Literatura

Resenha: “Sob a Minha Pele” – Day Fernandes

Quando se está doente, você procura um médico e ele te passa alguns remédios, mas e quando a sua doença é na alma? Existe algum remédio para esses males?


Uma mensagem de ajuda e apoio.

Cada pessoa reage a determinado acontecimento de uma forma particular. A perda de um bichinho de estimação, o brinquedo favorito quebrado ou o distanciamento do melhor amigo. Cada uma dessas situações será vivida de maneira diferente por cada ser humano. Não digo isso de forma pejorativa ou acusatória. Digo isso para exemplificar o quanto alguém pode ser quebrado por detalhes que aparentam mínimos à outros olhos. Digo isso também como um aviso. Ou melhor, um pedido. Um pedido para que você, caro leitor, não julgue ou aponte o dedo para o conhecido que está sofrendo, independente da situação que ocasionou tais sentimentos. E, para você que está do outro lado, peço que procure apoio e não desista, pois você não está sozinho.


É dessa forma que lhes apresento Melanie, uma mulher que sofre com crises de pânico e depressão, ambos ocasionados por um luto profundo e incurável. Após a morte do pai e com a adição de certas decepções, incluindo uma traição ocasionada pelo seu primeiro amor, Melanie se vê em um poço profundo e obscuro, o qual precisa urgentemente de ajuda para sair.


Tudo começou aos 15 anos, então é a partir dessa idade que os acontecimentos serão narrados. A narração em 1º pessoa torna o texto cru, verdadeiro. Faz com que os relatos sejam ainda mais tocantes, íntimos e profundos. Nos torna cúmplice de Melanie e, ao mesmo tempo, vigia de seus passos.


A falta de empatia e compreensão da sociedade perante a personagem é absurda e tristemente verdadeira. Traz um pesar no leitor quando mostra o quanto as pessoas podem ser mesquinhas e indiferentes. Como se o problema do outro não fosse tão importante quanto o seu ou até mesmo fosse tratado como uma mentira. O pesar recai com ainda mais força quando percebemos o quanto tais situações ainda são presenciáveis atualmente. Um misto de tristeza com desapontamento.


Entretanto, ainda mais do que conscientizar e lhe abrir a cabeça para as “doenças da alma”, como a própria Melanie cita, o conto também tem como objetivo enviar uma mensagem sobre a importância de admitir para si mesmo que está doente e, em seguida, conseguir procurar ajuda. Uma história que trata sobre como podemos superar os obstáculos e cuidarmos de nós mesmos, e o quanto esses atos são importantes e necessários para a nossa sobrevivência.

A pior parte de se tornar um desconhecido para si mesmo é que você nunca sabe o que virá a seguir. Eu não reconhecia mais nenhum dos meus sentimentos. Minhas sensações se tornaram intensificadas e exageradas. Meu corpo já não me pertencia. Eu tinha uma estranha vivendo em mim mesma.


Tão pequeno em palavras, mas tão grande em sua existência.

Adoro quando contos mais curtos me despertam mais sensações do que os próprios romances e novelas. É claro que é ótimo ter um livro grosso nas mãos, ainda mais quando gostamos da história e podemos desfrutá-la por dias à fio. Porém, eu também me sinto realizada quando encontro histórias menores que trazem as mesmas (ou, às vezes, até mais intensas) impressões. A Day Fernandes sempre me surpreende com seus contos, justamente por isso: por escrever com maestria leituras rápidas que deixam um impacto irreversível no leitor.


Nesse conto encontramos uma narradora que conta sobre seus transtornos mentais e nos diz como conseguiu lidar com a própria mente. Confessa as crises de pânico e de depressão, e mostra como conciliar esses dois à uma mente sadia não é fácil. Presenciamos a luta da protagonista para aceitar as doenças e ter coragem suficiente para buscar um tratamento. Presenciamos o começo de tudo, o momento exato que a garota começou a se quebrar. E toda essa história acaba se tornando intensa e arrebatadora. Talvez até sufocante. 


É como se fosse um grito. Não de socorro, mas, sim, de alívio e de ajuda. Como se o grito dela pudesse ajudar outras pessoas que estão passando pelo mesmo. Como se o relato pudesse alcançar aqueles que mais precisam de tais palavras. Como se a sua história servisse de apoio mútuo aos colegas. É lindo e nos faz refletir em vários aspectos.


Mesmo que eu tenha tido uma impressão muito positiva da história, não aconselho a leitura para todos. Por alguns motivos a história pode se transformar em um peso para o leitor, um peso incontrolável. Porém, ao mesmo tempo, também pode ser vista como um primeiro passo para o tratamento, para ajudar a si próprio. Então, se você se sentir apto e pronto para a leitura, vá com a mente leve e pronta para se emocionar. Cada palavra desse conto vale a pena, cada ensinamento ficará com você para seguir em frente. Leia e sinta-se apoiado, amado e de prontidão com os braços abertos para o colega ao lado.
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Mude. Reinvente. Ouse. Sinta. Evolua. Vá além. Não apenas exista. Viva.


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28 thoughts on “Resenha: “Sob a Minha Pele” – Day Fernandes”

  1. Oi Thainá!
    É triste como as podem geralmente fazem pouco caso dos problemas emocionais e mentais dos outros, geralmente até que seja tarde demais. Por esse e outros motivos é que obras como essas, que tratam desses assuntos de forma aberta, são tão importantes. Esse conto me pareceu ser uma leitura muito forte e emotiva, o tipo de história para a qual devemos nos preparar antes de iniciá-la. Fiquei curiosa, pois também não conheço a autora e ela parece ter feito um excelente trabalho.
    Abraços!

