Filmes Girl Power

7 filmes sobre mulheres reais e extraordinárias

Gosto muito de procurar por filmes que abordem histórias verídicas de mulheres, sejam elas de ramos artísticos ou não. Gosto de ter esse contato com mulheres reais, de conhecer suas vivências, suas dificuldades e suas vitórias. Gosto, ainda mais, de me sentir inspirada por cada uma delas.

Sei que algumas histórias são realmente difíceis de se ter contato, nos deixando mal durante a maioria do enredo, mas acredito que são mulheres que não escondem o que viveram e que mostram que essa realidade, por mais ruim que aparente, pode ser transformada; demonstram que todas nós temos escolhas e que podemos utilizar disso para nosso próprio bem, sem pensar nos demais, apenas em nós mesmas.

Fiz essa lista querendo colocar muitos outros, quem sabe em uma parte dois, mas me atentei a citar apenas os que assisti mais recentemente e que ainda me fazem lembrar de suas histórias. Todos os filmes aqui citados são não-ficção, ou seja, embasados em fatos, por isso recomendo que após assisti-los procure também pela história real que os inspiraram.

Eu, Tonya (I, Tonya)
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A ex-patinadora artística Tonya Harding perdeu todo o seu prestígio e carreira na patinação ao iniciar uma sequência de atos de rivalidade com Nancy Kerrigan, os quais não foram produzidos por ela, mas, sim, pelo seu ex-marido Gillooly e o melhor amigo dele Shawn Eckardt.

Isso mesmo, ela teve sua carreira artística afundada e esquecida por causa de atos deploráveis de dois homens, caindo sob si a culpa. Não bastasse todos os tipos de abusos que Tonya sofreu, tanto dentro de casa com a sua família como também nas mãos do ex-marido, a artista ainda precisou esquecer o seu sonho de ser patinadora ao ser relacionada a um ato de violência contra Nancy.

O filme contém cenas fortes de violência física e abuso psicológico, sendo, talvez, o mais difícil de ser assistido dessa lista. A história é forte, triste e angustiante, ainda mais quando pensamos que tudo aquilo realmente aconteceu. Mais uma vez uma mulher perde quase toda a sua vida por culpa de homens abusivos, descontrolados e mesquinhos. É revoltante, mas muito importante.

Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)
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Estrelas Além do Tempo conta a história de três mulheres negras, Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson, que trabalhavam na Nasa na época da Guerra Fria e que foram essenciais para que o homem conseguisse ir com segurança para o espaço pela primeira vez.

O ano é 1962, uma década cercada pelo machismo, racismo e segregação racial, temas que são abordados com cuidado e conscientização pelo filme. Sendo as três protagonistas mulheres e negras, o preconceito era vivido diariamente, tanto fora como também dentro do próprio ambiente de trabalho.

A luta e histórias delas não consiste em apenas conseguir mandar um homem para o espaço, mas também, e talvez principalmente, em combater todo o tipo de preconceito e inferioridade a que eram sujeitas. Assim como as três conseguem crescer e se destacar na Nasa, junto elas também levam outras mulheres negras consigo, e isso é lindo, arrepiante e inspirador de se presenciar.

Vamos ao primeiro documentário da lista: Laerte-se, produção original da Netflix. Para quem não reconhece à primeira vista o nome ou o rosto da Laerte, talvez lembre-se dela ao ver suas charges pela Internet ou pelos jornais, sempre repletas de humor e críticas.

Laerte é cartunista, sendo considerada uma das artistas mais importantes do nosso país. E também é uma mulher trans. O seu documentário mostra, sem tabus e sem censura, como é a vida de Laerte, quais são os seus medos, desejos e anseios; mostra como ela e sua família, incluindo seu neto, lidam com a sua sexualidade e gênero; mostra como ela própria se vê e se sente.

Assisti a esse documentário sem nenhuma pretensão específica, mas ao final estava emocionada e tocada. É importantíssimo que a vivência de pessoas trans seja vista e sentida por nós, para que assim, mesmo que aos poucos e de longe, possamos ter contato com suas realidades. Laerte é uma pessoa inspiradora, e pude sentir isso mesmo eu sendo uma mulher cis.

Desde que comecei a me envolver com o Feminismo, Frida Kahlo se tornou um nome recorrente em textos, listas e referências que consumo. Mas, mesmo assim, admito que nunca pesquisei mais à fundo sobre a história dessa mulher, sabendo apenas o superficial, como, por exemplo, que é uma pintora mexicana que fazia auto-retratos que mesclavam a fantasia com a sua realidade.

