Literatura

Resenha: “Harmonias Sepulcrais” – Alessandra Lobo

Título: Harmonias Sepulcrais
Autora: Alessandra Lobo
Quantidade de páginas:
 100
Cervus Editora
Gênero:
 Ficção / Contos / Terror
Ano: 2019
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Minha classificação: ★★★ (3/5)
* E-book cedido pela editora

O bizarro e o grotesco como reflexão

Harmonias Sepulcrais é uma coletânea composta por quatro contos de terror que beiram à loucura, mas, ao mesmo tempo, também à reflexão. O terror nessa coletânea é bastante específico, utilizando de sub-gêneros como o terror psicológico, o gore e o sobrenatural.

Por isso é importante alertar desde o início que esse livro não é feito para qualquer leitor, principalmente aqueles que não gostam do gênero. É necessário ter um estômago forte para aguentar as narrações e cenas grotescas que causam enjoo, como também é preciso se atentar aos gatilhos de cada história, os quais podem lhe afetar de uma maneira totalmente oposta e negativa.


“Às vezes, criança, me pergunto qual criatura seria digna de ser evitada pelas criaturas do Submundo.”


Sobre os contos:

Sonata de Agrat:
Nesse conto temos contato com a seguinte situação: um homem, já adulto, está sendo atacado por uma garota, a qual logo depois se revela ser uma criatura maligna e vingativa.
Essa história foi a minha preferida! Isso porque trata bizarramente sobre pactos demoníacos e vingança, dois assuntos que me interessam bastante dentro do terror. Além disso, eu também gostei bastante por ter um enredo diferente do habitual e por ser descritivo na medida certa. A narração, em certos aspectos, me deixou um pouco confusa, mas acredito que essa característica possa ter sido proposital, já que ficamos com a mesma sensação de confusão do protagonista.
TW: é importante alertar que há um certo gatilho de pedofilia, principalmente quando a narração expõe as vítimas. Então, caso você se sinta mal com isso eu não recomendo a leitura desse conto.

O luto:
Aqui a autora retrata a perda e a saudade intensas de um marido. Quando chega a noite ele se vê obrigado a ficar sozinho na casa onde compartilhou sua vida com a amada e ao sofrer todos esses sentimentos de luto o protagonista acaba sendo atormentado pelas memórias – e pela própria esposa morta.
Infelizmente, ao meu ver, a história enrolou um pouco e não se desenvolveu tão bem. Foi corrido, confuso e me deixou com a sensação de que teria sido mais gratificante saber sobre a loucura da defunta quando ainda era viva.

Três mortes:
Uma pessoa, a qual não é nomeada, nos narra sobre as suas três mortes. Ao decorrer do conto ela explica como as mortes ocorreram e o porque de não poder nos revelar o seu nome.
Esse conto irá refletir sobre a mortalidade, a existência e o legado que cada um de nós deixa – ou não – para trás quando morre. Achei algumas partes confusas, mas, ao mesmo tempo, senti que a narração se arriscou em ser poética, o que combinou com o teor da história.

Naecrophilia:
Quando o ancião de uma aldeia distante morre, a sua filha Lavinia se sente na obrigação de ir até o mar para pescar os seus mantimentos. É claro que ela não atravessa a linha onde se inicia o “Fim de Tudo”, mas, mesmo assim, a garota acaba pescando algo a mais do que meros mariscos, dando de cara com um cadáver adulto e ossos e crânios de bebês.
A história é feita como se fosse uma lenda local, o que funciona bem, já que o teor bizarro e nojento contribuem para espalhar o terror no “mundo real”. Com toda a certeza foi o conto que mais me deixou incomodada e sem reação ao final da leitura.
TW: esse conto contém necrofilia e incesto, então esteja preparada ao iniciar a leitura. Caso não se sinta à vontade com ambos os temas, sugiro que não o leia.


“Recusem-se a desaparecer. Existam. Sejam memoráveis para todos, os próximos e os distantes.”


Uma leitura boa, cheia de altos e baixos.

Confesso que fiquei bem empolgada com o primeiro conto, já que o teor beirava ao bizarro, algo que eu adoro. Mas à partir do segundo fui desanimando aos poucos, pois achei as narrativas confusas e às vezes até mesmo sem sentido, o que dificultou minha experiência com o livro.

O bizarro e o estranho se manteve em todos os contos, mas, ao meu ver, foi melhor explorado no primeiro. Inclusive a história que sai do terror para filosofar sobre mortalidade, existência e o legado do ser humano, não me conquistou muito também. Acabei esperando mais narrativas como Sonata de Agrat e não encontrei.

Porém, no geral, foi uma boa leitura. O livro é curto, fazendo assim com que seja fluido, então a leitura voa tão rápido que nós nem vemos o tempo passar, o que é um ponto positivo. Eu também gostei de ter conhecido a escrita da autora e pretendo acompanhar os seus próximos trabalhos, tanto dentro do terror como também em outros gêneros.

Por isso espero que as futuras histórias da Alessandra me conquistem ainda mais e que essa possa cativar os leitores de terror, mesmo que comigo a conexão não tenha sido completa. Outo ponto que eu sou obrigada a ressaltar é essa capa, pois vamos combinar, ela está um arraso de linda, não é? Eu me apaixonei à primeira vista por ela e sei que vocês também se apaixonarão. Achei que a arte tem um quê poético que combina perfeitamente com os contos.


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