    1. Eu sou meio suspeita para falar sobre a autora, já que adoro tudo que a mesma escreve, porém esse conto tem um intensidade maior do que as demais obras e isso é claro desde o início. É intenso, forte e emocionante. É incrível como nos identificamos com a protagonista, mesmo que nos mínimos detalhes, e isso faz com que seja mais fácil abrirmos os olhos para o próximo (e até para nós mesmos). Sempre fico emocionada só de pensar na temática da história e como ela foi desenvolvida.

    1. Obrigada, Rose! É sempre importar alertar as pessoas mais sensíveis, né? Não queremos ninguém mal com uma leitura que indicamos. E você tem total razão! A leitura traz muitas coisas positivas para quem lê, principalmente para o público alvo e similar à protagonista.

  2. Olá

    Tudo começa com a educação. Um sistema educacional formal traz mentes cartesianas e mecânicas que são incapazes de sentirem compaixão e empatia pelo outro. São egocêntricas e preconceituosas e perpetuam uma sociedade cruel e violenta.

    Passei por diversos problemas que para uns podiam ser resolvidos com vícios ou esquecimento instantâneo.
    Quem sabe daqui algumas décadas não tenhamos uma sociedade mais compreensiva já que está está rachando profundamente e clamando por uma nova.

    Beijos

    1. Eu concordo. Eu sou professora, então convivo com pré-adolescentes e adolescentes todas as semanas e percebo o quanto uma educação vazia pode transformar uma mente igualmente vazia. Não digo apenas educação escolar, mas, principalmente, aquela que vem (ou melhor, que não vem) de casa. É triste ver crianças sendo preconceituosas e machistas, sem saber escutar os outros e sem sentir empatia em quaisquer casos. É horrível. Mas, independente disso, espero que hoje em dia você esteja bem.

  3. Oi, amei poder saber um pouquinho sobre essa história, temáticas como a da depressão infelizmente ainda são tabus para alguns e certas pessoas julgam mesmo sem entender que determinados acontecimentos podem afetar os outros de formas diferentes. Amei a resenha.

    1. Obrigada pela visita, Mari! ♥
      É triste ver o quanto as pessoas julgam sem nem ao menos tentarem entender a dor do próximo. Espero que esse conto chegue até essas pessoas e que as mesmas tenham uma mente aberta para mudanças.

  4. Oiii, tudo bem?
    Realmente gostei muito de saber sobre essa história, realmente as pessoas precisam de apoio e incentivo em tantas coisas, e as pessoas também sentem de outras formas algumas situações, amei a resenha.
    Bjs

  5. Eu gosto muito de livros e contos que trabalhem esse tema, acho de extrema importância para que o tabu seja finalmente deixado de lado. Não conhecia o conto em questão mas gostei muito da sua resenha, me deixou muito curiosa!

  6. Olá, Uau que resenha incrível e que livro tocante. Sua resenha me emocionou de verdade, porem pelo que disse, acredito que infelizmente não seja um livro para mim. Por recomendações medicas devo me manter afastada de determinados temas justamente pelo fato de os atrair para mim como relatou. Então, infelizmente, vou ter que passa a sua dica.

    Beijos

  7. Oi.

    Minha nosso esse livro parece bem intenso, já gostei, adoro livros que me faz refletir e sentir as palavras que estou lendo, me sentir tocada pelas ações dos personagens e este me parece ser assim. dica anotada

  8. Eu gosto de livros com essa temática, justamente por ser um assunto importante para ser tratado, mas que ainda lidamos tão mal.

    Concordo com você sobre livros mais curtos que trazem ainda mais reações que livros longos, e adoro quando encontro leituras assim onde menos espero.


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    1. Leituras que trazem sentimentos e reações inesperadas são sempre uma ótima surpresa, não é? Para mim, são as melhores sensações, pois encontro nessas histórias aquilo que eu justamente necessitava no momento e eu nem sabia.

  9. Olá!
    já tinha visto esse livro em algum blog, mas ainda não tinha lido nenhuma crítica e nossa, que livro lindo e poderoso. Retrata bem o que vamos vendo hoje, as pessoas estão doentes por dentro e parece que ninguém percebe e quando sabe de algo, trata como frescura e indiferença. É difícil lidar com nossos problemas internos, as vezes assumi para nós mesmo que estamos passando por problemas é ainda mais difícil. Gostei da sua resenha, muito sincera e sensível. ótima escrita, parabéns!

    beijos!

    1. Obrigada, Tahis! É importante que livros assim alcancem o máximo de pessoas possíveis. É uma história necessária e que gera diversos debates. Eu também acredito que seja ainda mais difícil assumir algo para si mesmo do que para os outros, e isso é evidente no livro.

  10. Olá!
    Eu li este conto há algum tempo atras e adorei. É uma história curtinha mas muito densa mesmo e assim como você, eu não aconselho para todos pois é uma história marcante e doida demais embora seja a realidade que muita gente passa ou já viveu.
    Beijos

    1. Sim, Jaque. Ao mesmo tempo que indico para todos, também se torna necessário avisar que a leitura pode trazer desconforto e gatilhos indesejáveis, tornando-se assim uma leitura não indicada para todos. Complicado, né? Mas realmente é uma história densa e marcante. Ainda tenho viva em minha memória.

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