Por isso o filme Frida foi tão importante para mim, pois foi através do longa que descobri com mais afinco sobre a realidade dessa artista, o seu casamento conturbado com Diego Rivera, a sua própria relação com a sua bissexualidade e como ela se enxergava através de suas pinturas.

Frida passou por inúmeras cirurgias, traições e dificuldades, mas isso em nada tirou o seu amor pela arte e o desejo em ser reconhecida como uma artista. O mais fantástico do efeito visual do filme é quando as próprias pinturas dela se mesclam a momentos expostos no longa, o que deixa tudo ainda mais com cara de Frida. Todos deveriam conhecer sua história de vida, luta e inspiração.

Sete Dias com Marilyn (My Week with Marilyn)
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Marilyn Monroe foi um dos maiores símbolos sexuais do século XX, sendo fruto de desejo de centenas de pessoas e ícone para outras. Ficou conhecida por seus filmes, casamentos e, talvez principalmente, por seu cabelo belíssimo loiro. Porém o que muitos não sabiam era como Marilyn era solitária e triste quando estava longe dos holofortes.

Em Sete Dias com Marilyn fica bastante claro esse outro lado, mais secreto e pessoal, da atriz. No longa ela é chamada para contracenar em um filme em Londres, conhecendo assim Colin Clark, um ajudante do diretor. Os dois terão uma relação mais íntima, de amizade, amor e cumplicidade, e com ele Marilyn sente que pode ser ela mesma.

Marilyn Monroe é outra celebridade que eu nunca soube mais do que as notícias e boatos afirmam, mas com esse filme consegui ver um lado da artista que desconhecia. Nele vemos Marilyn totalmente exposta, fragilizada e oprimida, fazendo assim com que nós tenhamos ainda mais empatia e admiração pela carreira e vida dessa mulher. Assim como a própria Marilyn, a atriz Michelle Williams, que está perfeita no papel, também consegue nos deixar apaixonados e admirados por sua beleza e atuação.

Feministas: O Que Elas Estavam Pensando?
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Imagem: Reprodução Capricho

Não poderia deixar de citar esse documentário, também uma produção original da Netflix, que aborda com tantos dados, sinceridade e fatos, o Feminismo. Aqui temos contato com diversas mulheres que foram fotografadas pelas lentes de Cynthia MacAdams durante a década de 70. Agora, mais velhas, elas relembram a época das fotos e conversam sobre como era a luta do Feminismo para cada uma.

Um dos pontos que mais gostei nesse documentário foi conhecer relatos tanto de mulheres brancas como também negras, mostrando assim como o Feminismo é diferente – e às vezes até excludente – para cada raça. Temos contato com histórias inspiradoras, fortes, que podemos levar e espalhar por todo o nosso caminho, aprendendo com cada palavra e cada uma delas.

No documentário há a presença de Jane Fonda e Lily Tomlin, atrizes principais da série Grace and Frankie, que nos contam como foi o início de suas carreiras no cinema e como o filme Como Eliminar seu Chefe se tornou um marco da luta feminista dentro de Hollywood. Um documentário que mostra as diferenças entre gênero desde nossa criação quando crianças e como isso pode nos influenciar mais para frente, mas sempre demonstrando o quanto devemos seguir o nosso próprio caminho e da maneira que bem quisermos, sendo chamadas de loucas ou não.

Roxanne Roxanne
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Roxanne Roxanne é um filme baseado na história da rapper Roxanne Shanté. Quando ainda era adolescente ela já havia começado a participar de batalhas de rap de rua e a ganhar de homens adultos.

Ainda jovem ela conquistou a fama, conseguindo assim com que as pessoas realmente a escutassem. Porém com a riqueza e o reconhecimento também vieram muitos problemas, como o casamento com o Cross que tornou-se uma relacionamento abusivo e transtornado.

O filme se mostra importante tanto por nos contar a vivência de Roxanne, focando em sua ascensão, declínio e superação, como também por abordar a história do Hip Hop, o qual Roxanne fez grande parte. Se você já gosta de saber mais sobre como o Hip Hop foi fundado e suas derivadas evoluções, aconselho que conheça primeiramente Roxanne Shanté.

Indicações Extras

Meu Nome é Dolemite (Dolemite Is My Name)
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Mesmo que Meu Nome é Dolemite seja um filme, não o indiquei acima por não ter uma protagonista feminina, mas quis deixar como menção honrosa por ter uma personagem que vale a pena ser lembrada e admirada, a querida Queen Bee.

