Literatura

Resenha: “Pequena Coreografia do Adeus” – Aline Bei

Pequena Coreografia do Adeus é o segundo livro que leio da Aline Bei. O meu primeiro contato com sua escrita foi com O Peso do Pássaro Morto, outro livro que me doeu demais, e com isso posso dizer que a partir de então tive vontade de ler tudo que essa mulher já escreveu ou ainda escreverá.

A minha admiração por ela só cresce, tornando-se assim uma das minhas autoras nacionais preferidas ao lado de Clarice Lispector e Cláudia Lemes. Independente de por qual livro você deseje iniciar para conhecer os romances da autora, eu apenas posso dizer que você precisa conhecer Aline Bei.


“quando sou abordada assim, com algum afeto dá vontade de abrir o zíper da pele, derramar meus cacos, veja: esta sou eu.”

Leia também: O Peso do Pássaro Morto, de Aline Bei

Título: Pequena Coreografia do Adeus
Autora: Aline Bei
Quantidade de páginas: 282
Editora Companhia das Letras
Gênero:
 Ficção / Literatura Nacional / Romance
Ano: 2021
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Minha classificação: ★★★★ 
(4/5)
* E-book cedido pela editora

A pequena coreografia do adeus e as nuances severas e irreversíveis de um abandono

Em Pequena Coreografia do Adeus, a narradora-personagem, Júlia, disseca sobre três etapas de sua vida dolorosa, passando por: sua infância, sua fase adulta e sua trajetória após um acontecimento trágico.

Júlia foi abandonada pelo pai quando ele se divorciou de sua mãe. O homem, que não merece ser chamado de pai, a queria por perto apenas aos finais de semana, mas, claro, não em todos. E deixá-la ter contato com suas possíveis namoradas? Jamais. O homem a deixou sozinha em um lar sufocante, onde sofria inúmeras violências físicas e psicológicas da mãe.

Por conta disso, Júlia cresceu cercada por traumas e com marcas internas e externas. O abandono a dominou por toda a vida, e isso fica claro em cada etapa que é narrada. A rejeição, a falta de afeto por parte dos pais, a falta de uma palavra ou gesto caloroso, tudo isso resultou para que Júlia crescesse com um vazio no peito e um turbilhão inconstante na cabeça.

A autora Aline Bei escreve como ninguém, de forma singular, única. Sua escrita gira em torno de uma delicadeza ímpar, sendo poética ao mesmo tempo que também é crua, dura, severa e realista. Sua sinceridade pode até mesmo chocar os leitores mais sensíveis, porém cada uma de suas obras torna-se importantíssima, exatamente por isso, no meio literário.


“(…) em cada surra que levei ficou no chão um pedaço de mim.”

Reprodução: Biblioteca Pessoal

A Pequena Coreografia do Adeus é um relato doloroso de violência, abandono e perseverança

Com uma escrita crua, poética, bela, avassaladora e dolorida, a autora consegue nos colocar no papel da protagonista, fazendo com que o leitor sinta cada dor, cada tapa, cada falha. Eu sofri junto com a personagem, me coloquei em seu lugar e senti demais por ela. Eu quis abraçá-la, ajudá-la a ver o melhor que a vida poderia lhe proporcionar. Quis mostrar que ela era, sim, especial para alguém.

A Aline tem esse poder de nos colocar na pele de suas protagonistas mulheres. Chega a ser impossível ler algo da autora e não se envolver tanto assim com a história. Nós ficamos bravos, tristes, agoniados e rancorosos, às vezes sentindo tudo ao mesmo tempo.

Gosto dessa escrita marcante, desse tipo de texto dolorido, e a Aline consegue nos conduzir para dentro da história de forma magistral. Muitas vezes eu fiquei em choque com a violência vivida por Júlia, principalmente quando eu parava para refletir que essa realidade pode ser – e é – tão atual para algumas pessoas.

Não é um livro que eu recomendo para todo mundo, pois pode haver alguns gatilhos, principalmente por conta da violência física e verbal que a protagonista sofre, mas acredito que é um livro que deveria ser lido por todos. Todos deveriam sentir a dor de Júlia e conhecer sua realidade. Todos!


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