Literatura

Resenha: “Nihil” – Carolina Mancini

Assim como a própria autora Carolina Mancini, conheci Nihil esse ano ao me inscrever e ser selecionada para a divulgação do financiamento coletivo da obra. Como boa fã de terror, estou sempre a procura de autoras nacionais que escrevam o gênero, e o quão grata foi minha surpresa ao encontrar a Carol nas redes sociais.

A sinopse de Nihil é instigante, ainda mais por trazer uma névoa desconhecida como vilã. Já vimos isso em O Nevoeiro, de Stephen King, mas, mesmo assim, nada me preparou para o impacto que Nihil teria sobre mim – e outros leitores. Longe de parecer com a obra do King, a Carol soube muito bem mesclar a beleza da poesia à obscuridade e ao medo, resultando assim em uma obra espetacular de causar arrepios não do que pode estar atrás das sombras, mas sim da própria neblina em si.

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“Digo sempre aos meus netos que não somos mais pessoas. É isso que aquela nuvem que desceu até a terra faz: nos desumaniza.”

Título: Nihil
Autora: Carolina Mancini
Quantidade de páginas: 136
Publicação Independente
Gênero:
 Ficção / Horror
Ano: 2020
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Compre: Amazon
Minha classificação: ★★★★★ (5/5)
* E-book cedido pela autora

Uma névoa devastadora e um isolamento desumano

O mundo foi devastado por uma misteriosa e mortal névoa; bombas caíram do céu. As pessoas, ao menos as que sobreviveram ao terror de uma morte angustiante e repentina ao serem tocadas pela neblina, foram obrigadas a se trancarem em suas casas, lacrarem suas janelas e viverem em uma quarentena eterna. Pelo menos até a sanidade e a comida aguentarem ou até alguém chegar para salvá-los.

Nihil contém diversos relatos desses sobreviventes, onde podemos conhecer suas dores, seus sofrimentos e suas relações com a morte que espreita logo ali, a alguns passos. Todos estando à beira da loucura, sendo inevitável a construção de uma nova vida repleta de medo, isolamento e solidão. Como sobreviver – e como querer continuar vivo – nesta situação, neste mundo?

A autora escreveu a obra em 2018 – pasmem – e ganhou o Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica 2019 como Melhor Narrativa Longa de Horror. Digo aqui a data em que foi escrita porque é impossível não fazer uma relação involuntária com a pandemia e a quarentena que estamos vivendo, e isso resulta em um livro ainda mais claustrofóbico, com mais tensão e agonia. Podendo até mesmo causar ansiedade, dependendo do tamanho da sua relação com o isolamento.

Você pode lê-lo em em formato digital, mas também pode aproveitar para tê-lo em versão física. A Carol está realizando um financiamento coletivo de Nihil que conseguiu bater a meta principal em menos de 48h e que já está em 217%, ainda faltando 19 dias para encerrar a campanha. Um sucesso, né? Aqui você pode apoiá-la e conferir as recompensas e metas estendidas.


“Nós estamos morrendo e nosso passatempo é medir a evolução de nossa degeneração.”

Reprodução: Biblioteca Pessoal

Uma obra de horror que paralisa, causa arrepios e desperta reflexões sobre o mundo e a humanidade

Nihil é uma obra com leitura rápida que tem capítulos curtos, os quais tornam a leitura bastante fluida. Porém isso não tira a claustrofobia e tensão que o livro traz em suas páginas, sendo, mesmo assim, intenso e reflexivo demasiadamente.

Eu me senti presa naquele lugar, angustiada, querendo eu mesma sair dali correndo, não aguentando mais apenas sobreviver ao lado dos personagens. Cada relato é tocante, despedaça o coração e, pior ainda, traz uma similaridade gritante com o que estamos vivendo em meio a essa pandemia e quarentena que não parece ter fim. Acho que esse foi o ponto que mais me assustou no livro e que mais me deixou aflita a todo momento.

A autora escreveu a obra em 2018, quase prevendo o que estamos vivendo de forma crível, vívida e real demais. E isso causou ainda mais facilidade para ter aquela conexão e identificação com todos os relatos, mesmo que sejam tão diferentes entre si. Duas situações devastadoras e assustadoras, tão parecidas entre si.

A escrita da Carolina também é excelente. Poética, intensa e com seus diferenciais certeiros em cada narração, ela faz com que o leitor veja beleza naquilo que é mais grotesco, que traz mais aflição e que mais assusta. É uma sensação incrivelmente agridoce.

Por isso Nihil foi uma grata surpresa para mim. Eu sabia que ia gostar da leitura e aproveitá-la ao máximo, mas não imaginava de jeito nenhum que me veria naquela situação, naquele cenário, naqueles personagens. Para quem gosta de terror – e de sentir aquele arrepio na espinha -, eu super recomendo a leitura.


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