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THE VOICES: Psicopatia mascarada de inocência

“Jerry é um jovem esquizofrênico que conversa com seus animais de estimação, Bosco, um cachorro, e Sr. Whiskers, um gato. Ele trabalha no setor de remessas de uma empresa e leva uma vida pacata. Quando Jerry se apaixona por Fiona, que trabalha na contabilidade, situações inesperadas acontecem.”
Assista ao trailer


Olá leitores!

Estava perambulando pelo catálogo da Netflix quando encontrei o filme The Voices (2014), estrelado por Ryan Reynolds, um ator de comédia que me agrada. Ao ler a sinopse, que parecia brincar com os gêneros de terror e comédia, me senti intrigada a assisti-lo e tirar minhas próprias conclusões. Confesso que por se tratar de uma atuação do Ryan Reynolds, assim como as demais em outros filmes, eu decidi assistir ao filme sem pretensões ou expectativas, apenas como algo para passar o tempo. O resultado: me surpreendi e agora indico-o para todo mundo.


O elenco, já conhecido por alguns, é composto por nomes famosos como Anna Kendrick (A Escolha Perfeita), Gemma Arterton (João e Maria: Caçadores de Bruxas), Jacki Weaver, Ella Smith, Adi Shankar, entre outros. As atuações intercalam entre momentos sérios com diálogos cômicos recheados de humor. E Ryan Reynolds ganha destaque com uma atuação impecável e surpreendente, onde transparece através de gestos e feições os problemas pessoais e mentais do personagem. Após determinado tempo de filme, até o sorriso mais delicado do ator começará a lhe despertar certas sensações incômodas.

Biblioteca: Google

As Vozes é um terror cômico com pitadas de humor negro que aborda assuntos profundos enraizados na mente do principal, Jerry Hickfang. 

Logo no início temos uma imagem inocente de Jerry, um homem que está tentando seguir com a sua vida após começar um tratamento psicológico. Ele trabalha, sem fins lucrativos, para conseguir adentrar novamente na sociedade e ser aceito pelas pessoas ao seu redor, mesmo que algumas ainda o considerem como o “esquisito” do local de trabalho. Não tem amigos e muito menos familiares. Seus únicos contatos próximos e afetuosos são seu gato e seu cachorro, com os quais conversa e troca conselhos.


Aparentemente Jerry mostra ser um cara calado, tímido e que apenas quer ser amado. Apaixonado por uma colega de trabalho, Fiona, ele tenta vencer a timidez e se aproximar da moça. Porém, ao decorrer de suas ações, os resultados de uma relação não saem como esperado: Jerry mata pela primeira vez (e gosta disso). É então que temos contato com o surgimento de uma mente doentia, problemática e que precisa de cuidados. Há o surgimento de uma psicopatia.


A solidão, o desprezo e a raiva se tornam visíveis em Jerry. Ficam aparentes, à solta. E todos os sentimentos negativos que afloram dentro de si são ainda mais intensos com a falta do efeito causado pelos remédios que o protagonista deveria estar consumindo. Com a falta do medicamento, o homem cria alucinações, ilusões, um mundo perfeito. E, talvez, esse seja um grande ponto forte do filme e uma característica que eu adore ressaltar. Exatamente esse contraste entre uma mente sã e medicada vs uma mente que vê aquilo que deseja, do modo ao seu bel-prazer. Quando o telespectador percebe o efeito drástico desses dois estados de espírito, a mente se abre e o resto começa a fazer ainda mais sentido.


Reprodução: Google
Acredito que se estender muito sobre a história ou até mesmo os personagens não seja uma opção favorável, pois a surpresa é um grande triunfo do longa, principalmente para os desavisados, assim como aconteceu comigo. Muitas cenas e diálogos podem não ter pretensão de serem levados à sério, porém a essência geral do filme merece a sua atenção e comprometimento. É claro que aqui você não esperará por um terror que assuste ou coloque medo, mas poderá esperar por uma ótima história sobre um psicopata.


Também não espere que a psicopatia seja abordada de forma psicológica e com maior aprofundamento, mesmo que haja cenas em que Jerry encontra sua psicóloga, essa não é a proposta central desse filme. Ao meu ver, o foco está no desenvolvimento da psicopatia e, ao mesmo tempo, na mentalidade conturbada do protagonista, ao que se mescla com o cotidiano e sentimentos pessoais. O gostar de alguém e o medo de ser rejeitado. O passo errado. As consequências.


The Voices não é um filme para qualquer público ou para todos que gostam de terror e/ou comédia. Gosto de dizer que é uma indicação própria para os amantes de longas descontraídos ao mesmo tempo em que são estranhos e pesados, tudo à sua peculiar maneira. A mescla, que havia grande chance de resultar em bagunça, funcionou comigo. Funcionou tanto que hoje indico sempre que tenho oportunidade. Uma história que irá desgraçar a sua cabeça, mas que logo na cena final dos créditos te fará pensar sobre o que você acabou de assistir (junto com algumas estrondosas risadas).

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2 thoughts on “THE VOICES: Psicopatia mascarada de inocência”

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