Literatura

Resenha: “A Balada de Black Tom” – Victor Lavalle

Título: A Balada de Black Tom
Autor: Victor Lavalle
Quantidade de páginas:
 190
Editora Morro Branco
Gênero:
 Ficção / Horror / Suspense e Mistério
Ano: 2018
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Minha classificação: ★★★★ (4/5) 

“O Rei Adormecido não honra pedidos pequenos.”

A Balada de Black Tom é uma releitura do conto O Horror em Red Hook, de H.P. Lovecraft. O conto original traz uma narração cheia de racismo e xenofobia por parte de Lovecraft, algo que era aceito normalmente na época em que a obra foi escrita, lá em 1924, mas que agora se torna inaceitável e, em alguns casos, até mesmo intragável. E é por isso que A Balada de Black Tom é tão necessária nos nossos dias.

O livro escrito por Victor Lavalle é dividido em duas partes, ambas com narração em 3° pessoa. Na primeira conhecemos Tommy, um jovem negro que sobrevive e alimenta o pai através de pequenas trambicagens. Em uma dessas situações Tommy conhece Robert Suydam, um homem branco e rico, que o convida para cantar em uma futura festa em sua mansão. É claro que Tommy aceita, já que o pagamento durará cerca de um ano em sua mão, uma grande quantia ganhada de maneira fácil. Mas logo depois fica claro que por nenhum dinheiro vale a pena a perda da sua sanidade – e muito menos da sua alma.

Após o desenvolvimento e as consequências dessa situação temos a segunda parte, a qual veremos os acontecimentos através da visão do policial Malone. Junto com o detetive particular Howard, Malone está investigando Robert Suydam, já que a família do velho insiste em dizer que ele se encontra fora de si, o que geraria um grande perigo a sua fortuna. Sendo assim os caminhos de Malone e Tommy se cruzam, resultando em um emaranhado de loucuras e crenças fanáticas.

Victor Lavalle sabe muito bem como conduzir uma história cheia de euforia e insanidade, assim como o próprio Mestre do Horror Cósmico. Abordando o racismo de uma maneira crua, mas sensível, Lavalle apresenta o perigo do ódio racial, muitas vezes usado com a desculpa de medo.


“Os mares vão se erguer e nossas cidades serão engolidas pelos oceanos. (…) O ar ficará tão quente que não conseguiremos respirar. O mundo será refeito por Ele e por Sua espécie. Aquele homem branco tinha medo da indiferença; bem agora ele vai descobrir como é senti-la.”


Capa dura, páginas pretas com artes diferentes no início de cada parte e páginas pretas ao final com o conto do Lovecraft; edição bonita e cuidadosa.

A loucura contagiante de Victor Lavalle.

Eu ainda não tinha lido o conto do Lovecraft que serviu de base para essa releitura e acho que lê-lo depois foi a decisão correta, pois me senti confusa em várias partes do conto original, o que teria sido um desastre ainda maior se eu já não conhecesse os personagens através da obra do Victor Lavalle. Confesso que, para mim, O Horror em Red Hook não é a melhor obra de H.P. Lovecraft, tanto pelos termos preconceituosos como também pela confusão que a história transborda. É claro que gostei do conto do Mestre, que inclusive vem junto nessa edição, mas em menor escala.

Por isso gostei tanto da releitura do Victor, pois ele aborda o racismo da forma como deve ser, não de modo pejorativo e/ou colocando a culpa das maldades do mundo em cima dos negros. A maneira que o autor escreve mesclado a forma que a narração foi conduzida tornaram a obra magnífica e significativa. Acabei ficando com vontade de conhecer as demais obras do autor e continuar tendo contato com a sua escrita que tanto me fisgou.

Posso dizer que fui surpreendida com a forma como o Victor escreve e transborda sobre a loucura. Eu me senti em choque junto com os dois protagonistas e também me vi perdida em meio a tantas informações e magnitudes. Me senti na pele de ambos, o que deixou a leitura ainda mais imersiva. Em um momento eu estava me sentindo com raiva junto com Tommy e em outro eu estava enlouquecendo ao lado de Malone.

Para quem já conhece um pouco das criaturas criadas por Lovecraft o livro também será um prato cheio, já que há uma espera e um chamado em busca dos Anciões. O próprio Cthulhu é citado, o que causou grande euforia em mim, admito. E é incrível ver como somos pequenos e insignificantes perante a esses Deuses, uma humanidade descartável.

Lovecraft é um mestre quando o assunto é deixar o leitor tão insano quanto o próprio personagem, mas Victor Lavalle não ficou atrás. Assim como a história que lhe inspirou esse livro, Victor também amedronta, assusta e choca, resultando em uma grande homenagem ao Mestre do Horror Cósmico e uma grande alegria aos fãs que buscam por mais dessas sensações.


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