Imagine se tivéssemos acesso a cartas trocadas entre serial killers…
Steve Gurniak e Johnny Love estão no corredor da morte. Em presídios diferentes, mas ambos esperando o dia em que deixarão de existir, eles iniciam uma conversa com cartas.
Nessas cartas, Gurniak e Love dividem atos e pensamentos profanos que geram asco e desespero em todas nós. Descobrimos o porquê de terem recebido uma sentença de morte e o caminho maldoso e desumano percorrido até ali, até agora.
Suas brutalidades são contadas de forma natural e seus assassinatos são banalizados. Steve Gurniak matou para purificar os outros e a si mesmo, crendo nisso como uma verdade absoluta. Já Johnny Love tentou saciar seus sórdidos desejos, sempre a procura de mais prazer.
Duas vidas diferentes, mas que, no final, levaram ao mesmo fim. Duas pessoas frias e desumanas que decidem compartilhar entre si os piores atos cometidos.
“Depois que esse mundo te engole, você não volta a ser quem era.”
Leia também: Relato inspirado por orelhas, de Paula Febbe

Cartas no Corredor da Morte embrulha o estômago até dos mais fortes
Ler Cartas no Corredor da Morte foi uma experiência dúbia. Ao mesmo tempo em que eu estava amando a sensação de ler mais um livro da Cláudia e da Paula, duas autoras que amo, também senti como se eu estivesse lendo algo proibido. Eu me sentia mal por ler tantas barbaridades, mas não conseguia interromper a leitura por causa de sua fluidez e da minha curiosidade.
A maneira que as autoras entraram na cabeça dos dois assassinos (e na minha) é digna de prêmios. Não imagino como foi para elas escreverem esse livro e adentrarem nessas mentes perturbadas, mas elas conseguiram me abalar como há muito um livro não fazia.
Dito isso, não é um livro para todos, principalmente se você for mais sensível a certos temas e a descrições. Mas, para quem ousar ler, saiba que é aquela literatura que te deixa marcas das mais profundas e que você não sai a mesma.
Cartas no Corredor da Morte traz um caminho obscuro em que se precisa ter coragem para adentrar. Não é fácil chegar até o final, mas garanto que valerá muito a pena. O livro também não é fácil de se encontrar, mas, se um dia tiver a chance, leia-o e depois me fale sobre suas sensações.
Você tem estômago para encarar essa leitura? 💬
“Sobre minha vida nada há o que contar. Minha mãe nunca existiu. Meu pai nunca existiu. E eu apenas existi naqueles que matei.”
Leia também: Quando os mortos falam, de Cláudia Lemes

Título: Cartas no Corredor da Morte
Autoras: Paula Febbe e Cláudia Lemes
Quantidade de páginas: 128
Monomito Editorial
Gênero: Ficção / Crime, Suspense e Mistério
Ano: 2019
Skoob: Clique Aqui
Compre: Amazon
Minha classificação: ★★★★★ (5/5)
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