Séries

O luto e a solidão em Fleabag

Esse ano Fleabag conquistou seis prêmios durante o Emmy Awards, fisgando assim a minha atenção e curiosidade para a série. Mesmo eu sabendo que a segunda temporada, responsável pelas estatuetas, concluía a história, sendo assim a última, decidi aproveitar a minha assinatura da Amazon Prime e assisti-la.

Fleabag é uma produção britânica exclusiva da Amazon Prime Video, criada e protagonizada por Phoebe Waller-Bridge. A série traz Fleabag, a protagonista que dá nome à comédia dramática, relatando os acontecimentos de sua vida ao mesmo tempo que tenta curar suas feridas através de muito humor negro e muito sexo.

Não se preocupe, pois esse post não tem spoiler! Deixarei todas as surpresas para você desfrutar pessoalmente com a série.

Reprodução: Google

A conturbada perda de uma melhor amiga

Logo no início conhecemos Fleabag, a nossa protagonista, e somos apresentados a vários acontecimentos simultâneos em sua vida. Nenhum desses sendo bom ou agradável para ela e para nós.

Ela mantém um namoro cheio de vais e voltas que está prestes a desmoronar por conta de um vício que começa a atrapalhar a relação dos dois. Ela não mantém uma relação saudável com o pai, a irmã e a madrasta, tendo assim as relações familiares e amorosas ruindo cada vez mais. Ela é dona, junto com a melhor amiga, de uma cafeteria, mas aquilo que um dia foi uma grande ideia das duas hoje está à beira do fracasso e de ter as portas fechadas, já que manter uma cafeteria sozinha está sendo um grande problema e pesar para ela. Isso porque a sua melhor amiga morreu e Fleabag não sabe como lidar com o luto, a perda e até mesmo a culpa.

Por isso ela vê no sexo e na ironia maneiras de escape, uma chance de fugir dos problemas e da tristeza. Há muita solidão, tristeza e pesar dentro de Fleabag, demonstrando assim que ela não está pronta para lidar com os problemas pessoais e muito menos com seus traumas. Basta para nós, telespectadores, observamos e torcermos para que ela se cure e se perdoe.

A primeira temporada foca exatamente nisso: no luto de Fleabag, na falta da melhor amiga e na incompreensão dos familiares. É uma temporada mais intensa e pesada que nos faz pensar e absorver muitas coisas importantes. A Fleabag tem um contato direto com o telespectador, já que a personagem quebra a quarta parede, ou seja, ela fala diretamente conosco, mostrando intimamente as suas vulnerabilidades, incertezas e medos.

Particularmente essa temporada foi mais intensa para mim, já que sei como é difícil- e impossível – superar a morte de uma amiga. Não me vejo na Fleabag e nem me identifico com as atitudes da personagem, longe disso. Mas consegui sentir empatia e tristeza por ela; houve uma conexão e isso fez com que a série se tornasse uma das melhores que assisti esse ano.

Reprodução: Google

Os destroços de um amor proibido

Na segunda temporada ainda temos os mesmos sentimentos aflorados de antes: o luto e a solidão ainda são constantemente presentes na vida de Fleabag. Mas uma reviravolta em sua vida amorosa faz com que a nossa protagonista não queira mais sair com nenhum outro homem, não queira mais fazer sexos casuais e muito menos se envolver com algum desconhecido. Fleabag se apaixona.

Mas é claro que conhecendo a nossa protagonista tão bem quanto nós a conhecemos na primeira temporada, ela não poderia apenas se apaixonar, transformando esse sentimento em algo normal e puritano. Fleabag se apaixona pelo padre que irá realizar a cerimônia de casamento de seu pai e sua madrasta.

Pode parecer ultrajante ou chocante, mas não é. Fleabag só quer alguém que a ame, alguém que esteja ao seu lado. Ela continua tendo as desavenças com a irmã – ainda mais após o fim da primeira temporada -, mas fica claro que tudo que Fleabag quer fazer é protegê-la, mesmo que Claire não queira ver isso.

Novamente temos uma Fleabag que guarda tudo para si e que, por isso, gera um peso em seus ombros. Em vários momentos ela é culpada, julgada e vista negativamente, o que nos faz odiar os personagens secundários e querer abraçá-la, cuidá-la, independente de suas atitudes negativas e de má índole.

Eu gostei ainda mais da segunda temporada do que da anterior. Me vi tão conectada à Fleabag que muitas vezes eu torcia para que o amor dela pelo padre fosse recíproco, mesmo sabendo que isso era totalmente errado. Por isso foi uma temporada que me impactou com ainda mais força e me deixou desolada ao final com um desfecho abertamente previsível, mas que fez total sentido a personagem.

Tradução livre: “Eu só quero chorar o tempo todo.”

Melancólica, humana e verdadeira

A série Fleabag não é fácil de ser recomendada para todos os públicos, mas é uma série que deveria sim ser assistida por todos, independente de gostos pessoais ou preferências. Fleabag traz muito do humano, dos erros, das perdas, das solidões. Traz muito de nós.

A série está disponível na Amazon Prime. Caso você ainda não tenha o serviço, ele pode ser utilizado gratuitamente durante 30 dias, tempo mais do que suficiente para você maratonar as duas temporadas mais de uma vez. Para fazer o seu cadastro acesse esse link, pois ao utilizar o nosso link você nos ajuda com uma pequena porcentagem e, ainda, a manter o blog ativo.


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12 thoughts on “O luto e a solidão em Fleabag”

  1. Olá, tudo bem? Tenho um amigo apaixonado por essa série e ele fala com uma empolgação que chega a ser uma gracinha ahhaha mas comigo não rolou infelizmente, acabei não conseguindo me conectar com os personagens e infelizmente abandonei, o que é uma pena porque realmente parece boa.

  2. Oi Thainá.

    Eu ainda não tive a chance de assistir essa série. Conheço poucas série da Amazon Prime, mas gostei das informações que deixou dela. Vou aproveitar um final de semana para maratonar. Obrigada pela dica.

    1. Essa foi a primeira – e até agora única – série que dei uma oportunidade na Amazon Prime, e não me arrependo disso. É uma série que todos deveriam ao menos dar uma chance. Espero que goste! 🙂

  3. A sua resenha está PERFEITA.

    Fiquei totalmente desolada pelo ato final de Fleabag, a despedida doeu mais do que tudo.
    Também torci muito pelo amor proibido dos dois, não sei, por um momento parecia tão certo? É de ficar confusa com o tanto de sentimento que essa série nos trás.
    Amar também é deixar.

    1. Muito obrigada, Taís! <3
      Eu nem imaginava que a segunda temporada seria o fim, então fiquei bem chocada e triste com aquela última cena. Doeu tanto que dói ainda mais ao relembrar. Mas, ao mesmo tempo, é incrível como essa série nos fez sentir, né? Agora estou louca por outro trabalho da Phoebe, pois preciso sentir tudo isso de novo.

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