Literatura

Resenha: “Dramalhama” – Larissa Rumiantzeff

Título: Dramalhama
Autora: Larissa Rumiantzeff
Quantidade de páginas: 326
Editora Sinna
Gênero: Ficção / Literatura Nacional / Romance
Ano: 2019
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Compre: Amazon Editora Sinna
Minha classificação: ★★★ (3/5) 
* E-book cedido pela editora

Uma nova escola, um novo país, uma nova vida.

Após um incidente na escola, onde Júlia é obrigada a ter uma conversa séria com a diretora, a garota decide que quer fazer intercâmbio nos Estados Unidos, convencendo assim a sua mãe a lhe mandar para fora do Brasil. Através de muito esforço e de muita correria em última hora, Júlia consegue uma vaga no programa de intercâmbio e viaja para Mount Hood, cidade de Oregon.

Na pequena cidade ela conhece a sua família anfitriã, os Webster, que são um casal com duas filhas. Além deles Júlia também conhece a outra estudante de intercâmbio que convive com a mesma família, a alemã de cara fechada Karin. Como se isso já não fosse um número suficiente de pessoas para se conviverem em uma casa, ainda há muitos animais para ocupar o espaço da residência – e o tempo livre da garota -, como cachorros, gatos, ratos e até lhamas.

No início o intercâmbio se mostrou como um sonho: um país novo, uma escola nova e até mesmo uma família nova. Mas não muito depois o sonho se tornou um pesadelo. Júlia começou a ser explorada fisicamente pela família Webster, sendo obrigada a dividir os trabalhos manuais pesados com a Karin e ainda receber ordens das filhas do casal. Mas o que fazer quando uma experiência, que deveria ser a melhor da sua vida, começa a rolar por uma colina abaixo? Para quem recorrer? À quem se agarrar?

Com uma narração em 1º pessoa, que faz com que a protagonista converse com o leitor, e uma ambientação nos anos 2002, a história é um misto de nostalgia com referências à cultura popular da época, nos relembrando como era ser um adolescente naquela década e nos arrematando com as roupas, os estilos e os pertences passados.

Mesmo que o foco principal seja a experiência de intercâmbio de Júlia, como as coisas boas e as coisas ruins e o choque cultural de outro país, também há a presença do cotidiano da adolescente – quase adulta – e as descobertas no último ano do Ensino Médio. Para Júlia essa viagem é uma maneira de recomeçar longe de sua antiga escola, a qual estudou por toda a sua vida. Essa é a hora de conquistar novas amizades, construir novas conexões e, quem sabe, se apaixonar pela primeira vez.


“Já percebeu que os americanos adoram fazer coleção? Scrapbook, lhamas, coisas de Coca-Cola. Nós somos mais uma coleção na estante deles.”

O oposto dos clichês de filmes americanos.

Quando eu digo que o livro é o oposto dos clichês que vemos em filmes que retratam a adolescência americana eu não digo isso de forma negativa. De jeito nenhum. Eu, assim como a Júlia, me surpreendi a ver que as líderes de torcida e os jogadores de futebol americano não são “o centro da atenção”, mas, sim, adolescentes simpáticos e normais como os demais. E essa parte para mim foi super positiva, pois quebra o esteriótipo de que os jovens de outro país são banhados à festas, álcool e dinheiro. Foi interessante ver esse outro lado, essa outra visão, do lado de fora.

Mas infelizmente nem tudo foram flores durante a leitura. Empaquei durante uma semana nos primeiros 19% do livro, só sentindo a leitura render na semana seguinte. Quando terminei fiquei com aquele sentimento de alívio, como se tivesse tirado um fardo das minhas costas (já que não podia abandoná-la e nem gosto de fazer isso). Percebi nessa leitura que histórias que tratam do cotidiano e dos problemas pessoais de adolescentes não me atraem mais, pois não sou o público alvo delas. Acredito que exatamente por isso a leitura se fez tão massante pra mim, ao invés de ter sido engraçada e leve.

