Literatura

Resenha: “Um Exu em Nova York” – Cidinha da Silva

A leitura de junho do Clube Claricimas foi bem diferente da anterior, já que com Um Exu em Nova York focamos em conhecer um pouco mais sobre as religiões de matrizes africanas, um conhecimento extremamente rico e que todas nós levaremos conosco para sempre.

Não vejo a Cidinha da Silva sendo tão falada por aí, e acho isso um sacrilégio horrível. A autora tem uma escrita que conquista logo de cara, potente e chamativa, trazendo diálogos importantíssimos para serem debatidos e compreendidos. Por conta disso, Um Exu em Nova York é uma grande e rica aula de empatia, respeito e amor (e um pouco de sangue em algumas páginas).

Reprodução: Biblioteca Pessoal

Leia também: A garota da casa da colina, de Larissa Brasil

Título: Um Exu em Nova York
Autora: Cidinha da Silva
Quantidade de páginas: 80
Pallas Editora
Gênero:
 Ficção / Contos
Ano: 2018
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Minha classificação: ★★★★ (4/5)

Um Exu em Nova York:
um livro necessário, precioso e que irá te arrebatar do início ao fim

Um Exu em Nova York é uma coletânea que contém 19 contos de narrativa curta – e quando eu digo curta, quero realmente dizer que as histórias intercalam entre uma, duas ou no máximo cinco páginas frente e verso. Porém não pense que a quantidade mínima de parágrafos desvaloriza ou diminui a obra. Muito pelo contrário.

Cidinha da Silva é aquele tipo de autora que tem o poder de te surpreender, conectar e emocionar em apenas poucas palavras. A escrita dessa mulher é extremamente poderosa, rica, forte e com certas pontadas de desconforto, incomodando os leitores de maneira belíssima e consciente.

Os contos exploram as diversidades que há entre as divindades de religiões de matrizes africanas, trazendo assim para nós a mitologia dos orixás. Mesclado a isso, há a vivência dos personagens, os preconceitos e intolerâncias religiosas sofridas por eles; há a fé, o amor, a luta.

Por serem narrativas curtas, a leitura é rápida e fluida, sendo ao mesmo tempo enriquecedora e acolhedora. É praticamente impossível, após a leitura desta obra, continuar sendo a mesma pessoa de horas atrás, pois são contos doloridos, críveis, que geram em nós empatia e reflexão.

Para título de curiosidade, deixo aqui os meus contos preferidos: Kotinha, Sábado, Maria Isabel e Lua Cheia.


“Recolhi as peças quebradas e a paz me sorriu largo. Comecei o conserto pelo que havia sobrado de mim.”

Reprodução: Biblioteca Pessoal

Um Exu em Nova York é pequeno em tamanho, mas imenso em seu impacto

A escrita da Cidinha é muito potente, e isso fica claro desde o primeiro conto. São contos curtos, bastante fluidos, sendo assim um livro que dá para ler todo de uma vez só, como eu fiz. Esse foi o meu primeiro contato com a autora e não me arrependo da escolha. Muito pelo contrário. Acredito que iniciei pela obra certa.

Aqui temos contato com diversas divindades das religiões de matrizes africanas, e mesmo eu não conhecendo a grande maioria, pude ter entendimento completo sobre cada uma, pois há um ótimo glossário ao final do livro que nos dá esse suporte. Até por isso fiquei muito feliz de ter tido contato com o livro, pois pude aprender e conhecer melhor outras divindades e ter curiosidade para ler mais sobre.

Há contos que me tocaram demais, um ou outro que me tirou certas lágrimas, mas todos me mostrando a realidade forma crua, até com certa poesia nas palavras de Cidinha. São personagens negros, alguns LGBTQIA+, que nos mostram o seu lado, a sua vivência. Nessas linhas há o preconceito, a intolerância religiosa e o amor.

Gostei demais do que li e espero continuar acompanhando a autora em seus trabalhos futuros. Um Exu em Nova York é aquele tipo de livro que todos deveriam ler ao menos uma vez na vida, independente de posição religiosa ou afins. É uma obra que deve ser valorizada, lida e prestigiada.

Um livro que é tão potente em tão poucas páginas! Que mexe conosco, que nos desestabiliza, que incomoda e que, ao mesmo tempo, nos abre os olhos e nos simpatiza, nos fazendo entender as outras religiões e as outras pessoas. Ótimo também para se manter na cabeceira, ao lado da cama, para assim ler e reler quando o coração desejar. Que livro, meus amigos! Que livro!


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