles. Mesmo que fantasia não seja um dos meus gêneros favoritos eu curti o enredo deste.

    Debyh
    Eu Insisto

    1. Hahaha, o título é ótimo, né? Eu demorei para conseguir falar sem ter que olhar a capa do livro. E olha, para te confessar, eu também não sou muito fã de fantasia, mas são livros como esse que me faz repensar isso, sabe? Que faz com que eu queira me aventurar mais no gênero. Eu sempre o indico de olhos fechados até para aqueles que não gostam de fantasia, assim como eu.

  4. Uau! Não conhecia a obra, parece ser surpreendente!!
    Amo livros nacionais, por isso já estou anotando a dica.
    É ótimo quando lemos uma obra com personagens que nos cativam, e que em poucas horas terminamos a leitura.
    Adorei sua resenha, beijos!

    1. Obrigada pela visita e pelo elogio! ♥
      Eu também amo livros nacionais e adoro quando encontro um que me cativa tanto. Dá até uma vontade de sair por aí gritando para todo mundo ler, sabe? Hahahaha. Espero que goste da leitura tanto quanto eu ou, quem sabe, ainda mais.
      🙂

  5. Oi, tudo bem? Não conhecia o livro e fiquei interessada, especialmente por trazer as crianças como protagonistas. Gostei do fato de cada uma ter a sua própria história e, juntas, criar uma história para elas. Eu adoro a literatura nacional, acho que a gente perde demais achando que o bom está no exterior, mas tenho um pé com novos autores e editoras pequenas por conta do mau português, que é a primeira coisa que me afasta da literatura. Por eu ser autora, jornalista e revisora, um português ruim acaba me deixando com uma baita má impressão, infelizmente. Mas vou procurar relevar isso e fazer essa leitura 🙂

    Love, Nina.
    http://www.ninaeuma.blospot.com

    1. Eu entendo. Eu também sinto essa estranheza com as pequenas editoras e autores independentes que não zelam por uma boa revisão, fica uma sensação de desleixo, não é? Mesmo sabendo que nem todos podem arcar com essas opções. Por não ser o primeiro livro que leio da editora Autografia e também não ser o primeiro com problemas de revisão acabo por ficar triste com isso, porém os dois livros que li publicados pela editora foram surpresas maravilhosas. Então, às vezes, acredito ser necessário tentar relevar esses contratempos. Às vezes perdemos histórias maravilhosas por conta disso e nem é nossa culpa, né?
      Mas, Nina, dá uma chance para esse livro! Você não irá se arrepender, prometo! ♥

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