Literatura

O lado obscuro de Louisa May Alcott

Você sabia que Louisa May Alcott, autora do clássico “Mulherzinhas”, também escreveu terror?

Perdidos em uma Pirâmide, ou A Maldição da Múmia é um conto escrito por Louisa May Alcott em 1869, sendo pioneiro na literatura gótica e um dos primeiros a trazer a múmia como essa figura amaldiçoada.

Nesta história, conhecemos Paul Forsyth, um pesquisador que, na sua última expedição científica, trouxe para casa uma semente misteriosa. Sua noiva, Evelyn, fica curiosa por tal elemento, querendo plantá-la, mesmo que Paul a alerte de que é um item amaldiçoado. Para convencê-la disso, ele conta como encontrou essa semente.

A narrativa é pesada, sendo imersa em um ar de suspense e mistério. Você deseja saber o que aconteceu com Paul e o porquê dele temer essa semente, mas ainda a guardar em casa.

Você deseja – e precisa – saber o que aconteceu em sua última expedição e o porquê dele ter voltado tão traumatizado. Mas também ficamos curiosas, e assim como Evelyn também ansiamos para ver a semente plantada e florescida. Afinal, o que pode ter de tão malvado em uma flor?


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Reprodução: Catarse

Onde encontrar a história

Perdidos em uma Pirâmide, ou A Maldição da Múmia compõe a antologia HYSTERIA GÓTICA vol. 1., editada e publicada pelas editoras Mão Esquerda e Diário Macabro e em financiamento coletivo no Catarse. O livro é um apanhado de 12 narrativas insólitas, obscuras e horroríficas criadas por mulheres apagadas do cânone literário e praticamente inéditas no meio literário brasileiro.

Essa coleção reúne contos de autoras resgatadas nos anos de 2024 e 2025, apresentando o insólito de autoria feminina em doze histórias aterradoras e, infelizmente, distantes há décadas ou séculos de leitores e leitoras, até mesmo em seus países de origem.

Reprodução: Catarse

As autoras

O trabalho minucioso de pesquisa do primeiro volume de Hysteria Gótica nos faz mancomunar com espíritos hediondos de favores impossíveis, como em “Em um mundo muito distante”, da sul-africana Olive Schreiner e em “Deuses Porcos”, da obscura ocultista Regina Miriam Bloch, e obter revelações indizíveis, como em “A canção dos degraus”, dessa mesma autora. Espíritos, espectros e aparições seguem nos atormentando em “O apartamento assombrado”, de Marie Belloc Lowndes e em “O priorado de Santa Clara”, de Sarah Scudgell Wilkinson, além do hediondo “Dois sapatinhos vermelhos” de uma autora quase incógnita — Bessie Kyffin-Taylor; a diferença é que, nesses dois últimos, somos arremessados em uma catarse de female rage merecidamente antipatriarcal.

A coletânea também não se esquece do tão celebrado locus horribilis e nos mergulha em tumbas há muito esquecidas, como em “Perdidos em uma pirâmide”, de Louisa May Alcott, e casas manchadas por maldade insone, como em “A Villa Lucienne”, de Ella D’Arcy. Claro, essa não seria uma boa coletânea de assombros se não tivéssemos monstruosidades e seres inomináveis, não é mesmo? O primeiro caso é sanado pelo terrível ser que imita o humano no genial “Crepúsculo”, de Marjorie Bowen e pela vontade irredenta de uma mulher, tornada monstro, em “A bruxa Caprusche”, de Elizabeth Fries Ellet; o segundo caso é sanado pelos horrores interdimensionais do brilhante “Inofensivo-Invisível”, de Gertrude Barrows Bennet.

Por fim, mas não menos importante, uma obra-prima: uma crítica visceral à busca da bela e da imposição de padrões e vontades guiados por um masculino pernicioso e predatório em “O pintor de mulheres mortes”, da trágica Edna W. Underwood.


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Reprodução: Catarse

Como apoiar

Esse resgate é de extrema importância para a literatura feminina, ainda tão apagada. Essas autoras merecem ser conhecidas e lidas, ainda mais em uma edição tão caprichada e cuidadosa.

É sempre bem simples apoiar os projetos do Catarse, é só escolher a recompensa que você mais quer e depois seguir os passos de cadastro e pagamento. Essa é uma campanha Flex, mas já passamos dos 100% de apoios no financiamento. Agora, corremos atrás das metas estendidas para complementar ainda mais o livro!

O livro será impresso no formato brochura, 14×21 cm, em papel amarelado, com aproximadamente 256 páginas. A arte da capa foi feita por Ímpar, artista de arte singular, cujo original da capa está disponível entre as recompensas.

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