Literatura

Resenha: “Flores Partidas” – Karin Slaughter

Já faz um tempo que eu queria ler algo da Karin Slaughter, principalmente por ser uma mulher famosa no meio do thriller. Flores Partidas era para ter sido uma leitura conjunta no ano passado, mas confesso que na época não tive tempo e só agora, finalmente, o peguei para ler. E por que eu demorei tanto, caramba?

A Karin Slaughter escreve da maneira que eu gosto: bem detalhista. E aborda temas importantes que eu procuro, colocando a mulher como protagonista e nos mostrando o perigo que corremos simplesmente por sermos mulheres. Logo a minha primeira experiência com suas obras não poderia ter sido melhor e agora me encontro sedenta por mais histórias da autora.

Leia também: Terror a Bordo

Título: Flores Partidas
Autora: Karin Slaughter
Quantidade de páginas: 464
Editora HarperCollins Brasil
Gênero:
 Ficção / Mistério e Suspense / Thriller
Ano: 2016
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Minha classificação: ★★★★★ (5/5)

Você realmente conhece quem está ao seu lado?

Após um acontecimento trágico, a família Delgado separou-se, partiu-se e nunca mais foi a mesma. Há mais de vinte anos, Julia Delgado sumiu. Sem deixar bilhete ou rastros. Para a família da jovem, Julia havia sido raptada e nunca fora encontrada; para os policiais encarregados do caso, Julia fugiu e não quis dar satisfação para os pais.

Mesmo tendo se passado mais de duas décadas, algo ainda faltava em toda essa explicação, não fazendo com que a família acreditasse em momento nenhum sobre uma possível fuga. Mas com esse sumiço repentino vieram o afastamento dos Delgado. Por um lado ainda havia esperança de que Julia fosse encontrada, mas por outro eles sabiam, mesmo que intimamente, que a garota não deveria mais ter vida em seu corpo, e isso destruiu por completo uma família que até então era feliz e unida.

Brigas foram travadas e desentendimentos resultaram no afastamento de todos, no divórcio entre os pais e, principalmente, na separação brusca entre as irmãs Lydia e Claire que não se falam há anos. As irmãs Delgado, ao menos as duas que restaram, construíram uma relação conturbada e imperdoável, onde Lydia se sentiu traída quando Claire e a mãe não acreditaram em sua acusação severa sobre o novo namorado da irmã.

Porém Paul, o marido de Claire, acabou de ser assassinado na frente da esposa e isso desequilibrou e desestabilizou completamente a irmã caçula. Como assim o amor de sua vida estava morto? Como teve a coragem de deixá-la? E o mais importante após uma busca curiosa no computador de Paul: que diabos de vídeos macabros e pornográficos são esses escondidos em pastas de trabalho?

Segredos e mentiras serão revelados e talvez Paul não seja quem realmente Claire imaginava. Mas como ela não conhece esse lado de seu marido, aquele com quem conviveu por mais de uma década? Quem na verdade era Paul e o que esses vídeos significam? Será através de uma busca incessante e perigosa, ao mesmo tempo em que pede ajuda da irmã mais velha e distante, que Claire descobrirá as coisas mais inimagináveis e horrorosas sobre o homem que tanto ama.


“É a verdade. Sinto muito em ser sincera, mas as meninas não gostam de capachos. Principalmente as bonitas, porque não existe novidade. Os caras dão em cima delas o tempo todo. Não podem andar na rua nem comprar café ou ficar paradas num canto sem que um idiota venha fazer um comentário sobre a beleza delas. E as mulheres sorriem porque é mais fácil do que mandar os caras se ferrarem. E menos perigoso, porque, quando um homem rejeita uma mulher, ela vai para casa e chora por alguns dias. Se uma mulher rejeita um homem, ele pode estuprá-la e matá-la.”

Um jogo de manipulações, mentiras e assassinatos

QUE LIVRAÇO! Eu já esperava ser arrebatada pela escrita e história da Karin, mas não sabia que seria tanto. Com uma escrita extremamente descritiva a autora conseguiu me deixar enojada, tonta, sem ar, com raiva e chorosa, às vezes tudo ao mesmo tempo.

Nunca tive que parar de ler um livro por achá-lo tão pesado, mas confesso que aqui precisei de um tempo para respirar entre uma página e outra, e por isso não o li rápido, mas, sim, ao decorrer de quase duas semanas. Ver o que aconteceu com Julia foi tão brutal para mim que vai ser difícil esquecer várias cenas do livro. Eu me senti mal, ainda mais por saber que é uma história tão crível e que milhares de mulheres também podem ter desaparecido como Julia, sem deixar rastros, e sofrido incontáveis torturas nas mãos de psicopatas. É triste, sufocador e, às vezes, dá vontade de gritar.

Eu me senti na pele das personagens e senti a dor da família Delgado. Me vi em cada uma daquelas mulheres, vivas e mortas, e isso me deixou mal durante a leitura e até mesmo após o término. Cada revelação me chocava ainda mais e, mesmo que eu tenha previsto certos detalhes, a leitura conseguiu me surpreender a cada capítulo.

Foi um livro que me atingiu em cheio e me fez entender porque falam tanto e tão bem da autora. Quero ler outras obras dela, mas não por agora. Agora eu preciso de um ar e uma história fofa para retomar minha esperança na humanidade, pois acho que já fui destruída o bastante por tempo indeterminado.

Ademais, é um livro que indico bastante para quem tem estômago para esse tipo de leitura, pois contém gatilhos de estupro e cenas explícitas de assassinato e tortura. A história é brutal, real, intensa e dolorosa, fazendo o leitor se questionar até quanto conhecemos de verdade as pessoas que vivem ao nosso lado.


“Aquilo mostrava como uma corrente machucava a carne, como chutes e socos feriam. Aquela era a maneira como um ser humano ficava quando partia para um mundo que não o valorizava, não o amava, não queria que ele voltasse para casa.”


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