Literatura

Resenha: “A Corrente” – Adrian McKinty

A Corrente foi um dos livros mais comentados em 2019. A grande maioria dos booktubers e blogueiros literários que acompanho leram esse thriller e adoraram. Não vi ninguém que tenha dado uma nota menor do que quatro, de cinco, para a obra.

O marketing também surpreendeu ao mandar cartões sobre a corrente retratada no livro sem mandar propriamente o exemplar físico, e foi esse mistério ao redor do tema central da história o maior motivo pelo qual me interessei em lê-la. Não sei se foi a ansiedade, a expectativa alta ou as opiniões – provavelmente tudo isso junto -, apenas sei que a obra não funcionou tão bem comigo.

Título: A Corrente
Autor: Adrian McKinty
Quantidade de páginas:
 378
Editora Record
Gênero:
 Ficção / Suspense
Ano: 2019
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Minha classificação: ★★★ (3,5/5)

NÃO QUEBRE A CORRENTE!

Após um ano sem indícios de que seu câncer de mama tenha voltado, Rachel Klein, atualmente divorciada de Marty, está indo para uma consulta importante de última hora quando recebe uma ligação que mudará sua vida para sempre: Kylie, sua filhinha de 13 anos, foi sequestrada no ponto de ônibus.

As regras para tê-la de volta sã e salva são simples: a) não fale com a polícia, se não sua filha morrerá; b) deposite 25 mil reais em nossa conta, se não sua filha morrerá; c) sequestre uma criança, se não sua filha morrerá; e d) não quebre a corrente, se não você e sua filha morrerão.

É importante que fique claro, principalmente para Rachel, que isso não está acontecendo pela quantia de dinheiro. Isso é pela Corrente e quebrá-la trará grandes infortúnios e sofrimento para Rachel. Tudo faz parte da Corrente e esse movimento não deve ser quebrado. Antes, ninguém nunca conseguiu sair da Corrente, então por que Rachel, logo ela, essa mulher que se acha tão frágil e incapaz, conseguiria?

Nesse Thriller há constantemente a indagação de Rachel perante ao conflito moral, que esbarra com a obrigação de ter que sequestrar uma pessoa, e a vontade de ter sua filha de volta. Afinal, uma mãe fará tudo para que sua filha esteja novamente em seus braços. Mas e quando esse tudo envolve sequestro, assassinato e roubo? Ela terá coragem para tal?


“Agora Rachel entende tudo. A Corrente é um método cruel de explorar o sentimento humano mais importante – a capacidade de amar – para ganhar dinheiro. Não iria funcionar em um mundo no qual não houvesse amor entre pais e filhos ou entre irmãos ou entre casais, e só uma sociopata sem amor, ou que não entende o amor, conseguiria usá-la para alcançar seus objetivos.”

Reprodução: Biblioteca Pessoal

Relação entre mãe e filha e os perigos de uma vida exposta na Internet

Terminei esse livro na semana passada, mas ainda é difícil dizer se gostei ou não. A proposta do livro tinha tudo para ser espetacular e, talvez, até inédita. Porém foram tantas situações previsíveis que no final eu só queria terminar logo a leitura, pois já tinha ideia do que ia acontecer.

É claro que histórias que envolvem famílias, principalmente quando a relação é entre mãe e filha, acabam sendo mais intensas e emocionantes. E é claro que eu queria saber como a Rachel ia fazer para salvar a filha da Corrente – e inclusive como isso afetaria sua saúde mental – mas, mesmo com essa apreensão e curiosidade, não consegui me conectar totalmente com a protagonista e muito menos com o propósito da Corrente.

Acredito até que o que mais me envolveu foi, na segunda parte, a história de dois irmãos gêmeos, o que seria uma explicação até válida para todo o resto (mas disso não posso falar mais para não ter spoilers). Mas, mesmo assim, ainda sinto que esperava bem mais do livro, da escrita do autor e até mesmo das personagens.

Teve muita ação e muito desespero, mas, acho, que esperei algo ainda mais frenético e que me tirasse o ar, o que é uma pena, pois eu realmente pensei que ia amar esse livro. Algumas partes me pareceram enrolações demais, o que, admito, só tirava ainda mais a minha paciência. Para mim, ficou parecendo que o marketing foi bem melhor do que a obra em si, e isso me entristeceu.

Apesar desses pontos negativos, a leitura me instigou em alguns momentos, o que me fez ficar acordada durante a madrugada apenas para provar que minhas teorias sobre o desfecho estavam certas. E isso foi bom, pois já fazia algum tempo que eu não ficava acordada lendo até tarde.

Outro ponto que também merece ser destaco como positivo foi a forma que o autor abordou a privacidade na Internet. Ficou claro como é fácil sabermos da vida, da rotina e dos gostos do outro, podendo muito bem usarmos tais informações para o mal. Confesso que isso me assustou um pouco, mas também me fez refletir sobre toda essa exposição da vida pessoal em redes sociais, e isso fez o autor ganhar pontos comigo.

De qualquer forma, acredito que os leitores que procuram um suspense frenético e com bastante ação, sem espaços para pausas e calmaria, devam ler A Corrente e tirar suas próprias conclusões. O livro não é ruim, longe disso. Apenas não funcionou comigo. Mas se tantas pessoas o leem e o elogiam, então vale a pena dar uma chance.


“A vida é frágil, passageira e preciosa. E o simples fato de viver já é um milagre.”


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