Literatura

Resenha: “Até Que Os Mortos Nos Separem” – Marina Porteclis e Tálita Heusi

Quantos segredos podem ser guardados até te sufocar?

Helena odeia as decorações que invadem o quintal de sua vizinha nas comemorações de Halloween e de Natal. Ela odeia tanto, mais tanto, que decide colocar toda sua indignação em palavras expressas em uma carta e deixar o papel na caixa de correio da vizinha.

A partir desse primeiro passo, as duas vizinhas começam uma troca de cartas recheadas de farpas e palavras afiadas, ao mesmo tempo em que uma te(n)são cresce entre as duas. Cartas essas que expressam raiva, orgulho e, posteriormente, intimidade.

Entre coisas do cotidiano, um acontecimento inesperado (e forte) muda as estruturas das cartas e faz com que as vizinhas tenham suas vidas ainda mais entrelaçadas.

Até Que Os Mortos Nos Separem é um suspense sáfico epistolar eletrizante que aguça a nossa curiosidade a cada capítulo. Uma relação que se inicia de forma ácida, mas que transcorre por caminhos de dor e de liberdade, tornando-se aquilo que ambas mais precisam.

TW: o livro aborda o abuso infantil, com descrições explícitas e fortes. Leia com cuidado.


“Eu me farei em pedaços para que você os recolha e junte.”


Leia também: Os Piores Contos de Horror, de Fernando Mantelli

Reprodução: Biblioteca Pessoal

Até Que Os Mortos Nos Separem é daqueles livros que não dá vontade de parar de ler

A leitura começou divertida para mim. As cartas afiadas me divertiam e me tiravam gargalhadas sinceras. Isso até eu chegar em 25% do livro e perceber que a história seria muito mais profunda do que eu imaginava. Ali foi o início do meu choque (e do meu vício).

Por mais que as trocas ácidas já tivessem me conquistado, as surpresas no enredo foram o real motivo da minha curiosidade e da minha vontade em ler o livro a todo momento. Cada descoberta me chocava e abalava meus sentimentos. No final, foi difícil digerir como existem pessoas tão ruins nesse mundo (e encarar essa realidade que pode nem estar tão longe assim de nós).

Mesmo que o foco fique nas duas personagens, Helena e Lavínia, a narração também aborda as vivências ao redor dessas mulheres: seus empregos, suas famílias, seus traumas. Então descobrimos o obscuro que as cerca e as sufoca, o que, de certo modo, também começa a nos cercar e as nos sufocar.

Assim, a leitura se fez magnética para mim. O livro me prendeu, me surpreendeu, me aqueceu. Foram muitos sentimentos conflitantes e situações que me pegaram desprevenida. Mas tudo resultou em meu envolvimento com a história e posso dizer que eu faria tudo por essas duas mulheres (até mesmo ajudá-las com um corpo).

Vocês já leram suspenses sáficos? 💬


“Talvez o Universo tenha mesmo um senso de justiça poético, ou apenas uma predileção por mulheres furiosas.”

Título: Até Que Os Mortos Nos Separem
Autoras: Marina Porteclis e Tálita Heusi
Quantidade de páginas: 152
AVEC Editora
Gênero:
 Ficção / Crime, Suspense e Mistério / Thriller Psicológico
Ano: 2026
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Minha classificação: ★★★ (5/5)


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