Literatura

Resenha: “Summer Love” – Guilherme Tironi

“A vida não vai melhorar se você ficar sentado lamentando-se de que as coisas não saem como você quer. A vida torna-se suportável quando se tem amigos nos invernos rigorosos, família no alvorecer do outono e amores de verão.”

Se alguém lhe fizesse a seguinte pergunta: “quais motivos te fizeram ficar?”. O que você responderia? 

Sabemos que todos nós, independente da vida que levamos, temos problemas, sejam esses profissionais ou pessoais. Muitas vezes não percebemos, mas pessoas próximas, ou não tão próximas assim, podem nesse exato momento estar passando por uma dificuldade que para ela aparenta ser impossível de ser superada. Nisso se engloba qualquer coisa que poderá afligir alguém, como uma doença ou uma notícia. Algumas dessas pessoas não resiste à pressão da própria mente, e por isso buscam meios dolorosos de sobrevivência (ou apenas para acabar com a dor). Por isso, como Hasley pergunta para Zach, eu venho lhe perguntar: quais motivos te fizeram ficar? E aqui encaixo mais uma questão: quais motivos te movem no dia-a-dia?


Para Zach Whaterdz essa interrogação ainda não tem uma resposta. Tendo apenas 16 anos e já esperando pelo dia de sua morte, Zach convive com o câncer e com os pais super protetores. Ao se mudar para Londres, o garoto decide que para ocupar a mente e os dias que se seguem a melhor escolha é voltar para a escola. 


Entre uma aula e outra o adolescente conhece Hasley, uma garota que também sofre com o câncer, mas que, ao contrário de Zach, não tem mais esperanças. A amizade se inicia com trocas de bilhetes e eleva-se a um patamar onde os dois não conseguem mais se enxergar sem o outro. Tendo uma má convivência com os pais, Hasley se apega ao novo amigo e encontra no garoto um novo lar; um ombro confortável e um ouvinte amigável; encontra um melhor amigo.


Entretanto o círculo de amizade não se estende apenas aos dois, já que Joe, um atleta do time de futebol, começa a andar e conviver com Zach e Hasley. Com o trio completo, os amigos buscam viver cada dia com grande intensidade. Cada momento é valioso, cada risada é gratificante, cada ato de amor é memorável.


Embora a história mescle muito bem assuntos como a importância (e a necessidade) da amizade, os sentimentos aflorados de um primeiro amor e a destruição interna ocasionadas por perdas, o autor não esquece de mostrar a realidade dentro de uma escola e a toxidade que há entre alguns adolescentes. Por isso, também aborda com crueza atos de bullying e a falta de empatia, duas características tristes e desesperadoras. Resultando em um combo que faz com que a história seja extremamente tocante e essencial para leitores mais novos e adolescentes.


“Isso somos nós. Duas almas que se encontraram e agora, através da amizade, são uma só.”


O que Summer Love significou para mim

Não sou acostumada a fazer leituras de uma só vez, sem interrupções entre os dias, mas com Summer Love foi diferente. Mesmo que tenha menos de 300 páginas, no dia em que iniciei a leitura só consegui parar quando cheguei em 60% do livro, e isso porque eu precisava fazer outras coisas. Finalizei-o no dia seguinte, na segunda-feira, e até hoje ainda sinto a história em mim.



É uma história linda sobre amizade, primeiro amor e perdas. Há tanto sentimento que é difícil não se apegar a cada um dos personagens. Há tanto amor, tanta solidão e tanta tristeza envolvidas que tudo que o leitor mais quer é adentrar na história e abraçar cada um dos adolescentes. Me senti apegada e vulnerável ao mesmo tempo. Queria segui-los, ajudá-los, confidenciá-los.


Embora a história gire em torno de personagens que convivem com o câncer e como a doença consegue definhar até mesmo aqueles ao redor do doente, os assuntos não giram somente em torno do sofrimento. O Guilherme também se atentou a escrever sobre como os sentimentos podem ser nocivos ao mesmo tempo que são libertadores. Afinal ninguém vive sem amor. Eu até diria que a história se trata exatamente disso: amor.


A escrita do Guilherme flui de uma maneira incrível. O autor consegue arrancar diversos sorrisos, mas também lágrimas. Teve momentos em que gargalhei junto dos personagens, em outros chorei. É emocionante e cativante. Belo e triste. Uma mistura de solidão com felicidade que resultam em uma dose certeira de carisma.


