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As personagens femininas de William March em Menina Má

Reprodução: Google
Olá leitores!
Finalizando a semana dedicada ao livro Menina Má, o tema de hoje tem foco nas personagens femininas da obra criadas por Willaim March. Numa visão geral, deve haver em torno de 10, ou mais, personagens femininas dentro da obra, cada uma explorada de maneira singular e tendo a sua própria importância para o rumo do enredo. Porém, embora a maioria dos personagens sejam mulheres e tenham um peso significativo no clímax, me atentarei a abordar as três que são mais presentes e aprofundadas na história: Rhoda, a principal; Christine, mãe da garota; e Monica, vizinha e amiga de Christine..


Quando comecei a ler Menina Má não imaginei que a história me prenderia tanto e me faria pensar nas personagens após o término da leitura, por exemplo em como seria a vida de cada uma após o acontecimento final. Por mais que eu tenha gostado da história como um todo e da escrita do autor, o que me chamou bastante a atenção, principalmente por ser uma obra escrita em 1954, um período totalmente machista e recheado de personagens femininas fúteis e submissas, foi a presença de tantas personagens fortes e cheias de personalidade


Entre as criações femininas de William March algumas têm uma presença passageira, enquanto outras aparecem em grande parte da história. Porém, apesar do tempo em cena, todas têm um significado e uma missão, assim nos influenciando em como e o que pensar e tornando-se partes fundamentais em cada descoberta. E foi justamente por isso que decidi fazer um post exclusivo para elas, pois além de terem mais destaque do que os pouquíssimos homens descritos também me chamaram a atenção devido à suas personalidades complexas e intrigantes.

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RHODA: a atriz.

A construção dessa personagem é precisa e certeira. Rhoda é apenas uma garotinha de 8 anos, com carinha de anjo, mas mente diabólica. Sendo totalmente manipuladora, a garota consegue mudar sua expressão perante aos mais velhos e enganá-los, mostrando um rosto angelical e inocente. Porém, ao ficar sozinha, ou até mesmo quando vira o rosto para o outro lado, é quando ela mostra sua verdadeira face.


A personagem é ambiciosa, narcisista, mentirosa e calculista. Tem uma grande facilidade em fingir e enganar. Não guarda culpa e nem remorso por seus pensamentos e comentários, que aos olhos dos outros se mostram totalmente frios e desproporcionais para uma criança. Além disso, ela é dona de uma mentalidade adulta e avançada, a qual se mostra à frente das suspeitas dos adultos.


A garotinha me surpreendeu em várias partes da obra, seja por se mostrar cínica perante as acusações ou por mentir cada vez mais ao tentar “limpar” os seus rastros. Acredito que foi difícil para o autor explorar uma mente tão doentia em uma criança, que aos olhos da população é um ser banhado de inocência e sinceridade. O autor se mostrou corajoso ao abordar um tema polêmico em uma época de mentes fechadas, desmistificar a imagem de assassino que todos têm na cabeça e forçar o leitor a torcer pela morte de uma criança. Uma aposta grande que resultou em um clássico do suspense e das indagações humanas


Rhoda não engana apenas a mãe, a vizinha e os demais personagens do livro, mas também irá mexer com a sua cabeça do começo ao fim, assim como foi projetada para lhe despertar perguntas sem respostas e lhe fazer pensar um pouco mais sobre a maldade humana, principalmente quando revelada na fase da infância.

CHRISTINE PENMARK: a “dona” das descobertas.

Diferente das outras personagens que já se mostram “prontas” durante toda a história, Christine se mostra como uma pessoa que precisa enxergar a realidade e amadurecer como mulher. Sendo a provedora do carinho familiar, é quem cuida do marido, da filha e da casa, mas nunca sem deixar sua aparência de lado, pois é uma mulher bonita e que sempre utiliza roupas que combinam com sua aparência. 


É importante expor isso, pois a evolução da personagem afetará intimamente a sua imagem externa, ou seja, no final Christine se torna uma mulher que não cuida da aparência e não combina mais os pares de roupas, dando um ar de preocupação para todos ao seu redor que só percebem essa mudança externa, mas não têm conhecimento da mudança que ocorreu dentro de Christine.


