Filmes Literatura

Por trás de “Versos de um Crime” e a conturbada geração beat

Acredito que, assim como eu, há leitores que gostam de aprender e conhecer sobre as escolas literárias e as gerações que se formaram; entender o contexto histórico de determinadas criações literárias e compreender o porque de tal texto ter sido escrito naquela época, saber a intenção por trás das palavras e o que o autor queria demonstrar com aquele escrito, e qual era a mensagem que estava expressa nas entrelinhas ou até mesmo gritadas em cada linha.

Por conta dessa “sede” de conhecimento sempre procuro por obras ou filmes que, embasados na realidade, retratam esses momentos, podendo assim aprender cada vez mais sobre o assunto. Foi procurando por algo assim que encontrei o filme Versos de um Crime, baseado no surgimento da Geração Beat, um movimento criado por autores que hoje são mundialmente conhecidos.

“Em 1944, três expoentes da literatura beatnik, os colegas Allen Ginsberg, Jack Kerouac e Lucien Carr, exploram ideias ousadas, que desafiam o seu tempo. O assassinato de David Kammerer, um professor apaixonado por Lucien, transformará a vida dos três amigos, que são acusados de serem os responsáveis por sua morte.”
Assista ao trailer

As perturbações e possessões de uma geração conturbada.

Versos de um Crime é ambientado durante os anos 40 e conta a história de como a Geração Beat se formou e se transformou no que conhecemos atualmente. Logo no início fica claro que algo ruim aconteceu e que por conta disso um dos homens do grupo de amigos está sendo indiciado como suspeito de um assassinato. Será a partir de um diálogo cheio de rancor e desavença entre Allen Ginsberg (Daniel Radcliffe) e Lucien Carr (Dane DeHaan) que haverá o ponta pé inicial para a trama e para a revelação dos acontecimentos anteriores.

Através desse enredo composto por bastante drama e uso em excesso de drogas e bebidas alcoólicas é explorado o encontro e o desenrolar de uma amizade entre os poetas Allen Ginsberg, Jack Kerouac, Lucien Carr e William Burroughs. Mas, além disso, também é exposto para o telespectador a relação tóxica entre eles, as  manipulações uns com os outros e as reações que certos atos trouxeram para a vida pessoal. Ao mesclar todas essas nuances e conectar problemas pessoais à problemas mentais o filme resulta em uma magnífica reprodução da época, em questão de criatividade literária, e da mentalidade conturbada de cada um dos autores ali retratados.

Há uma certa obsessão e desejo de posse entre o grupo, o que acarreta em desavenças e em um final inesperado da geração que apenas havia começado. Também há a pressão em fazer a diferença no meio literário e por conta disso a criatividade é estimulada de diversas maneiras, incluindo as piores. Dentro disso seguir os demais padrões não é, em hipótese alguma, negociável. A geração beat precisa ser revolucionária e para isso acontecer eles dão as próprias perturbações e divagações para os textos.

Reprodução: Google

Mas e a Geração Beat por trás da ficção? Como eles eram?

Aqui abro um adento para falar um pouco sobre a verdadeira Geração Beat, aquela que realmente aconteceu em meados dos anos 1950 criada por jovens intelectuais que tinham o objetivo de se expressarem livremente, sem amarras e censuras, e que contaram a sua visão de mundo através de suas próprias vivências. Assim como é exposto no filme esses escritores também criavam com o auxílio do consumo de muitas drogas, bebidas alcoólicas, sexo e jazz. Inclusive estavam sempre juntos, fazendo as quatro coisas em grupo.

O movimento literário durou entre 1944 até 1959, compondo de características marcantes como: a intensidade do texto, a escrita compulsiva do autor, um fluxo de pensamento desordenado e caótico, uma linguagem cheia de palavrões e gírias e o apoio à igualdade étnica, à miscigenação e às trocas culturais entre raças. Os escritores também eram a favor da liberdade sexual e isso era exposto com sinceridade e crueza em suas obras.

Os autores, os quais alguns são retratados no filme, são conhecidos até hoje por suas críticas continuarem sendo tão atuais e necessárias em nossa década. Allen Ginsberg, Jack Kerouac, William Burroughs, Lawrence Ferlinghetti e Gregory Corso transformaram a literatura e criaram uma vertente de verdades, anti-conformismo e que ia contra a lavagem cerebral da comunicação feita aos jovens. Uma revolução importante e transformadora.

As características dessa geração são perceptíveis em movimentos atuais, como na onda hippie, no movimento LGBTQ+ e até mesmo em escala bem menor no Feminismo, principalmente em questões de liberdade sexual, ação que os dois últimos grupos continuam buscando e lutando. Também reconhecemos a influência em bandas de punk rock, canções de rock n’ roll e em filmes que utilizam a essência do termo depreciativo “beatnik” para compor suas histórias sobre jovens. Aconselho que pesquisem mais a fundo sobre o movimento e entendam melhor todas as suas nuances, pois vale a pena.

Reprodução: Google

Aprendendo mais sobre a Geração Beat.

Acredito que Versos de um Crime seja uma indicação válida para todo amante de Literatura. Sendo bastante fiel ao movimento Beat o filme traz o melhor e o pior dessa criação. Mostra a verdade por trás dos textos e por trás de cada autor hoje reconhecido por obras tão intensas. A sexualidade livre e as relações homoafetivas são frequentes, tanto no longa como também no movimento, e é uma questão “jogada” para o telespectador em cenas explícitas de beijos, carícias e sexo. 

Nessa geração não há vergonha em ser quem é, em experimentar, em fazer de tudo para criar. Os “beats” extrapolam os limites e se sentem confortáveis com isso. Vão além do convencional e mostram como é possível sentir tudo o que querem, mesmo que para isso seja necessário meios perigosos e viciantes. A intensidade é sentida no seu auge e a criação é vista como uma bela destruição.

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