Literatura

Resenha: “Creepypastas: Lendas da Internet” – Vários autores

Título: Creepypastas: Lendas da Internet
Organizadora: Glau Kemp
Vários autores
Quantidade de páginas:
 222
Editora Lendari
Gênero:
 Ficção / Horror / Suspense e Mistério
Ano: 2018
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Compre: Amazon
Minha classificação: ★★★★★ (5/5) 
* Livro cedido pela editora

As melhores – e mais assustadoras – lendas
da internet em um único lugar

O famoso termo “Creepypastas” é conhecido por se tratar daquelas histórias ou lendas urbanas de terror que são espalhadas pela Internet. Esse tipo de história percorre de correntes e jogos amaldiçoados até episódios de desenhos perdidos e contato com a Deep Web. Caso sinta curiosidade para conhecer mais a fundo sobre Creepypastas, recomendo que procure o termo no próprio Youtube, onde há centenas de vídeos explorando pastas famosas da Internet.

Dentro desse amplo tema surgiu a antologia Creepypastas: Lendas da Internet, composto exclusivamente por autores e autoras nacionais. Os contos intercalam em histórias sobre o perigo de não se repassar uma corrente nas redes sociais, sobre a maldade e o bizarro contidos na Deep Web, espíritos vingativos e assassinos à sangue frio, mas principalmente abordam sobre os males contidos na Internet e como um passo em falso dentro de um mundo tecnológico desconhecido pode te trazer uma maldição sobrenatural e eterna.

O livro tem o corte de páginas vermelho, combinando com a capa, e as folhas iniciais de cada conto são pretas com uma arte escura e macabra de fundo.

O estranho e o bizarro no seu maior potencial.

Eu não sou uma pessoa que se assusta fácil com livros de terror. Pelo contrário, eu consigo me manter firme e forte em minhas leituras, sem ficar amedrontada ou trêmula. Mas confesso que com esse livro eu não consegui ficar totalmente segura, tendo assim alguns contos que realmente me deixaram com medo e arrependida de lê-los à noite. Eu os separei, então logo abaixo irei compartilhar com vocês um pouco sobre cada um.

O chamado da cigarra, de Ana S. Varella:
O narrador-personagem junto com seus dois melhores amigos, Amanda e Theo, tem um único objetivo: descobrir quem está por trás do CICADA 3301, um ser misterioso da Deep Web. Infelizmente essa curiosidade mórbida acabará levando o trio até O Carniceiro, alguém que não os poupará de nada.
Logo no segundo conto já me senti envolvida com o livro e, ao mesmo tempo, surpresa com o rumo da história. Não esperava pelo desfecho que me foi dado e, confesso, as pernas tremeram com tal revelação. É uma história curta, mas bastante instigante.

O valsista, de Cacau Correa:
Um homem é obrigado a viajar durante a noite por conta de uma oportunidade de trabalho. O recomendado, tanto pelos habitantes de Florianópolis como também pelo rádio, é que não viagem à noite, já que uma neblina nada convidativa invadia a estrada. É claro que, por conta da pressa em voltar logo para casa e ficar com a família, o homem ignorou quaisquer recomendações e decidiu mesmo assim viajar entre a noite nublada. Essa escolha trouxe grandes tormentos para a mente do desconhecido e após isso a sua vida nunca mais seria a mesma.
Esse conto, assim como o anterior, também trouxe uma grata surpresa com um desfecho que não imaginei. Eu fiquei apavorada junto com o protagonista e consegui sentir em minha própria pele o seu desespero. O final me quebrou tanto quanto também o quebrou.

O recanto mais sombrio, de Douglas Lobo:
Em uma conversa no elevador com Maíra, sua vizinha, Murilo, por ser publicitário, recebe o pedido de editar algumas fotos para o aniversário da sobrinha da moça. Tentando ser simpático ele aceita o pedido e logo quando entra em casa já inicia o processo de conexão do pen-drive no computador. No dispositivo Murilo encontra alguns vídeos estranhos que trarão muitos pesadelos durante a noite.
É incrível como esse conto transita entre a loucura pessoal do personagem e o medo imposto pelos vídeos estranhos. O final é revelador, mas também bastante significativo. Gostei como o sobrenatural e o íntimo se misturam, se mesclam.

Boa noite Babamoon, de J. M. Menez:
Quando os pais não estavam em casa Clara cuidava dos dois irmãos mais novos, Ana e Davi. Com pressa e vontade para sair escondido de casa assim que os pequenos dormissem, Clara arrumou um lanche para os irmãos e logo em seguida os colocou na cama, sem se importar com a boneca estranha encontrada no sótão por Ana. Jogou o brinquedo no lixo para se precaver de maiores dores de cabeça e sem se preocupar demais saiu, deixando Ana e Davi dormindo sozinhos em casa.
Esse conto aborda uma típica história de boneca amaldiçoada, mas de um jeito que me fez tremer um pouco. A irresponsabilidade da irmã que resultou em uma dor e loucura infinitas me deixou curiosa ao decorrer da leitura, até porque histórias que envolvem bonecas são bastante clichês e eu queria saber como essa poderia ser diferente das demais. Gostei do desfecho e de como a escrita da autora me envolveu, se destacando assim de outras histórias de mesmo tema no livro.

A parteira, de Kelly Amorim:
Erick acorda no meio da noite em sua estadia em um hotel. Diferente das demais vezes, nessa ele acorda com uma fome estranha e um desejo por comida mexicana. Sem conseguir enganar o estômago, Erick se vê tentado – e obrigado – a ligar para o serviço de quarto e pedir a comida desejada, o que, infelizmente, sucederá em uma situação fora do comum ao lado de uma senhora desconhecida.
Com toda a certeza esse foi o conto mais bizarro que li na antologia, o que, claro, adorei, já que histórias com teor mais estranho sempre me chamam a atenção. Eu não esperava pelo desfecho e muito menos pelo acontecimento final, o que despertou em mim uma surpresa mais do que positiva. A escrita da autora é visceral, o que combinou perfeitamente com o tom da história, sendo, provavelmente, o meu conto preferido do livro.

A edição está linda e sombria, combinando perfeitamente com os textos.

Creepypastas: você acredita nelas?

Eu adoro quando leio um livro sem saber o que irei encontrar, mas no final da leitura me sinto gratificada por ter o lido, sendo esse um deles. Confesso que não sou muito fã de creepypastas, até porque nunca li mais do que algumas, mas gostei muito de como os contos foram elaborados, escritos e expostos. Acredito que por isso, por eu não ter contato com esse tipo de texto, para mim o livro se tornou único.

É claro que alguns contos foram leituras melhores do que outros, mas o livro, no geral, me agradou muito. E mesmo tendo temas bastante similares uns com os outros, em nenhum momento senti que a leitura ficou massante ou repetitiva, mas, pelo contrário, eu só sentia vontade de entrar naquele mundo cada vez mais e ter contato com tudo que ali estava escrito.

Sei que as creepypastas não agradam a todos os fãs de terror, pois como eu disse anteriormente até mesmo eu não gostava do gênero, mas Creepypastas: Lendas da Internet é um livro que merece a sua atenção. Com um teor sobrenatural, macabro e beirando ao bizarro, Creepypastas surpreende, encanta e amedronta, assim como uma antologia de terror deve ser.


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