Essa evolução da personagem é de suma importância pois mostra o seu crescimento pessoal e intelectual, transformando-se de uma mulher ingênua, do lar, exausta, sufocada, avessa a violência do mundo para uma mulher madura, decidida e que enfrenta os problemas sozinha, sem precisar no final recorrer a amiga ou marido, sabendo que pode confiar apenas em sua mente e em suas decisões. Christine também se sente cheia de culpa pelo o que pode ter passado para sua filha e, acredito, isso é o que mais transforma a sua mente: a culpa que a invade e a estilhaça por dentro, mesmo sem saber se cientificamente está certa.


O autor soube construir uma personagem que, no começo, parece simples, boba e rasa, mas que através de sua trajetória transforma-se em alguém determinada e zelosa pelo bem alheio. Essa transição é perceptível em momentos chaves da trama e, ao meu ver, é um dos pontos fortes da obra. William não escreveu apenas sobre uma mãe da época, mas avançou todos os padrões e conseguiu ir mais a fundo, despertando em nossas mentes as questões sobre amor materno, culpa e ressentimento, e fazendo também com que pensemos se seríamos tão fortes quanto ela.

MONICA BREEDLOVE: a feminista.

Para aqueles que já conheceram a sra. Breedlove, sabem que não minto quando digo que é uma mulher à frente de seu tempo. Monica já se divorciou, não tem filhos e nutre um grande carinho pela família Penmark, principalmente pela mais jovem. Gosta de dar grandes jantares e convidar muitas pessoas para ficar por dentro da vida de todos. Gosta de ser maternal e estar no controle, tanto da sua vida como também de conhecidos, e isso é perceptível já que sempre está em cima de Christine, seja por preocupação ou apenas curiosidade.


Quando digo que Monica é feminista não estou exagerando e em momento nenhum usando a palavra como tom pejorativo, como alguns se arriscam a fazer. A personagem, e isso fica claro em vários trechos dos diálogos presenciados por ela, procura por uma igualdade de gênero e não gosta de ser tratada de forma inferior ao homem. Ela exige ser tratada de maneira igualitária e disserta sobre o que nós podemos e devemos fazer: tudo. Senti em Monica muito poder e liberdade, muita autoridade sobre si. Embora em alguns momentos a personagem possa irritar ou parecer chata, a sua criação se faz necessária para uma época em que o machismo era ainda mais forte e evidente dentro da literatura e da própria sociedade.


Arrisco em dizer que foi uma jogada grande do autor ao escrever uma personagem com tal personalidade e ideais, ainda mais sendo uma criação feita por um homem. Não digo que um homem não possa escrever sobre uma personagem feminista, mas é certo que nem todas as vezes isso se torna algo bom e representativo. No caso de William, ele conseguiu criar uma ótima personagem sem torná-la apelativa ou pejorativa, alguém que demonstre e represente bem o Movimento Feminista naquela década. 


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William March em Menina Má cria personagens femininas que vivem em um mesmo círculo de convivência, mas que são completamente diferentes uma da outra, cada uma com sua personalidade e estilo marcantes. São personagens com identidades diferenciadas e que se destacam por serem quem são. Não importa se o leitor tem uma favorita ou alguma que goste menos, todas as mulheres conquistam e merecem destaque.

Mas me digam, quais outras personagens femininas da literatura marcaram vocês? E por quê? Teriam alguma para me recomendar? Não esqueçam de comentar o que acharam desses posts dedicados a obra e se gostariam de mais temáticas parecidas. Quem sabe eu possa explorar outro livro que me chamou atenção e me conquistou.


Fiquem atentos as crianças ao seu redor e não se prendam, se rendam. Se permitam conhecer Rhoda e as demais mulheres que a cercam, depois me digam se elas foram impactantes e lhes quebraram por dentro, assim como ocorreu comigo.

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2 thoughts on “As personagens femininas de William March em Menina Má”

  1. Gosto muita da Elisabeth de Orgulho e Preconceito, acho que foi marcante pra mim por saber que naquela época as coisas eram diferentes e ela ser a personagem que é na época que foi criada me traz bastante surpresa. Gostei muito do seu post. Sempre quis ler Menina Má e agora me sinto ainda mais tentada a fazê-lo. Espero vir sempre acompanhar suas resenhas, gostei muito!
    XoXo.

    1. Elisabeth também é uma personagem que me agrada muito. Acredito que a Jane Austen tinha esse poder de criar personagens femininas diferentes do que a época demandava. Isso que é tão magnífico em suas obras! Essa realidade, essa verdade. Indico que leia O Morro dos Ventos Uivantes, pois também há uma personagem diferente do que a época queria/escrevia. É surpreendente.
      Seja muito bem vinda por aqui! ♥

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