Mesmo que o foco seja o intercâmbio – e essa parte eu realmente gostei – em muitos momentos me vi lendo algo que eu sei que esquecerei daqui uns meses, e isso é triste pra mim. Principalmente porque gosto das demais publicações da Editora e de todo o esforço e carinho que eles têm em trazer para nós novos autores nacionais.

Por isso espero que para os demais leitores essa história seja tocante e até inspiradora, arrancando muitas gargalhadas dos mais jovens e conquistando-os. Não foi escrito pra mim, mas sei que há muitas pessoas que irão adorar, como você que está lendo a resenha caso se interesse pelo gênero. De qualquer modo fico feliz em ter conhecido a escrita de mais uma autora nacional, a qual pretendo acompanhar mais de perto e conhecer os futuros trabalhos.


“Toda companhia era bem-vinda, mas a minha era suficiente.”


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8 thoughts on “Resenha: “Dramalhama” – Larissa Rumiantzeff”

  1. Cara eu tô vendo muita gente falando desse livro e o nome dele e capa me chamaram muito a atenção, fiquei bem curiosa pra ler. Mesmo que esses romances não façam muito meu estilo, eu vejo tanta coisa boa que já tô doida pra ler! Vou procurar o livro no kindle, amei sua resenha!

  2. Sei como é ler um livro que no final se torna um alívio. Mas é sempre importante sermos honestas, ainda mais porque leitura é um gosto totalmente pessoal. Eu mesma achei bem interessante a ideia do livro, mas também não acho que seja para mim.
    Nao conhecia a autora, mas fico feliz que seja brasileira <3

  3. Oiiiii

    É muito complicado lutar pra engatar com um livro e sentir um alivio quando ele termina, já passei por isso e é uma sensação nada legal. Uma pena, a proposta do livro parecia bacana e eu achei legal ele fugir do clichê de sempre baseado nos filminhos americanos. Não sei se leria, ando saturada de leituras assim e pelo que vi na resenha, talvez não fosse me prender no momento.

    Beijos, Ivy

    http://www.derepentenoultimolivro.com

  4. Tudo bem? A princípio o livro não me chamou atenção.
    Entendo esse alívio que sentiu completamente.
    Esse foi meu primeiro contato com o enredo do livro e autora, que eu não conhecia, quem sabe em algum momento eu não me arrisque, por curiosidade.

    Beijos.

    Além das Páginas

  5. Olá!
    O que me chamou atenção foi a parte do intercâmbio e essa desconstrução que o livro traz sobre os clichês americanos. É bom ter uma visão diferente sobre o que vemos a vida toda de forma tão naturalizada.
    É uma pena que você não tenha gostado cem por cento da história, mas também acho que deve ser porque o público alvo é outro. O importante é que deu para tirar algo de proveitoso, né?
    Abraços.

  6. confesso que achei a capa fofinha, e tbm achei curioso pessoas criarem lhamas kkk, gostei de saber que foge um pouco do comum criado e estereotipado do americano adolescente, e achei uma pena você ter finalizado com sensação de alivio e nao de prazer, é ruim quando isso acontece.

  7. Olá!
    Assim como você, participei dessa leitura coletiva. Eu deixei pra ler o livro quase todo perto do prazo acabar, para evitar empacar, um mania minha. Tinham algumas coisas nele que também não pareciam “reais” pro meu universo, mas aí eu lembrava que eu não fazia parte do público alvo e tudo saía mais facilmente. Passei raiva com alguns personagens e até me diverti depois que aceitei que eu precisava ler como uma adolescente. Acho que se fosse a Fernanda de uns 7 anos atrás, eu me identificaria mais com o livro, mas mesmo não sendo esse o caso, tenho certeza que muitas pessoas vão amá-lo como devem.
    Adorei sua resenha, ficou bem sincera e completa!
    Abraços

  8. Olá,
    De vez em quando gosto de livros adolescentes mais leve assim então super me chamou a atenção. Ainda mais por ter essa coisa fora do clichê. Muito legal a indicação, pela resenha parece ser o tipo de livro que eu me divertiria lendo.

    Debyh
    Eu Insisto

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