Literatura

Resenha: “Delirium” – Carlos Patricio

Delirium estava parado na minha estante há um tempo, e por isso decidi inclui-lo na maratona Desencalha Livros 2020, que até o momento está sendo bastante produtiva, mas que, ao mesmo tempo, está me mostrando o quanto o meu gosto vem mudando através dos anos.

Comprei Delirium não necessariamente por vontade própria, mas por ter que pedi-lo ao constatar que o livro que eu queria – e havia pago – não estava mais disponível no catálogo do site. É claro que na hora não me importei em mudar a compra, já que havia lido opiniões positivas sobre o livro, porém, agora o lendo, percebi que talvez não tenha sido uma ideia tão boa assim.

Título: Delirium
Autor: Carlos Patricio
Quantidade de páginas: 228
Editora Página 42
Gênero:
 Ficção / Suspense e Mistério
Ano: 2014
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Compre: Amazon
Minha classificação: ★★★ (3/5)

Um declínio para a loucura

Delirium é uma coletânea composta por oito contos de horror, todos escritos e criados pelo autor nacional Carlos Patricio. O terror aqui exposto não é o de assustar ou de lhe causar medo, longe disso ser a intenção real do autor. Mas, sim, um terror feito para lhe deixar desconfortável, abominado.

Os contos mesclam delírios com insanidade, muitas vezes colocando a mente do leitor à prova e fazendo com que nós nos questionemos com o que estamos lendo e consumindo, assumindo assim mais uma característica dentro do terror: a de reflexão, principalmente ao tratar filosofia e religião como temas centrais em algumas histórias.

A edição é bonita, com detalhes em preto deixando o livro com uma atmosfera ainda mais intensa. A diagramação tem letras pequenas, o que pode incomodar alguns, e tem ilustrações a cada início de conto.

Conheça um pouco sobre cada conto:

Doutor Sádico: Na Áustria estão ocorrendo sequestros e assassinatos em uma proporção antes nunca vista. Klose é viúvo e cuida sozinho da filha pequena, Elizabeth. As notícias que vê pelo jornal o deixam mais aflito e com medo a cada criança ou adulto que é raptado. Ao ser despedido, ele decide ir até um bar para afogar as suas mágoas, tal ato o colocando exatamente no caminho do assassino.

Truco!: Ao invés de saírem para a balada, quatro amigos escolhem ficar em casa em uma noite de sábado, bebendo e jogando cartas. Um barulho do lado de fora do apartamento os pegam de surpresa, tendo logo em seguida o local invadido por um bandido.

Agoniado: Narrado em 1° pessoa, de forma frenética e sem pausas, o conto abordará um protagonista que sofre com uma ansiedade crônica, a qual o deixa frenético, incomodado e com pesadelos.

Telefone sem fio: Ricardo e Mayra se conheceram no Carnaval e imediatamente decidiram morar juntos. Apesar dos boatos maldosos, mas verdadeiros, sobre Mayra, o casal continuou junto e feliz em sua moradia. Boatos esses que de início não fizeram mal algum, mas que ao crescerem correm o perigo de se transformar em uma grande decepção mortal.

A questão de todas as questões: Daniel não acredita na religião ou em Deus, apesar de crer que existe algo maior do que nós que dita nossos destinos. Ao encontrar Camilla na capela do hospital em que trabalha, Daniel e a conhecida começam um diálogo sobre crenças, religiões e Deus.

O outro mundo de Henrique: Henrique é alguém que se sente incompleto, que nada em total potencial lhe traz êxtase ou alegria completa. Ao descobrir um jogo que o proporciona ser outra pessoa, ele encontra nesses momentos uma forma de extravasar e ser quem quiser.

Pouco antes da virada: A narração consiste em ser um poema curto que aborda sobre as facetas e sentimentos da morte.

Lindos sonhos dourados: Aos olhos de Guliver o seu irmão mais novo recebe um tratamento especial e diferenciado do pai. Enquanto Guliver é reprimido por ser quem é, por tentar conseguir trabalhar com o que ama e por ter problemas pessoais, o irmão é acolhido, mimado e elogiado, mesmo que tenha atos abomináveis e mau educados com os pais. Diante disso, Guliver decide sair de casa e seguir o seu próprio rumo, encontrando sérios problemas à noite em bares e ao consumir drogas.

Reprodução: Biblioteca Pessoal

Poderia ser insano e enlouquecedor, mas não foi

Mais uma leitura que espero uma coisa e encontro outra. Estava esperando, pelo título e capa, um livro cheio de angústias, terror psicológico e desespero, algo que me deixasse louca da cabeça e querendo mais, porém encontrei contos simples – e alguns até mesmo chatos – que se distanciaram do meu desejo pessoal, o que acabou estragando a experiência de leitura para mim.

Estou percebendo que não gosto quando misturam filosofia com “terror”, pois isso faz com que eu fique entendiada e sem entender nada, e infelizmente isso aconteceu aqui. Há diálogos enormes e exaustivos com base em filosofia e religião, pontos que não me agradaram, mas, sim, fizeram com que eu tivesse vontade de pular certas páginas para chegar logo ao fim.

Entretanto o livro não foi de suma ruim. Alguns contos me agradaram, como o Doutor Sádico, mas isso, infelizmente, não fez com que a experiência de leitura fosse recuperada ou melhorada, pois apesar de serem contos diversificados não encontrei a originalidade que esperava e que o próprio livro me prometeu. Por isso foi uma leitura lenta e cansativa, que não pretendo repetir.

Mesmo assim espero que o livro seja mais bem aproveitado e bem visto por outros leitores. Se você gosta dessa junção de filosofia e terror, recomendo que dê uma chance para a obra, mas peço que não vá com grandes expectativas para não se decepcionar assim como eu.


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