Quando a vontade em ser outra pessoa começa a te sufocar…
Helen matou a sua irmã gêmea. Num impulso desesperado e não aguentando mais viver em sua própria pele, ela decide, então, expurgar seus demônios ao sufocar a irmã e roubar para si a identidade de Helena.
Para tentar não levantar suspeitas, Helen foge para a casa da avó em uma cidadezinha pequena. Mas há dois problemas nisso: primeiro, a relação das duas já não é mais a mesma desde que a avó foi morar longe da família que a repeliu; e depois, para completar, a avó é conhecida como “a louca das mariposas”, apelido dado pelos cristãos fervorosos do local que acreditam em uma superstição que envolve mortes.
Mesmo com os problemas familiares, ali ainda parece ser o lugar ideal para fugir do assassinato e de si mesma. Será ali, ao som de muito heavy metal, que a protagonista encontrará as verdadeiras amizades e perceberá que fugir não é a melhor maneira de lidar com seus problemas.
Logo nas primeiras páginas já somos jogados em uma narrativa frenética de fuga e assassinato. Não conhecemos direito a protagonista e nem sabemos sobre suas intenções. É tudo muito rápido, mas também intencional. E é bom que esse seja o nosso primeiro contato com a Helen, pois, assim como ela, ficamos paranoicos a cada passo que ela dá na nova cidade, sempre apreensivos com o que pode acontecer, caso ela seja pega.
A partir disso, temos um suspense psicológico que adentra em nossa mente, assim como também é feito com a própria protagonista. Todas as vozes que ela escuta, também escutamos. Toda a paranoia, os traumas, as desconfianças são passados para nós. Isso faz com que a gente se sinta como a sombra de Helen, sempre perseguindo-a na escuridão.
“Para as mulheres, muitas vezes as guerras são internas. Somos as bruxas que sangram e não morrem. E há vida nesse sangue. Descamar e renovar. Túmulo e útero.”
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As Mariposas da Morte é uma obra instigante repleta de significado e camadas
A leitura se fez monótona em certos aspectos, mas a curiosidade deixou-a fluida e instigante. Eu queria saber sobre os segredos daquela cidade; gostaria de saber mais sobre os cidadãos fanáticos religiosos e suas crenças que colocavam a culpa de tudo em cima da avó de Helen; precisava saber se era uma crença desmedida ou apenas o preconceito.
Em certos momentos, a obra me lembrou bastante os jogos Life is Strange: True Colors e Hellblade: Senua’s Sacrifice, e isso me animou, já que gosto de ambos. Existe mesmo uma inspiração em Hellblade, o que também chega a ser perceptível na força das duas protagonistas femininas que precisam passar por cima de si mesmas para poderem se encontrar, para poderem viver e traçar um destino próprio.
Dito isso, eu gostei muito da leitura. Certas atitudes da Helen me irritaram um pouco, mas agora compreendo que ela apenas buscava se encontrar, então a camada de proteção faz todo o sentido. Após conhecer as três gerações de sua família, a sua personalidade também fez total sentido, já que são três gerações de mulheres que foram obrigadas a viver uma vida que a sociedade moldou para elas. Toda a angústia, a raiva e o elo quebrado fazem sentido com os ciclos de décadas que as obrigaram, as desrespeitaram e as rebaixaram. Elas necessitavam viver a própria vida, ser quem eram, e isso nem sempre foi possível.
Por isso, no final, o livro se fez tão potente para mim. As Mariposas da Morte é sobre Helen, mas também é sobre sua mãe, sua avó e sua irmã gêmea. É sobre as amigas que a protagonista conquistou no caminho, assim como também é sobre as intolerantes e as preconceituosas que vivem dentro e fora daquela cidade. Bem como também é sobre mim, sobre você e sobre nossas gerações passadas (e futuras) de mulheres. É sobre lidar com nossos demônios, com nossos medos, e conviver com eles. É sobre (sobre)vivermos.
Qual foi o último livro que te ajudou a lutar contra seus demônios? 💬
“Como enfrentar a fúria de uma multidão com voz e corpo de mulher? Quisera eu ser monstruosa, a bruxa que encanta mariposas obscuras. Quisera eu ser azul e gigante, destruidora e destemida igual Kali. Ser a besta ardilosa e profana que viam em mim.”

Título: As Mariposas da Morte
Autora: Bruna Corrêa
Quantidade de páginas: 304
O Grifo Editora
Gênero: Ficção / Suspense
Ano: 2025
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Minha classificação: ★★★★ (4/5)
* Livro cedido pela editora
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Eu sou muito suspeita pra falar, porque conheço a Bruna há muito tempo e tudo o que ela escreve é sensacional!
Só diria: apenas leiam! heheheh
Amei a resenha!