Literatura

Resenha: “Ele tem o sopro do Diabo nos pulmões” – Marcelo Amado

Ele tem o sopro do Diabo nos pulmões estava na minha meta de livros que eu precisava ler esse ano. Mas há alguns meses eu havia decidido que não seguiria mais essa lista, pois eu estava me obrigando a ler livros que eu não desejava no momento, apenas para desencalhá-los, mas, na verdade, isso fazia era com que eu os odiasse. Então parei e decidi que só iria ler o que me desse vontade no momento – tirando as parcerias.

Porém durante a semana passada Ele tem o sopro do Diabo nos pulmões olhou para mim de um jeito diferente e me despertou a vontade de lê-lo. Não estava ligando para a minha meta anual, mas, sim, fiquei com vontade e pronto, o peguei para ler. Mesmo assim, ainda não sei se foi o momento mais adequado para desfrutar dessa leitura e logo logo falarei o porquê.

Reprodução: Biblioteca Pessoal

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Título: Ele tem o sopro do Diabo nos pulmões
Autor: Marcelo Amado
Quantidade de páginas: 252
Editora Estronho
Gênero:
 Ficção / Horror / Terror / Steampunk
Ano: 2016
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Minha classificação: ★★★ 
(3,5/5)

Bem vindo ao show de horrores do Cirque Le Monde Bizarre!

Serge Tissot acabou de perder o seu pai. Sendo criado desde criança em um circo itinerante, o jovem acabou apaixonando-se por tal arte, o que lhe é uma felicidade quando o último pedido de seu pai se mostra ser que Serge cuide do circo e de todos que ali criaram uma raiz e uma família.

Porém, o que o pai de Serge não queria, mas não poderia impedir, era de que o seu tão amado circo virasse o novo Cirque Le Monde Bizarre, agora com o objetivo de espalhar o bizarro e o grotesco pelas cidades que passavam e despertar os desejos mais sombrios e sangrentos da grande elite.

O show não podia parar, e com isso o chocante e o bizarro foi ganhando força embaixo das lonas comandadas por Serge Tissot. Sendo um homem sanguinário, frio e estudioso do oculto, Serge passou a procurar por pessoas que fossem diferentes do padrão denominado normal, ganhando fama e dinheiro por suas atrações que nenhum outro circo teria coragem de copiar.

Ele tem o sopro do Diabo nos pulmões traz uma história nacional e steampunk recheada de gore, assassinatos e violência. Mesclado a narração da vida de Serge Tissot, um mistério também é exposto aos leitores logo no início do livro, relacionando-se com um certo acontecimento nas Gotas de Âmbar, um local onde é despejado almas rejeitadas.


“Porém, nada disso se comparava ao show de horrores das torturas e assassinatos cometidos diante das pessoas, que muitas vezes participavam como executoras e pagavam uma taxa extra pela experiência de tirar uma vida. As vítimas quase sempre eram mendigos, homens condenados à morte e especialmente estupradores. Prostitutas também eram cobaias da insanidade desenfreada de homens e mulheres, que à luz do dia colocavam suas máscaras de bons cidadãos, religiosos fervorosos, exemplos da comunidade.”

A edição está muito bonita, ainda mais por ter ilustrações sinistras no início de cada nova parte. Porém, as letras são minúsculas e, talvez, isso contribuiu para a lentidão da minha leitura.

Porém, mesmo que o enredo me desperte curiosidade e me deixe intrigada a saber mais, a leitura não se mostrou gratificante o suficiente para mim.

O livro começou de uma maneira bem inusitada, já me mostrando um estilo steampunk o qual eu não esperava, afinal eu o peguei para ler sem conferir a sinopse e sem me lembrar de seu enredo. Porém, mesmo eu não lembrando de já ter lido algo assim, não foi, em momento nenhum, difícil de imaginar os grandes dirigíveis e automóveis a vapor e cheio de metais.

Nessa parte ele me surpreendeu. A ambientação me deixou imersa nesse novo mundo, mesmo se passando em séculos passados, e me fez querer ter mais dessas descrições. No entanto o enredo no geral não me agradou tanto assim, e isso deve-se mais a narrativa lenta que não me fisgou e que me deixou entediada em certos pontos. Demorei a engatar na leitura e na narração extremamente descritiva, mas lenta.

O teor estranho que vem da temática de circo bizarro me deixou curiosa para saber o que iria acontecer no final do livro – e acho que foi por isso que o continuei -, mas em sua totalidade muitas vezes me incomodei com os diálogos, e olha que não tenho problemas com linguagem de baixo escalão, e até mesmo com os personagens.

Sendo o protagonista um psicopata – ou sociopata, eu não sei – desde criança, não consegui criar afeto ou intimidade com ele, e isso me distanciou de sua narração e de seus momentos. A violência explícita e o gore em certas cenas não me incomodaram e talvez tenha sido um dos poucos pontos que eu gostei do livro, admito.

Mas sei que o livro não é ruim, muito longe disso. Porém mesmo eu fazendo parte do público alvo, acredito que eu apenas não o li no momento certo, pois com certeza seria uma ótima leitura se eu estivesse procurando por algo mais obsceno. Por isso até espero conseguir relê-lo no futuro e, quem sabe, ter uma visão diferente dele.

Por mais que eu tenha pensado que gostaria mais da obra, em momento nenhum me arrependi de ter feito a sua leitura. A todo momento temos as sensações de estranhamento e desconforto, como se tivéssemos presenciando algo secreto, algo que não deveria ser visto por ninguém, e isso acaba que nos instigando a ter curiosidade pelos próximos passos de Serge Tissot. Para quem gosta do tema e gênero, vale a pena dar uma chance.


“- O inferno, meu amigo, não existe como todos imaginam, ou melhor… até existe, mas não para todos. O inferno, Yqbah – ergueu-se outra vez e voltou para perto da cama -, é aquilo de pior que uma pessoa pode temer.”


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