Literatura

Resenha: “Gibi de Menininha 2” – Várias autoras

Como eu sempre falo, conheci a Germana Viana, organizadora e criadora dessa HQ, durante a CCXP em 2018. Sendo um poço de doçura e carisma, logo me apaixonei por sua pessoa e por seu trabalho, estando acompanhando-a fielmente desde então.

Naquela CCXP eu fui com um objetivo: comprar as HQs independentes feitas por artistas mulheres que a Flávia Gasi, do Garotas Geeks, indicou. E é claro que o primeiro Gibi de Menininha estava na lista.

Eu li o primeiro volume e enlouqueci, de tão bom e genial que achei o quadrinho. Por isso quando a Germana anunciou o segundo, não hesitei em juntar um dinheirinho e apoia-lo no Catarse assim que foi publicado. Logo tive uma oportunidade de encaixá-lo nas leituras de janeiro e não perdi tempo, o li urgentemente e de uma vez só.

Título: Gibi de Menininha 2
Várias autoras
Quantidade de páginas:
 80
Zarabatana Books
Gênero:
 Ficção / Terror / Erótico / HQ
Ano: 2019
Skoob: Clique Aqui
Compre: Amazon | Zarabatana Books
Minha classificação: ★★★★ (4/5)

O faroeste como você nunca viu

Gibi de Menininha 2 mal chegou nas mãos de seus apoiadores e já está sendo devorado ansiosamente por todos. Com uma seleção de artistas nacionais que dão foco apenas em mulheres, o que torna o projeto ainda mais incrível e representativo, a HQ mais uma vez choca os despreparados e enlouquece os fãs.

Agora com um foco um pouco diferente da anterior, Gibi de Menininha 2 traz histórias de terror e putaria ambientadas no faroeste. Isso mesmo! São sete histórias curtas, com traços diferentes, que trazem o melhor do velho-oeste, das vinganças e dos romances LGBTQI+ e héteros.

Reprodução: Biblioteca Pessoal

Conheça as historietas do segundo volume:

Dessa vez nós, leitores, temos dois convidados especiais que nos contarão as sete historietas de terror e putaria: a Madame Deusdete e o Doutor Capirrôt, os quais também são os encarregados de levarem essas histórias através do velho-oeste. Juntos com a Mama Jellybean, os três se tornam os nossos porta-vozes e narradores.

Mama Jellybean – Origens, com roteiro e arte de Germana Viana:
Nessa curta história introdutória iremos conhecer o passado de Mama Jellybean no exato momento em que ela é mandada para um convento após ter aprontando muitas loucuras em sua pequena cidade. É claro que nossa querida personagem não muda mesmo estando cercada de freiras, e talvez ela se torne uma ótima companhia e influência para essas mulheres tão reprimidas sexualmente.
Eu adoro a Mama Jellybean e sempre é divertido tê-la nas histórias, já que a personagem é bem maluquinha e me arranca várias risadas. Conhecer um pouco mais de como ela se tornou a Mama Jellybean foi ótimo e iniciou a HQ de uma bela maneira.

Sob nova direção, com roteiro de Dane Taranha e arte de Sueli Mendes:
Mesmo com tantas dificuldades no passado, com o passar do tempo Frank ainda consegue manter o seu bar aberto e próspero. Ao contrário disso, vive John, um homem que perdeu tudo, inclusive a sua família, após se tornar um viciado em jogos. Apenas Frank poderá ajudar John ao aceitá-lo trabalhando no bar, porém será que essa foi a decisão certa para John?
De cara já sabemos que o Bar do Frank guarda algum segredo, então descobri-lo não é lá uma grande surpresa, mas para onde essa ação irá levá-lo me deixou meio de boca aberta e surpresa, pois foi um desfecho que não esperava. Eu adoro uma boa dose de vingança, o que fez com que eu adorasse esse conto de uma forma geral.

Luna de sangue, com roteiro de Camila Suzuki e arte de Roberta Cirne:
Selina presencia, mesmo estando escondida, o seu pai ser morto por um bando de homens. Ela sabe que naquele momento não pode fazer nada para impedir o assassinato de seu querido pai, mas também sabe que uma vingança será o melhor a se fazer. Por isso decide que aqueles homens devem perecer por suas mãos, porém a única coisa que ela não imaginava era que um saloon misterioso, o qual o bando de homens se acomodou, faria sua própria vingança.
Esse sim foi uma surpresa completa, desde o início até o final. Com uma protagonista sedenta por vingança e corajosa o bastante para ir atrás de seu desejo, a história, mesmo que curta, transporta o leitor magnificamente para dentro de um ambiente claustrofóbico e misterioso, nos deixando chocados – mas, ao mesmo tempo, extasiados – com a cena final.

