Literatura

Resenha: “Penitência” – Kanae Minato

Estou com vontade de ler Penitência desde que li Confissões, um livro que me deixou completamente chocada por conta de seu enredo e seus plot twists. Em Confissões a autora abordou a vingança de uma professora perante ao assassinato de sua filhinha, onde os culpados foram dois de seus alunos, uma proposta que me instigou desde o começo, pois sou professora.

Então li Confissões e automaticamente Kanae Minato tornou-se uma de minhas autoras preferidas, fazendo assim com que eu tivesse vontade de ler tudo o que essa mulher publicou ou ainda irá publicar. Vi em Penitência uma chance de amar ainda mais essa autora, mas e o medo de não ser tão bom quanto a minha primeira experiência? Por isso, posterguei a leitura e só esse ano me dispus a encará-la de uma vez. E, meu Deus, por que eu demorei tanto para ler esse suspense incrível?

Leia também: Confissões, de Kanae Minato

Título: Penitência
Autora: Kanae Minato
Quantidade de páginas: 192
Editora Gutenberg
Gênero:
 Ficção / Suspense e Mistério
Ano: 2019
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Minha classificação: ★★★★★ (5/5)

Um assassinato, cinco garotas e uma promessa desesperadora

Durante um feriado, quando a piscina da escola encontrava-se fechada em respeito à comemoração, um grupo de cinco amigas, com faixa etária de 10 anos, foram brincar de vôlei em um campo ao lado da escola. Sae, Maki, Akiko, Yuka e Emily brincavam de passar a bola quando foram interrompidas por um homem desconhecido, o qual usava um uniforme de trabalho, que pediu a ajuda de uma das meninas para limpar os ventiladores do ginásio da escola, dando a desculpa de que havia esquecido a escada.

Prestativas e educadas, todas as meninas têm vontade de ajudá-lo, mas a escolhida é Emily, a única que não é nativa daquela cidade e que se destoa das demais por motivos únicos. Porém, após horas de espera, as quatro meninas restantes decidem procurar por Emily e pelo homem desconhecido, achando assim o corpo sem vida da garota. Emily foi assassinada e estuprada.

Após 15 anos dessa terrível tragédia, acompanharemos, através da narração de cada uma, como a vida de Sae, Maki, Akiko e Yuka foram afetadas por causa do assassinato e também por conta de uma conversa que tiveram alguns anos depois com a mãe de Emily. Em silêncio, elas haviam feito uma promessa para ela, e isso afetou, mesmo que sem perceber, significativamente a vida de cada uma, mas não de um jeito bom.

Cada uma lidou com a situação de uma forma particular e sofreu à sua maneira, mas é inegável que todas, mesmo após quase duas décadas, ainda se punem pelo assassinato e por não terem lembrado do rosto do assassino, tendo assim o processo de prisão sendo arquivado. O tempo de prescrição está acabando e o assassino ainda está a solta, como agir em relação a isso e como parar de causar auto penitência em si mesma?

Há traumas, momentos de sufoco e de desespero e vidas arruinadas. Por isso Penitência é um livro forte, bastante descritivo e angustiante de se ler. Nele, nós temos a versão de cada garota do grupo de amigas da Emily; cada sofrimento, paranoia e tristeza. É uma história que toca, arrepia e nos tira todas as estruturas emocionais possíveis.

Mas cuidado com os gatilhos: há cenas fortes e descritivas de estupro, pedofilia, assassinato e suicídio.


“O que eu queria era me misturar no meio da multidão de pessoas que não sabiam do meu passado e sumir.”

Reprodução: Biblioteca Pessoal

Um suspense de tirar o fôlego e prender o ar

Eu sabia que a autora não iria me decepcionar. Desde que li Confissões, busco por outra obra da mesma autora para ler, mas estava com receio de Penitência não ser tão bom para mim como foi Confissões. Ledo engano, já que me senti totalmente envolvida por esse novo livro e fisgada pela sua história.

Em apenas 3% da leitura eu já me sentia incomodada, angustiada e sufocada, inclusive até chorei. As cenas e descrições de um assassinato e estupro de uma menina de 10 anos são muito fortes e mexeram muito comigo. Tudo que eu queria era que o assassino fosse pego logo, mas isso nem de longe é o foco do livro (por mais que fique claro que é isso que a mãe e as amigas da vítima procuram). Ao meu ver, o foco da história é muito mais as consequências que essa situação ocasionou na vida das amigas da vítima, em como ver a amiga ali, assassinada e violada, fez com que a vida delas tomasse um rumo totalmente inesperado e angustiante; como uma promessa à mãe da vítima fez com que a vida das meninas vivas se tornassem um furacão de maus sentimentos. Senti-me na pele de cada uma e me sensibilizei com cada relato.

O único fato que me incomodou negativamente foi ter deixado o desfecho de certo personagem em aberto. Eu não gosto de finais em aberto, gosto de ter todas as explicações expostas ali para mim, por isso, ainda mais dessa vez, eu queria tudo concretizado e exposto. Mas depois, pensando melhor, acredito que mesmo nas entrelinhas ficou claro o que aconteceu e isso me deixou mais contente com o final do livro.

Foi uma leitura forte, mas que me fez lembrar porque eu havia gostado tanto da escrita da autora. Espero conseguir ler mais obras dela em breve e espero também que mais pessoas a conheçam por aí. Só tome cuidado com os gatilhos, pois as descrições de tais atos são extremamente fortes e cruas.


“Eu me pergunto como todos os senhores aqui, pais, ensinam seus filhos, hoje, a se proteger. Espero que ninguém ache que essa função seja totalmente da escola.”


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6 thoughts on “Resenha: “Penitência” – Kanae Minato”

  1. Olá,
    Apesar de ler bastante thrillers toda a violência com crianças me deixa um pouco de estômago embrulhado, não sei se pegaria pra ler. Porém sempre gostei da parte de investigação e tal, e o livro parece estar bem escrito.

    1. Entendo completamente. Eu também não me sinto nada a vontade com descrições que envolvem crianças (ou pessoas no geral, mesmo), mas acho que o livro num todo é importante e deve ser lido, mesmo que não seja fácil de ser digerido. Dessa forma ele cumpre a sua proposta, que também é chocar, mas que é, principalmente, mostrar como um assassinato pode modificar toda a mente e vida das crianças que tiveram contato com o corpo.

  2. Olá, tudo bem?
    Eu confesso que nunca ouvi falar sobre o livro ou a autora, mas não é muito meu estilo de leitura. Quase não leio suspense e esse senso tão forte e descritivo, acho que não funcionaria bem para mim. Mas adorei ler sua resenha e saber que, apesar da ressalva em relação ao final, você acabou gostando da leitura. Para quem curte o gênero, parece ser uma ótima opção.
    Beijos!

    1. Oi, Maria.
      Eu não sei se o recomendaria para alguém que não tem o costume de ler thrillers, ainda mais pelo teor pesado e extremamente descritivo. Mas, caso conheça alguém que goste, sugiro que recomendo o livro para ele, pois é uma leitura que os fãs irão gostar, acredito.

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