Queen Bee conhece Dolemite de uma forma inesperada e até mesmo inusitada, quando está em um bar presenciando a traição do marido. À partir de uma conversa sincera e cheia de humor com o desconhecido, eles iniciam ali uma bela e duradoura amizade. Logo, quando Dolemite decidi fazer um filme, Queen Bee é encaixada na trama e prestigiada pelo olhar de uma câmera.

No final do filme há uma cena bastante emocionante onde ela desabafa com o amigo e agradece por tudo que ele fez por ela, inclusive por colocá-la no longa, que futuramente se tornaria um marco na indústria cinematográfica negra. Ela é uma mulher negra, gorda, mãe solteira e comediante, que longe dos padrões impostos pela sociedade tem uma oportunidade para mostrar o seu corpo e se orgulhar disso.

Reese Entrevista (Shine on With Reese)
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Deixei Shine on With Reese como indicação extra por não se tratar de um filme, mas, sim, de uma série com apenas uma temporada, que contém nove episódios curtos de até 25 minutos. Tenho que admitir que não reclamaria se houvessem episódios mais longos e muitas mais temporadas, já que o tema principal tanto me agradou e me deixou com um gostinho de quero mais.

Nessa série temos a Reese Witherspoon – isso mesmo, aquela atriz e diretora famosa e maravilhosa – entrevistando mulheres poderosas em cargos de poder e destaque; cargos esses onde a presença é majoritariamente masculina. Nem sempre as entrevistadas são mulheres famosas, mas algumas já podem ser conhecidas pelo público, como as cantoras P!nk e Dolly Parton e a diretora Ava DuVernay.

Fui assistindo aos poucos, para não terminar tudo de uma vez, e adorei cada episódio. É incrível saber mais da história de vida de cada uma dessas mulheres e ter contato com as suas trajetórias até os seus sonhos. Me senti inspirada por elas e querendo abraçar cada uma. Uma ótima maneira de mostrar para as mais jovens que podemos – e devemos – ser o que quisermos.

Eu deveria ter feito esse post em março para comemorar o Dia da Mulher, mas não tem problema, né? Afinal, nunca é tarde para indicar filmes de mulheres poderosas e para nos inspirarmos umas nas outras. Inclusive, se você gostarem desse tipo de recomendação já posso preparar uma segunda parte, pois tenho muitos outros filmes com a mesma temática para indicar!

Muitas dessas indicações você encontra na Netlix, o que deixa tudo ainda mais fácil nas suas mãos, caso você seja assinante. Não sei se tem na Amazon Prime, mas também vale a pena procurar por lá. Espero que de uma forma ou de outra os filmes se tornem acessíveis para vocês e que tragam uma ótima e enriquecedor experiência, ainda mais nesse momento de caos e desespero.

Também espero que estejam todos bem e, se possível, em casa. Vamos passar por essa pandemia juntos e em breve, eu espero, estaremos todos em uma situação melhor e favorável. Enquanto isso cuidem-se, tanto fisicamente como também psicologicamente, e mantenham-se sãos. Tempos melhores virão.


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4 thoughts on “7 filmes sobre mulheres reais e extraordinárias”

  1. Ei Thainá! Amei as histórias levantadas no seu post. Acho extremamente importante conhecermos essas pessoas e suas lutas. Isso me dá uma sensação de que realmente somos fortes, por mais que os desafios impostos nos diga que não. Estrelas além do tempo e Frida foram filmes que me emocionaram bastante. Os outros ainda não conhecia, mas vou procurá-los para assistir.
    Bjoos
    Quero Detalhes

    1. Amei o seu comentário! Obrigada por isso.
      E eu também acho muito importante todas essas narrativas, principalmente quando sabemos que são histórias reais, o que acaba tendo um peso ainda maior, ao meu ver. Há mulheres incríveis por aí, à fora, que podem nos inspirar, principalmente as dos nossos dia a dia, mas também acho que é ainda mais incrível que possamos conhecer através de filmes tais histórias.

    1. Oi! E obrigada.
      Eu também acho a Octavia Spencer uma atriz excelente, e por isso sempre tento assistir aos filmes que ela está, inclusive estou doida para assistir a série na Netflix em que ela protagoniza. Todos os filmes têm sua beleza e seu significado, espero que goste dos que decidir assistir.

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