Literatura

Resenha: “Sabbath Bloody Sabbath” – Vários autores

Sabbath Bloody Sabbath foi fruto de um financiamento coletivo que eu tive o prazer de apoiar. Gosto muito de ter antologias, tanto porque são leituras fluidas e ótimas para se livrar de uma ressaca literária como também por ser uma ótima forma de conhecer novos autores do nosso país e assim encontrar aqueles que mais combinam comigo.

Nesta antologia, por exemplo, pude ter o meu primeiro contato com a narrativa de Cesar Bravo – que, claro, amei – e ainda conhecer outros autores que me conquistaram logo nas primeiras páginas de seus contos. Por isso, e mais os motivos que citarei ao longo da resenha, acredito que Sabbath Bloody Sabbath seja um livro precioso para os fãs de terror – e de metal.

Reprodução: Biblioteca Pessoal

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Título: Sabbath Bloody Sabbath
Autores: Cesar Bravo, Má Matiazi, Yuri Amaral, Kevin Talarico, Samanta Geraldini, Andrio Santos, Jéssica Lang, A. J. Oliveira, Daniel Renattini, Luciana Minuzzi, H. F. Kowiak e Enéias Tavares
Quantidade de páginas: 276
Publicação Independente
Gênero:
 Ficção / Literatura Nacional / Terror
Ano: 2020
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Minha classificação: ★★★★ (4/5)

Bruxaria, Rock N’ Roll e muito, muito sangue.

Todos nós sabemos que o Metal e a Bruxaria sempre andaram de mãos dadas, interligadas uma a outra. Aqui, em Sabbath Bloody Sabbath, não é diferente, pois temos um belo – e sangrento – vislumbre disso.

Além dos temas centrais como o Metal e a Bruxaria, presentes com maior ou menor intensidade em cada história, ao decorrer dos contos o leitor também encontrará diversos tipos de criaturas, como demônios e espíritos que estão sempre à espreita, e situações amaldiçoadas, como pactos tenebrosos e possessões assustadoras.

Por mais que Sabbath Bloody Sabbath seja baseada no universo da HQ Metalmancer, não é necessário ter lido a HQ anteriormente. Eu, por exemplo, comecei pela antologia e fiquei ansiosa para conhecer as próximas histórias interligadas. Inclusive, os próprios contos deste livro se interligam, o que resultam um universo ainda mais rico e tremendamente assustador.

Com isso, Sabbath Bloody Sabbath é uma antologia nacional de terror que traz nomes poderosíssimos já consagrados na Literatura Nacional, como Cesar Bravo e Enéias Tavares. Entretanto, as demais narrativas não perdem em nada para esses dois grandes gênios, pois todos os contos são ótimos e trazem muita agonia, aversão e nojo para o leitor, emoções essas que eu, particularmente, adoro no gênero.


“De que adiantava viver por dois se ela se sentia apenas metade? Viver coisas que a ressaca ia levar embora, deixando apenas um vazio no lugar? Por que as pessoas se contentavam em ser temporárias assim?”

Reprodução: Biblioteca Pessoal

Com contos excelentes, Sabbath Bloody Sabbath consegue trazer um universo amplo e assustador

Caramba, que livro bom! Antologias sempre tem o problema de terem contos bons e outros nem tanto. Aqui, encontrei alguns que me agradaram mais do que outros, alguns que me deixaram mais animada, enojada e surpreendida. Mas isso nem de longe fez com que os demais contos fossem ruins.

Confesso que teve um ou dois com leitura mais lenta, um pouco cansativa, mas posso dizer que cada um conseguiu cumprir o seu belíssimo papel: trazer uma história que mescle metal e bruxaria de um jeito maravilhosamente perturbador. Eu adorei como em algumas narrativas pude sentir o gosto do sangue, a dor do protagonista e a loucura de não entender o que estava acontecendo; sentir na pele cada história, cada pacto, cada ritual; fazer parte dessa bagunça louca, cheia de momentos inusitados e criaturas medonhas. Eu simplesmente desfrutei cada momento!

Em particular, teve dois contos que não saíram da minha cabeça nem mesmo depois de uma semana lidos, que foram o do César Bravo e o do A. J. Oliveira, o primeiro trazendo uma cena pesada de pacto que me arrepiou toda e o segundo embarcando em uma loucura de Raul Seixas na terra.


Reprodução: Biblioteca Pessoal

Sabbath Bloody Sabbath é intenso, sangrento e ótimo para o mês do Halloween

Com personagens que vão de carismáticos a insuportáveis, temos contato com tudo que mais amamos e odiamos no terror, e isso é incrível. É ótimo, como autora e escritora do gênero, ver uma antologia tão boa de terror e com tantos elementos que me fazem ser apaixonada pelo gênero.

A edição nem tenho o que dizer. Está um capricho, extremamente linda, com ilustrações aterrorizantes e bizarras que fazem toda a diferença em nossa experiência de leitura. Além da parte gráfica primorosa, também há artigos de apoio sobre a representação do metal e até mesmo a representatividade feminina nesse cenário, complementando ainda mais a riqueza do conteúdo do livro.

Sabbath Bloody Sabbath é um livro bizarramente bonito por dentro e por fora, com muitas gotículas (e baldes) de sangue e muita morte e podridão humana (e demoníaca) a nossa espera. É bastante fluido e descritível, e por conta disso eu deixo a recomendação para quem já tem o costume de ler obras mais pesadas. É bom ter cuidado com os gatilhos, pois o livro também traz temas suscetíveis a isso.


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