Não irei me aguentar, por isso terei que comentar de modo breve sobre o romance que há mais para frente na história. Não darei spoilers, apenas direi o que senti. Logo quando um dos personagens masculinos é apresentado para o leitor, fica claro e evidente que Zach tem uma atração pelo garoto, ou seja, Zach é gay. 


Então, sim, há um romance gay dentro da história e o desenvolvimento do amor entre o casal é lindo e sincero. Flui de uma maneira tão natural, que em nenhum momento parece ser forçado. Há as nuances e a beleza do primeiro amor. E mesmo com as dificuldades para aceitar tais sentimentos, o desenrolar é comovente e bonito de se acompanhar. Confesso que shippei logo que as informações foram “jogadas” para mim e que o casal, muito provavelmente, entrou para a minha lista de romances mais fofos.


Não sei dizer se o que mais me conectou a história foi a condição de Zach e Hasley ou o conjunto total da obra. Talvez tenham sido ambos. Digo isso porque vivi um acontecimento semelhante ao que Zach enfrentará mais para o final do livro, e isso fez com que o personagem tivesse um significado ainda maior para mim. Um meio de identificação, talvez.


Summer Love é aquele tipo de livro que dá vontade de indicar para todos os públicos; para os adolescentes e os adultos também. Atualmente classifiquei o livro com três estrelas, mas sinto no fundo do meu coração que o livro necessita de muitas mais. Precisa de toda a nossa atenção e amor. Um livro que mostra a importância da empatia e da sororidade em tempos que essas duas características são tão raras. 

“Uma pessoa só alcança o universo passando pelas estrelas.”


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42 thoughts on “Resenha: “Summer Love” – Guilherme Tironi”

  1. Oii, tudo bem?

    Amo esse tipo de livro em que autor brinca com nossos sentimentos, uma hora nos fazendo rir e na outra, causando rios de lágrimas. Achei incrível como o autor conseguiu conciliar tantos temas polêmicos e pesados dentro do livro, mantendo sempre um enredo calmo e mostrando as várias faces de quem sofre com o câncer e como ele afeta todos ao seu redor. Com certeza esse livro entrará para minha lista de desejados.

    Beijinhos!!

    1. O autor, mesmo abordando temas mais pesados, consegue trazer uma história leve e emocionante. Não é nada apelativo ou dramático demais. Ao meu ver o drama dos personagens fez total sentido com a história. Talvez, ou exatamente, por isso o livro faça tanto sentido.

  2. Ahhh que eu já vi uma resenha desse livro e fiquei curiosa.
    Agora a sua publicação me convenceu! Amo esse tipo de leitura, onde o autor brinca com a gente hahahahahha. E não sei pq, mas já sinto que vou me emocionar =D
    Obrigada pela indicação

    Sai da Minha Lente

  3. Boa noite!

    Essa parece ser uma daquelas histórias que te emocionam, e que no meu caso me fariam chorar também kkkk sou bem sentimental em se tratando desses temas.

    Tem muitos temas envolvidos, me deixou curiosa para ver como o autor vai conseguir conciliar todos eles.

    Parabéns pela resenha!

  4. Tudo bem? Não conhecia o livro. O enredo não é o estilo que eu leia com frequência, mas fiquei curiosa. Como tenho fugido da zona de conforto, tenho me aventurado em gêneros diferentes d tudo boas surpresas.
    Beijos.

  5. Olá, tudo bem?
    "Se alguém lhe fizesse a seguinte pergunta: 'quais motivos te fizeram ficar?'. O que você responderia?" Olha, depende da situação na qual essa pergunta seria feita, no momento não tenho planos para ir a algum lugar ou desistir de alguma coisa, então eu não teria resposta para ela por simplesmente não planejar ir.

    Eu ainda não conhecia o livro e a premissa dele me agradou bastante, acho que deve ser uma leitura que eu gostaria bastante e fiquei curiosa para poder ler também. Achei a capa bem bonita.

    1. Após ler o livro você entenderá em que quesito essa pergunta é feita e pensará o que você responderia, caso estivesse no lugar dos personagens. Essa também é uma das belezas da história: tudo que ela nos faz refletir sobre nossa própria vida.

  6. Oiii, tudo bem?
    Que resenha mais linda menina, fiquei extremamente instigada a ler mais e me aventurar no enredo, quem sabe assim, a obra também me prenda. Além de ter essa capa fabulosa e tão envolvente. Ótimo post.
    Beijinhos

  7. Oiii!!!

    Eu não conhecia nem o livro e nem o autor, pela sua resenha me lembrou um pouco A Culpa é das Estrelas. Gostei de saber que foi um livro que te prendeu tanto assim e que a história mexeu com você, livro bom é assim mesmo.