Monstros de verdade, com roteiro de Clarice França e arte de Renata CB Lzz:
Bela e sua namorada estão de volta na cidade após ouvirem alguns boatos sobre monstros andando na redondeza. Ao chegarem no local aberto, elas descobrem que as conversas eram verdadeiras e temem que a família de Bela, que mora ali, esteja correndo um grande perigo.
A arte da Renata sempre me choca, pois, ao mesmo tempo em que é um desenho com traços fortes e belos também me deixa confusa com o que está acontecendo em cada quadro. Mesmo assim é uma arte que sempre casa perfeitamente com a história, deixando uma sensação de desconforto e até mesmo de pressa, já que queremos a todo custo saber o que são esses monstros e o que o casal irá fazer.

Delilah, a rubra, com roteiro e arte de Fabiana Signorini e Kátia Schittine:
A irmã Mary Clarence, junto com as crianças que está levando para um novo orfanato, tenta alcançar a caravana que seguiu a estrada antes dela. Porém ao escutarem um tiro um medo e uma preocupação os dominam, fazendo assim com que sigam rapidamente e sem atenção apropriada pelo trajeto, ainda sem indícios da familiar caravana. O jeito é parar em uma cidade, mesmo que deserta, e procurar por um abrigo temporário para a noite. Uma decisão que mudará drasticamente o futuro dessas crianças.
Assustadora e maravilhosa! Essa é provavelmente a minha história preferida da HQ, pois mistura um ar de apreensão com ansiedade, nos deixando cada vez mais curiosos pela tal caravana perdida e pelo o que irá acontecer no local desconhecido. O desfecho me deixou incomodada, mas também maravilhada.

Vingança, com roteiro de Rebeca Puig e arte de Germana Viana:
Uma mulher desconhecida, morta e monstruosa, adentra a cidade assassinando todos os homens que encontra pela frente. Ela busca por vingança, mas, mesmo ao encontrar o homem que serviu como estopim para a sua matança, ela não para, continuando assim a deixar um rastro de morte e agonia por onde passa. Isso até encontrar alguém que, possivelmente, poderá a libertar desse pesadelo.
Acredito que essa foi a que menos gostei, principalmente do desfecho. Estava até gostando do propósito da vingança, mesmo que não seja revelado perfeitamente, mas o final me desanimou um pouco. Acho que esperei ainda mais matanças e sangue ou algo mais impactante.

Mato a cobra e mostro o pau, com roteiro de Milena Azevedo e arte de Juliana Loyola:
A índia Taipan Amarela, com o auxílio do Doutor Carvalho, está procurando pelo corpo enterrado de Don Coyote. Para Carvalho a busca se resume a encontrar o ouro perdido que, segundo ao que sabe, está enterrado junto com o homem, porém para Taipan Amarela o objetivo dessa busca está ligado a outro desejo.
Gostei dessa história e como ela fechou o quadrinho. Pude entender, mesmo que implicitamente, o motivo de tal ato da Taipan Amarela e, ainda, pude torcer para que os seus próximos objetivos fossem cumpridos. É sempre satisfatório ver personagens femininas com desejos e ganâncias próprias, então a protagonista me ganhou por isso.

Reprodução: Biblioteca Pessoal

Um pouco repetitivo, mas sem perder o seu charme e seu objetivo

Como eu estava ansiosa por essa HQ! Eu consegui comprar o primeiro volume na CCXP de 2018 e ainda, de quebra, conseguir alguns autógrafos das autoras que estavam lá. Quando li o primeiro volume achei genial! Precisava do próximo! Então apoiei o segundo.

É claro que esse, assim como o primeiro, também tem sua dose de genialidade e conseguiu me conquistar muito, porém em comparação ao outro achei que esse foi um pouco mais leve. Pela capa imaginei que ia ser ainda mais intenso e pesado, mas, em certas partes, acabei achando mais do mesmo, o que me deixou triste, pois tinha tudo para ser uma leitura 5 estrelas favoritada. Eu queria ter tido muito mais.

A capa, criada pela Camila Torrano, continua sendo espetacular e uma das minhas preferidas da estante – se não A preferida. Fico até em dúvida em dizer qual é a mais bonita, a do primeiro ou a do segundo volume. A leitura também é outro ponto bastante positivo, pois, por ser um quadrinho, flui rapidamente e diverte muito. E é ótimo para chocar os outros quando estamos lendo em público.

Por isso, independente do quesito pessoal, Gibi de Menininha 2 continua sendo uma leitura que recomendo para todos que gostam de terror e de cenas sexuais mais quentes. Ambos os volumes têm um grande espaço reservado no meu coração e por isso sempre clamo por mais. Germana, se você estiver lendo essa resenha, eu peço que, por favor, providencie o terceiro volume e nos dê mais esse presente maravilhoso e assustador.


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