Literatura

Resenha: “O Silêncio dos Livros” – Fausto Luciano Panicacci

Título: O Silêncio dos Livros
Autor: Fausto Luciano Panicacci
Quantidade de páginas: 256
Editora Pandorga
Gênero: Ficção / Distopia
Ano: 2019
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Minha classificação: ★★★ (3/5) 
* Livro cedido pela LC Agência de Comunicação

O que você faria em um mundo onde os livros foram proibidos?

O Silêncio dos Livros é uma distopia nacional dividida em três partes. Na primeira conhecemos Alice, uma criança que, diferente das demais, gosta de ouvir histórias e anotá-las em um caderninho de papel. Como lembrança da avó falecida, a quem Alice nutria um grande amor e carinho, a garota guarda escondido no quarto um livro que um dia foi lido pela velhinha para ela. Mas com medo do governo um dia invadir e revistar a casa, sua mãe, Louise, decide rasgá-lo, transformando-o assim em pedacinhos o bem mais precioso da filha mais nova.

Através dos olhos de Alice descobriremos o porque do ato selvagem e raivoso da mãe: os livros foram proibidos nos países europeus e a posse do objeto causa prisão para aqueles que o detém, assim como aconteceu com o seu tio, a quem – junto com a avó – Alice deve o hábito e incentivo da leitura. Mas, para sorte da garotinha, junto com esse infortúnio chega também uma novidade que trará muita alegria para ela. Um velho chamado Santiago se muda para a casa perto da sua, descobrindo logo depois que o homem é um ativista em prol da liberação dos livros e, por isso, conhece muitas histórias que servirão de momentos felizes para Alice.

A segunda parte do livro irá retratar o passado de Santiago e os acontecimentos que se sucederão até que ele saia do Brasil e vá parar ali em Portugal, virando o avô de letrinhas de Alice e um novo membro da família da menina. Após isso a terceira parte fecha com maestria o ciclo que envolve essas pessoas e finaliza a história mostrando as consequências de quando a humanidade de cada um não consegue lidar bem com o sentimento repentino que chega na família, o amor.

Com um governo opressor que induz escolhas randômicas ao invés do livre-arbítrio, o livro traz um debate importante sobre como a tecnologia afasta, ao invés de acolher, as pessoas uma das outras e como o vício tecnológico é um mal arriscado. Além disso, também há o embate entre a tecnologia e os livros físicos, já que as histórias são vistas como algo repugnante por terem um final já escrito e que não pode ser alterado. Por isso a mensagem que O Silêncio dos Livros transborda, sobre como a Literatura pode ser libertadora e transformadora, é essencial e necessária nos dias atuais.


“Pois é na Literatura que a Humanidade se confessa: é ela o espelho no qual nos vemos desnudados, e podemos então nos tornar um pouco melhores. Não que a Literatura tenha sido em algum momento capaz de extirpar da Humanidade a vilania; sempre foi nessa luta, no entanto, valiosa aliada. Mas nossa sociedade aboliu os livros, entorpecendo-se de estupidez…


A diagramação do livro está bonita, dando destaque as páginas que são separadas por partes. A letra é pequena, mas não causa desconforto na leitura.

“TER LIVROS É CRIME. DENUNCIE.”

É difícil falar sobre esse livro no geral, já que a segunda parte – que trata do passado do protagonista – me agradou bem mais do que o resto em si, sendo assim o momento em que a leitura mais fluiu. Por mais que o tema dessa distopia seja ótimo e, infelizmente, muito realista, o que me deixou animada com a história, a parte do presente onde se trata disso especificamente não me agradou.

Ao meu ver a família da Alice muitas vezes foi chata e irritante, mesmo que eu soubesse que esse foi o propósito do autor ao querer mostrar como a tecnologia usada de forma errada pode ser tóxica e nociva. Acredito que a intenção do Fausto tenha sido melhor do que a própria execução, que inclusive tem uma escrita difícil e umas descrições longas desnecessárias.

Mas não pensem que a minha leitura foi de toda ruim. Claro que não. Santiago é um personagem que cativa, até mesmo quando sabemos de seus problemas mentais e de seus atos indescritíveis quando mais jovem. É emocionante e empolgante ver como ele, já velho, lida com a Literatura e como consegue transpassá-la para a jovial Alice, mantendo assim os livros vivos mesmo que sendo apenas dentro de cada um. O amor que o personagem leva até a família também é um ponto a se destacar, já que sem ele a família de Alice nunca teria descoberto o verdadeiro significado de amor e afeto.

A narração é em 3° pessoa, mas isso não gera motivo para que o leitor não saiba a opinião e o pensamento de Santiago e Alice em capítulos focados nos personagens. Você ficará com a ligeira impressão de estar lendo uma narrativa pessoal e íntima, sendo revelado para si todos os segredos, amores – e desamores -, tristezas e sonhos.

Acredito que muito da minha experiência negativa tenha sido pessoal, já que distopia não é um gênero que tenho costume – ou apreço – em ler. Mesmo sabendo desse meu gosto particular eu quis dar uma chance, pois a sinopse chama e prende a atenção de quem a lê. E é exatamente por isso que sei que os fãs do gênero irão aproveitar muito mais a leitura do que eu consegui, sendo assim recomendado para aqueles que gostam de histórias sobre redenção de personagem e que apreciam uma boa história sobre o amor por histórias.


“(….) O silêncio tinha sons, e os livros iam conclamando, em cochichos, à leitura, e celebrando, aos gritos, a vida. O silêncio dos livros cantava. O silêncio dos livros era a própria música.”



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