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Capitã Marvel e a representação da mulher comum

Carol Danvers (Brie Larson) é uma ex-agente da Força Aérea norte-americana, que, sem se lembrar de sua vida na Terra, é recrutada pelos Kree para fazer parte de seu exército de elite. Inimiga declarada dos Skrull, ela acaba voltando ao seu planeta de origem para impedir uma invasão dos metaformos, e assim vai acabar descobrindo a verdade sobre si, com a ajuda do agente Nick Fury (Samuel L. Jackson) e da gata Goose.
Assista ao trailer

Olá leitores!

O filme da nossa querida Capitã Marvel mal chegou entre nós e já está quebrando recordes de bilheteria e conquistando fãs mundo à fora. Confesso que nunca li as HQs da personagem e nem procurei pesquisar a fundo sobre o seu passado, sendo assim o filme o meu primeiro contato com a mesma, porém a sensação que tenho é como se já a conhecesse há muito tempo. Talvez por ter uma personalidade tão semelhante à minha, talvez por ser apenas mais uma mulher tentando se provar como suficiente e poderosa.


Capitã Marvel, para mim, não é o melhor filme da Marvel ou de super heróis no geral. Há momentos lentos, desconexos, e no fim se torna mais uma história de construção de personagem feito apenas para fazer com que nós, espectadores, conheçamos a jornada de Carol Danvers até transformar-se em Capitã Marvel. Porém, independente dos pontos técnicos negativos, o filme transborda uma grande carga emocional pessoal dentro de mim, colocando-o assim entre os filmes mais especiais da minha vida.


Tendo dito resumidamente o que não gostei, o foco desse post não é analisar efeitos visuais, atuações (mesmo que a Brie Larson esteja magnífica no papel), detalhes da história, a ambientação dos anos 90 ou alívios cômicos desnecessários. O meu ponto sobre esse longa não é analisá-lo como uma crítica de cinema, algo que não sou, mas, sim, escrever um texto sobre uma heroína que, mesmo tão poderosa com seus super poderes, se parece tanto comigo em questões de reações e sentimentos.

Reprodução: Google

Por que você não sorri, moça?

Desde nova eu sempre ouvi que deveria sorrir mais, ser simpática com os outros e nunca ficar emburrada, como normalmente fico. Mas, infelizmente, ninguém nunca me perguntou por que eu não ando sorrindo por aí ou por que continuo assim mesmo sendo considerada brava e antipática pela maioria das pessoas que tentam me conhecer. A resposta é, e sempre foi, clara e objetiva, sem rodeios ou sentimentalismo: porque eu não sou obrigada a sorrir para você.


Isso pode parecer rude para alguns e muito antipático para a maioria, mas eu realmente não me sinto na obrigação de sorrir para qualquer um, mesmo que seja um familiar ou um amigo de longa data. Eu simplesmente não me vejo na obrigação de criar um hábito onde o sorriso é essencial e necessário. Se eu quiser eu irei sorrir, se não, ficarei de cara fechada e isso, em nenhum momento, quer dizer que eu não gosto de você ou que não estou curtindo o exato momento. Essa é simplesmente a minha cara.


Digo isso porque a Capitã Marvel, em um determinado momento do filme e até mesmo fora dele, é questionada por não sorrir. Como se fosse obrigação da mesma distribuir sorrisinhos para todos na rua, principalmente aos homens, é claro. Talvez isso não tenha gerado uma identificação em você, que provavelmente e naturalmente é simpática e sorridente, mas em mim isso criou um elo ainda maior e mais impactante com a heroína, pois me fez perceber que isso não sou eu. Um sorriso não me define. Não define o meu humor, não define quem eu sou, assim como a Capitã.


Isso faz com que eu me sinta à vontade comigo mesma e sem a necessidade de fingir sorrisos por aí. Mas me questiono por que demorou 23 anos para eu perceber isso. Obviamente é devido a falta de representação de personagens assim, já que a maioria das mulheres retratadas na mídia sempre estampam um grande e brilhoso sorriso no rosto. Acredito que por isso, e talvez exatamente por essa característica da personagem, o filme se fez tão necessário para mim, tanto para a Thainá mais jovem como também para a mais velha. E espero que isso seja visível para as demais moças e guardado como um tipo de conselho que as melhores amigas dão.

Não precisamos da sua aprovação!

Se você é mulher com certeza já deve ter passado por algum momento em que você é colocada à prova, seja no ambiente de trabalho ou dentro de casa. Momentos em que você tem que provar, por exemplo, que é uma boa cozinheira, uma boa mãe, uma boa esposa. Momentos em que é necessário mostrar que você é ótima estudante, ótima filha, ótima em seu emprego. Provas que, em sua maioria, não são exigidas dos homens.