    Beijinhos

  8. Gosto de leituras assim, que me envolvam e proporcionem um misto de sentimentos. Ao que me parece esta história tem tudo para me prender e me fazer perder noção do tempo.

    Já salvei sua indicação e estou ansiosa, pelo visto vou acabar indicando para meus amigos também!

    1. A perda de noção de tempo é real! Eu comecei a lê-lo em uma tarde, na casa do meu sogro, e quando vi já tinha ultrapassado da metade. É aquele tipo de livro que te prende e não te deixa com vontade de parar a leitura.

  9. Nunca tinha ouvido falar desse livro, mas adoro esse tipo de leitura que mexe com a gente, nos despertando vários sentimentos. Mas perdi uma amiga para o câncer no ano passado e, sinceramente, não sei se dou conta de perder personagens para a mesma doença e reviver o momento. É terrível como é isso mesmo, definham o doente e as pessoas ao seu redor.

  10. Oiii
    Só pela resenha o livro mexeu comigo imagina lendo, o tema abordado pelo autor e delicado, não leio livro com esse tema pq já perdi alguém muito importante com câncer mais tenho certeza q a história e boa e quem sabe eu de uma chance .
    Obrigado pela dica

    Bjs

    1. Te entendo, Sara. Como eu disse no comentário acima, também perdi alguém com câncer e sei como o assunto se torna ainda mais delicado. Mas espero que um dia tenha a oportunidade de conhecer e se conectar a esses personagens. Vale a pena!

  11. Gostei bastante da premissa do livro, assim como esse combo de importantes temas me agrada e o mais importante é que o livro não foca somente no sofrimento. Só fiquei procurando alguma ressalva já que deu 3 estrelas, fiquei pensando se esse "necessita de muito mais" significa que ficou alguma ponta solta. Curiosa.

    1. Não ficou ponta solta. Acredito que a nota se deva a minha relação com o gênero, o qual não sou acostumada em ler. Fiquei muito indecisa se aumentava a nota ou não e até agora eu não sei como classificar o livro. Entretanto ainda acho que é uma história que deve ser conhecida e lida por mais pessoas, pois pode virar o favorito e queridinho de muitas.

  12. OI!

    Achei o livro bem interessante e envolvente. Mesmo tendo a temática sobre o câncer, pelo visto a obra vai mais além trazendo para o ledor várias análises e reflexões. Confesso que tanto a obra quanto os autores são novos para mim, mas mesmo assim me aventuraria no desenvolvimento desse livro. Beijos!

  13. Olá!
    Não conhecia o livro, mas parece ser uma história que traz muitas reflexões e aborda assuntos importantes. Realmente os problemas as vezes parecem grandes demais e devemos procurar alguém que os escute com carinho e sem julgamentos. Já quero ler!

  14. Oi, tudo bem? Não conhecia o livro e vou agora mesmo procurá-lo, pois amo livros sobre adolescentes e representatividade LGBTQ. Com certeza sei que vou adorar a leitura, a sua resenha me fez ficar doida pra querer ler, amei demais, parabéns. Adorei que você dividiu em seções, acho que fluiu muito bem.

    Love, Nina.
    http://www.ninaeuma.blogspot.com

    1. Oi, Ana! Não conhecia esse termo de sick-lit, fiquei com vontade de procurar livros dentro desse meio. Sempre procuro por livros com representatividade LGBTQ+, então acho importante citá-los nas resenhas. Espero que goste da leitura!

  15. Olá, tudo bem?
    Sabe essa questão da empatia? Acho que o autor acertou em cheio, pois hoje, as pessoas parecem não ter mais valor, ninguém se importa. E isso é muito triste. Achei a pergunta feita no início perigosa para pessoas que estão depressivas. Mas acredito que a resposta sempre será apenas uma: o amor. Parece ser uma história tocante.
    beijinhos.
    cila.

    1. Cila, não havia parado para pensar nesse quesito da pergunta, e você tem total razão! Com toda certeza é uma pergunta que não pode ser feita para pessoas com depressão, a menos que haja muito cuidado e empatia. Achei muito interessante você chamar a atenção para esse lado.

  16. Oi, pela sua resenha o livro parece tão bom que até estranhei as 3 estrelas, curiosa para saber o que faltou nele. Parece mesmo ser uma leitura muito válida, ao falar sobre a amizade desse trio e os problemas de saúde e na escola que enfrentam.

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