Literatura

Resenha: “Livros de Sangue” – Clive Barker

Clive Barker está entre os meus autores preferidos. Ele tem uma escrita única, peculiar, e histórias que chocam, perturbam, e tiram qualquer autor de sua zona de conforto. Sua obra Livros de Sangue é conhecida por ser uma das melhores do autor, ainda mais viscerais e proibidas, o que só aguçava ainda mais minha vontade de lê-la.

Sendo esgotada há muito tempo no Brasil, era extremamente difícil encontrá-la até mesmo em sebos. No finalzinho do ano passado a Darkside Books trouxe essa grande presente para nós, publicando o primeiro volume dessa coleção.

A minha ansiedade para degustá-la era enorme, então pela primeira vez comprei um livro ainda em pré-venda e o li quase assim que chegou em uma LC que tive o prazer de participar. E aqui estou para dividir com vocês toda a minha opinião sobre essas primeiras histórias de sangue.

Leia também: Candyman, de Clive Barker

Título: Livros de Sangue
Livros de Sangue #1
Autor: Clive Barker
Quantidade de páginas: 240
DarkSide Books
Gênero: Ficção / Horror / Terror
Ano: 2020
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Compre: Amazon
Minha classificação: ★★★★★ (5/5)

Livros de sangue:
encravados na pele, marcados na alma

Livros de Sangue é uma coletânea que contém seis contos, sendo assim o primeiro volume de seis ao total. E essa coleção não poderia ter começado de maneira melhor, trazendo contos impressionantes que chocam, perturbam e fazem qualquer leitor de terror tremer.

Clive Barker sabe como chocar e deixar o leitor desconfortável. Mesmo não sendo o mestre das narrações descritivas, já que ele poupa palavras, o autor consegue transportar o leitor para dentro de suas histórias macabras e fazê-lo sentir cada tormento, cada agonia, que há em suas palavras; ele descreve pouco, mas, mesmo assim, cria uma ambientação completa e fácil – e amedrontadora – de se imaginar.

Pode parecer exagero dizer que o autor escreve para os leitores com estômagos mais fortes, mas não é. Ele brinca com a sanidade de seus personagens, crava agonias em suas peles e desperta o pior de suas almas. Em suas histórias não há salvação, nem rendição. Há apenas horror, sangue e tormentos. Há apenas gritos e desespero. Há apenas morte.


“Toda história tem algum tormento particular em sua tradição. Ele haveria de ser usado para eles registrarem seus testamentos. Ele haveria de ser a página, o livro, o receptáculo de suas autobiografias. Um livro de sangue. Um livro feito de sangue. Um livro escrito com sangue.”

O que esperar dos contos?

Os contos não são tão extensos, sendo o maior com aproximadamente cinquenta páginas, porém admito que o tamanho da letra dessa edição faz com que a leitura seja lenta e um pouco demorada. Mesmo assim, prefiro não me estender no enredo das histórias e por isso falarei um pouco sobre cada uma de forma superficial, focando mais em minhas ressalvas e emoções. Então vamos lá:

O Livro de Sangue:
O conto que abre esse primeiro volume não poderia ser outro. Aqui conheceremos o que há por trás do verdadeiro livro de sangue e saberemos o que aconteceu para resultar nisso.
A escrita do Clive é forte, descritiva, e sempre me impressiona. A maneira como ele transformou os personagens para contar as próximas histórias foi espetacular e sinistra.
É um conto maravilhoso que nos inicia aos livros de sangue de forma magistral e genial. Eu já o conhecia, pois havia assistido a adaptação homônima de 2009, que, inclusive, tive a experiência oposta da leitura, mas, mesmo assim, consegui ser surpreendida com suas palavras e sua narração frenética, hipnótica.

O Trem de Carnes da Meia-Noite:
Em Nova York se iniciou alguns assassinatos, conhecidos pelos jornais como “Mortes no metrô”. Leon Kaufman veio morar na cidade grande em busca de uma vida melhor, mas mantém uma rotina monótona e simples, quando tarde da noite na volta para casa um cochilo no metrô mudará de repente o restante dos seus dias.
Achei esse conto meio longo e tive algumas confusões no início, mas quando a leitura fluiu eu me senti conectada com a história e curiosa para o que ia acontecer. Eu me surpreendi bastante com o desfecho e fiquei bem chocada com a explicação dos assassinatos.

