Literatura

Resenha: “Gibi de Menininha” – Várias autoras

Título: Gibi de Menininha 
Autoras: Germana Viana (org.), Carol Pimentel, Roberta Cirne, Clarice França, Mari Santtos, Renata CB Lzz, Ana Recalde, Talessa Kuguimiya, Milena Azevedo, Kátia Schittine, Fabiana Signorini e Camila Suzuki.
Quantidade de páginas: 80
Zarabatana Books
Gênero:
 Literatura Nacional / Quadrinhos / Horror / Erótico
Ano: 2018
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Compre: Amazon
Minha classificação: ★★★★★ (5/5)

Histórias de terror com um toque – nada leve – de erotismo

Gibi de Menininha, apesar do nome irônico, não é indicado para os corações mais fracos ou para aqueles que procuram histórias moldadas no padrão imposto pela sociedade. Indo em um caminho oposto a isso, o quadrinho conta com contos escritos e desenhados apenas por mulheres e histórias recheadas de gore, elementos fantásticos e putaria. Tendo o terror e a putaria como elementos principais, a coletânea brinca com a mescla entre seres demoníacos, assassinos e pessoas extremamente malucas colocando-as em um ambiente erótico e induzindo-as ao ato sexual.

Entretanto não pense que a HQ se submete apenas à isso. Por trás de seis grandes e bizarras histórias, estão as suas criadoras, as quais através desse lindo projeto abrem espaço para que novas mulheres criem suas próprias histórias, encorajando-as a abordarem os mais diversos assuntos, inclusive o erótico, sem medo ou vergonha. Talvez por isso Gibi de Menininha seja um marco tão importante para mim e para as demais contadoras de histórias, pois é nesse título que encontramos a mensagem de que podemos – e devemos – escrever sobre o que quisermos, até mesmo sobre os temas que ainda são vistos como “propriedade masculina”.

Reprodução: Biblioteca Pessoal
Um pouco sobre cada historieta:

Por eras e eras te amarei: O que fazer quando você conhece alguém e sente em seu íntimo que é amor à primeira vista? Nesse caso o nosso protagonista, por exemplo, decide acompanhar o recém-amado até a sua humilde – e tenebrosa – residência, para assim iniciarem juntos uma noite de amores. Infelizmente não dá para confiar em todos que conhecemos logo assim de cara, não é? Pena que o nosso garoto, tão inocente, não sabia disso. Essa é, provavelmente, a minha história preferida da coletânea justamente por misturar sobrenatural com romance e ter um desfecho bizarro de partir o coração (eu fiquei chocada!).

Fome: Contrastando com um traço super fofo da Mari Santtos, essa história irá contar um pouco sobre a vida solitária da nossa protagonista, uma moça que é obrigada a viver apenas quando anoitece. Só de falar isso já dá para perceber o que é essa vibe noturna, e por isso não irei me estender no enredo. Finalizo dizendo que aqui também temos uma história de amor, carinho e cuidados, mas de um jeito bem mais macabro do que o tradicional.

Para sempre: Um pouco confuso no início, ao menos para mim, mas abordará o lado sanguinário das sereias; como elas agem quando uma entre elas é tirada do mar por humanos. Nessa história temos vingança e massacre explorados em uma arte de arrepiar.

A última comitiva: É passado um serviço para que um grupo de peões leve alguns animais até o destino proposto, sendo assim uma habitual comitiva. No caminho, no meio do nada, uma casa é avistada logo à frente, se tornando uma ótima chance para pedir abrigo e descansar. Porém seria mais aconselhável se os peões tivessem passado reto, já que, como induz o título, será impossível sair de lá. Eu me surpreendi com o final dessa história e, confesso, fiquei querendo saber mais sobre a casa e a criatura que habita lá dentro.

Doce inocência: Cinco crianças são seduzidas pelo delicioso cheiro de doces que sai da casa do Tio Salgado, assim não resistindo em perguntar para o adulto se podem comer um pouco daquela comida. Tio Salgado deixa de bom grado que as crianças se empanturrem de seus sabores, ao menos até ficarem do tamanho que ele precisa. Essa história consegue transformar um simples ato inocente em uma dose de psicopatia absurda! O rosto de Tio Salgado no último quadro me assustou de verdade, afirmando aquilo que sempre escutamos de nossas pais: nunca aceite doce de um estranho.

Amarrados: Maria Clara cultiva um romance escondido com o colega de trabalho Marcelo, que acabou de anunciar que está noivo de outra mulher. Isso a deixa tão para baixo que uma oferta de uma velha desconhecida para conseguir Marcelo aos seus pés não lhe parece tão ruim assim, aceitando imediatamente a amarração. O problema é que depois de um tempo o seu amor por Marcelo se transforma em tédio e raiva, mas agora o que fazer para desfazer o contrato? Isso é sinistro e pior ainda é o final que me deixou completamente arrepiada. Também é um dos que mais gostei.

Reprodução: Biblioteca Pessoal
O horror e o erótico em perfeita sintonia:

Ano passado fui pela primeira vez para a CCXP e tinha em mente dois objetivos: fazer o meu primeiro cosplay e comprar Gibi de Menininha (e de quebra ainda conhecer algumas das autoras). Só conheci a HQ depois que seu financiamento coletivo já havia encerrado, então o jeito era comprar em mãos no evento. Pude conhecer a organizadora desse projeto, a Germana Viana autora de As Empoderadas, e algumas outras mulheres que fizeram parte. Foram tantos momentos de simpatia e carinho que tenho certeza que esses atos influenciaram em minha leitura e me fizeram amar ainda mais essa coletânea.

Logo à primeira vista a capa já me deixou completamente apaixonada e curiosa! E também por causa dela imaginei que encontraria histórias pesadas e sensuais. Quando peguei para ler encontrei muito mais do que isso. Cada história tem sua própria essência e característica única de bizarrice, fazendo com que cada uma seja especial à sua maneira.

Ter contato com um trabalho desse, que explora o meu gênero preferido e se dedica a dar espaço para artistas mulheres, me deixou em êxtase! Me fez acreditar ainda com mais força no poder da Literatura e me trouxe novas mulheres para admirar e acompanhar. Por isso fico imensamente feliz em saber, através das redes sociais da Germana, que Gibi de Menininha terá um segundo volume. Acho que não poderia estar ainda mais feliz.

Mesmo eu tendo amado a HQ não é um tipo de leitura que indico a todos, principalmente aos que se incomodam fácil com a sexualidade alheia e com artes cheias de detalhes. Ademais, se você gosta de terror e procura por algo para exaltar o trabalho feminino indico que não perca mais tempo e conheça agora esse Gibi que, apesar do nome, abraça todos os gêneros.


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