Literatura

Resenha: “A Sala de Aula que Derreteu” – Junji Ito

A Sala de Aula que Derreteu foi o meu primeiro contato com as obras do Junji Ito. Por mais que eu venha admirando-o a distância, comprando cada lançamento br do autor e até já assistido a um anime com adaptações de suas histórias, onde o conheci, ele é aquele tipo de autor que eu tinha certeza que iria amar mesmo antes de ler qualquer coisa dele.

E é claro que não me enganei. Ele tem um dom de transformar coisas habituais em grotescas e assustadoras, o que é incrível (e que eu, particularmente, amo)! Tive diversas sensações durante essa leitura, como nojo, pena, raiva e até medo. Acredito que o Junji Ito tem esse poder de causar asco no leitor, mas, mesmo assim, fazer com que ele continue lendo até o final.

Reprodução: Biblioteca Pessoal

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Título: A Sala de Aula que Derreteu
Autor: Junji Ito
Quantidade de páginas: 188
Pipoca & Nanquim
Gênero: Ficção / Mangá / Terror
Ano: 2021
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Minha classificação: ★★★★ (4/5)

Um pedido de desculpas pode ser mortal

Yuma Azawa é aluno novo na escola. Ele acabou de se mudar com a sua irmãzinha mais nova para a cidade, mas logo ganha uma fama de esquisito entre os colegas ao demonstrar um hábito meio fora do normal: Yuma vive pedindo desculpas para todo mundo, até mesmo quando não há motivo nenhum para isso. Porém há um problema: cada vez que Yuma pede desculpas, a proporção de um acontecimento terrível vai aumentando. Isso até chegar a um resultado catastrófico e mortal.

Para completar, há uma criança assustando os moradores. Ela é esquisita, nada angelical e – intencionalmente ou não – ao assustar as pessoas ela acaba causando acidentes para suas vítimas. Essa é Chizumi, irmã de Yuma e uma garota que há muito não é mais normal.

Por trás dessa esquisitice de Chizumi e do pedido de desculpas mortal de Yuma há um passado ainda mais assustador e sombrio que irá revirar o estômago até mesmo dos mais fortes. Os traços de Junji Ito fazem com que o mangá fique ainda mais sombrio e carregue uma densidade pesada e escura, focando em detalhes chocantes, mas, ao mesmo tempo, hipnotizadores.

Em A Sala de Aula que Derreteu encontramos várias partes da história de Yuma e Chizumi, percorrendo um caminho de angústia e repleto de sangue por onde os irmãos passam. Nessa edição ainda há duas pequenas histórias avulsas, com outros personagens, mas que mantém o clima de tensão e terror.

Reprodução: Biblioteca Pessoal

A Sala de Aula que Derreteu é bizarro e brilhante!

Neste mangá um pedido de desculpas pode ser mortal e o epílogo faz com que fiquemos de boca aberta e levemos, ao mesmo tempo, um belo tapa na cara. Afinal, quantos pedidos de desculpas já demos que realmente eram sinceros? Quantas vezes já pedimos desculpas com fundos negativos, com ódio ou apenas por falar? É claro que a reflexão pode ir muito além disso e pode assustar ao ser trazida para um ambiente de horror grotesco com direito a pacto com o diabo e criança demoníaca.

O traço do Junji Ito também é de se admirar, pois é extremamente expressivo e marcante, combinando perfeitamente com o teor denso de suas histórias. Por ser curto, a leitura é fluida e consegui fazê-la em um dia, dedicando-me somente a isso.

Não me arrependo de ter iniciado as obras do autor por essa, pois tive uma experiência única, arrepiante. Tinha momentos da leitura que eu a pausava apenas para admirar o traço; em outras eu parava para respirar e soltar um “que bizarro!”, e a mescla disso tudo, de todas as sensações, fez com que a leitura criasse um laço comigo, um significado. Que fosse marcante.

E mesmo que esta história – e as demais que tem na edição – não seja totalmente perfeita, pois às vezes sentia que ainda faltava algo, posso dizer com propriedade que Junji Ito já tem um lugar reservado entre os meus autores preferidos ao lado de Stephen King, Clive Barker e Cláudia Lemes. Leia-o apenas se tiver estômago – você irá precisar.


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