O Yattering e Jack:
Yattering é um demônio que tem como missão atual enlouquecer um homem chamado Jack e levar sua alma para o Inferno. Porém, como irá se mostrar, Jack será mais difícil de se enlouquecer do que qualquer outra de suas vítimas. No final, quem perderá a sanidade?
Achei esse tenebroso, demoníaco e surpreendente. Ele me deixou instigada do início ao fim pra saber o que ia acontecer e aquele desfecho… Nossa! Me deixou de boca aberta. Adorei.

O Blues do Sangue de Porco:
Redman, um antigo policial, ingressou como professor no Centro de Detenção de Infratores Adolescentes. Porém ele percebe que há algo de estranho no lugar e com um extinto protetor até então desconhecido, ele decide proteger um aluno do que quer que esteja acontecendo ali.
O meu preferido ao lado do primeiro. Nesse o Clive traz a dualidade entre divino e impuro, limpo e sujo, nos enganando direitinho com as ações e pensamentos dos personagens. A porca na história faz total diferença e nos instiga a questionar coisas como possessão, loucura e blasfêmia. É nojento, bizarro e lindo!

Sexo, Morte e Estrelas:
Um grupo de atores e atrizes estão se preparando para estrear com uma peça no Teatro Elysium, trazendo em seu elenco um nome famoso: Diane Duvall. Mas é claro que nada será tão simples assim e um homem desconhecido aparecerá querendo que Diane, famosa, porém não talentosa, seja retirada de seu papel para o bem e sucesso da peça.
Infelizmente esse não me agradou tanto como os outros. Achei ele lento e bem sem graça, mesmo que o desfecho tenha sido bom. Não vou dizer o tema central da história, pois será um spoiler danado, mas posso dizer que esse tema pareceu muito simples para um autor como o Barker. Não o vejo escrevendo sobre isso e, ao meu ver, esse conto não tem a sua marca.

Nas Montanhas, As Cidades:
Mick e Judd estão em uma viagem pela Iugoslávia quando os primeiros desentendimentos entre o casal começam a aparecer. Por mais que a convivência entre eles possa parecer impossível, um acontecimento estranho se colocará no caminho, fazendo-os duvidar de seus próprios olhos e sanidade.
O início desse conto me deixou bastante confusa, pois eu não consegui imaginar o que estava sendo descrito. Há duas cidades e, aparentemente, em uma determinada época, de anos em anos, elas se colocam em combate. E a maneira como elas fazem isso me deixou chocada, só conseguindo visualizar tudo isso mais para frente da narração, e aí nesse momento a minha mente explodiu e eu só pensava em como a própria mente do autor é incrível e perturbadora ao mesmo tempo.
O desfecho é perturbador e me deixou querendo mais daquele momento, daquela cena medonha. E agora eu só consigo imaginar o segundo volume dessa coletânea em minhas mãos, pois necessito de mais do Barker. Urgentemente.

Reprodução: Biblioteca Pessoal

Clive Barker ainda me surpreende e ainda me assusta. E isso é magnífico!

Clive Barker nunca me decepciona. Como Livros de Sangue é uma de suas obras mais aclamadas, logo esperei por um livro visceral, medonho e desconfortável, encontrando tudo isso e muito mais nessas quase 250 páginas.

A escrita do autor me abraça, me aquece, mostrando o tipo de terror que eu aprecio e enalteço. São seis contos, um mais estranho do que o outro, alguns que gostei mais do que outros, mas em sua totalidade que me agradaram bastante e me deixaram ansiosa pelo próximo volume ainda sem data de lançamento pela Darkside.

Barker é um dos meus autores preferidos, justamente por saber como mesclar uma narrativa singular e simples com histórias bizarras e que nos deixam de olhos arregalados. Eu gosto dessa sensação de desconforto, de estar presenciando algo que não deveria, algo perturbador demais, e ler esse livro me proporcionou tudo isso e muito mais.

Para quem gosta desse tipo de livro é um prato cheio de sangue, vísceras e muita gratificação, mas para quem não é familiarizado com gore e bizarrice, não o recomendo, pois pode chocar e até mesmo traumatizar.


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