Nossa Capitã Marvel logo no desfecho final do filme mostra que não precisa provar nada para ninguém. Não precisa provar que é a mais forte, a mais poderosa. Simplesmente não é necessário. E isso, mesmo que aos poucos, deve ser colocado em prática por nós mesmas, pois não somos obrigadas a provar nada a ninguém. Você não precisa demonstrar que é boa em algo, apenas seja para orgulho de si mesma. Você não precisa saber cozinhar, não precisa querer casar e muito menos ser mãe. Você não precisa provar que é inteligente ou seguir um padrão que alguém lhe impõe. Você não precisa! A única coisa que você precisa é se aprovar, se amar, bem do jeitinho que você é e com todas as suas lindas habilidades.

Mais alto, mais longe, mais rápido!

Acima dessas coisas, Capitã Marvel fala sobre superação e encontrar o próprio poder dentro de si, coisas que eu, provavelmente, citei dentro desse texto. O lema da heroína é tão vívido, simples e verdadeiro que nos mostra que não devemos parar ou desistir. Se você deseja conquistar algo, não pare até isso ser conquistado. Você deve almejar mais alto, mais longe e mais rápido, sempre colocando-se em primeiro lugar em seus sonhos e realizações.


E aqui eu abro um pequeno adento para uma cena específica do filme, sem entrar em detalhes ou despejar spoilers em que não assistiu, mas que é visível em alguns trailers. Carol Danvers, em seus flashbacks como criança, adolescente e adulta, nos mostra a incapacidade de desistir. É uma cena tão linda e cativante que, confesso, deixei algumas lágrimas rolarem. Me ensinou e me mostrou o quanto é importante acreditarmos em nós, pois apenas em nós mesmas é que encontraremos o poder que necessitamos.


Reprodução: Google
Há tantos textos por aí falando sobre como Capitã Marvel quebrou as opiniões negativas de machistas, como o filme traz uma representatividade feminina necessária para as meninas mais novas e como a heroína é um ícone poderoso do feminismo, que senti a necessidade de escrever algo mais íntimo, mas sempre colocando a personagem no patamar que a mesma merece.


Assim como Mulher-Maravilha, o filme Capitã Marvel também me mostrou um lado forte e incansável das lutas femininas, seja por provação para os outros ou para si mesma, seja para tentar saber quem realmente é. Lutas essas que ainda se mostram frequentes em nossas mentes, travando diferentes batalhas dentro de cada uma de nós.


Ambas as personagens me ensinaram sobre luta, auto aceitação e o poder de agradar em primeiro lugar à si mesma. A Mulher-Maravilha me mostrou, ainda jovem, que eu poderia crescer e me tornar alguém fruto de orgulho para mim; agora, em uma versão mais adulta de mim mesma, a Capitã Marvel demonstrou que não preciso de super poderes para ser uma mulher poderosa, apenas preciso me entender e me aceitar mesmo com todas as lembranças ruins e momentos em que desacreditaram em mim.


E, talvez, o mais importante: juntas somos mais fortes! Por isso, apoie a mulher que está ao seu lado e não se esqueça de guardar uma parte desse apoio para si mesma.

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10 thoughts on “Capitã Marvel e a representação da mulher comum”

  1. Eu achei tão linda a forma que explorou o filme! Desde pequenas somos impostas a sermos meninas educadinhas, fofinhas, risonhas e outras milhões de condutas ridículas e de um certo ponto, tristes. O mundo e as pessoas são muito cruéis com as mulheres. Ter esse filme como uma pontada de representatividade faz toda a diferença em um universo (geek) que é um tanto machista! Eu sempre fui meio blé com os filmes da Marvel, pra mim era só Capitão América que prestava (Oi, Chris Evans!). Esse filme despertou uma vontade de explorar muito esse universo tanto pelas questões abordadas, quanto pelas ligações dos filmes. Eu amo um universo, me segureeem!!! Crítica linda! Continue fazendo o que faz seu coração transbordar <3

    1. Que comentário mais lindo! Que amor! ♥ Fico feliz que esse filme tenha aberto portas para você no universo de super heróis. Acredito que esse filme servirá perfeitamente para isso, principalmente com as garotas mais novas, fazendo assim que elas tenham interesse por esse mundo ainda tão masculinizado. Espero que esse filme tome proporções inimagináveis!

    1. Isso é verdade! Agora fico na ansiedade para um filme só da Viúva Negra, imagina o quão incrível será? E que venham mais e mais personagens femininas cheias de representatividade, força e importância!

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