Literatura

Resenha: “A Espada do Destino” – Andrzej Sapkowski

Se o primeiro me conquistou por conta de sua fantasia heroica, da “humanidade” de Geralt e dos personagens baseados em contos de fadas, o segundo, A Espada do Destino, já me cativou indo por um caminho oposto a seu antecessor.

Nessa continuação temos um Geralt bem mais sério, apesar das piadas e carisma ainda estarem lá, que reflete através de diálogos longos sobre como o processo de se tornar um bruxo o tornou quem ele é hoje: um mutante que não consegue sentir nada. Ele nos mostra que aquela empatia lá do outro livro talvez não fosse exatamente o que esperávamos e desejávamos. Amamos o personagem por inteiro, mas agora entendemos com clareza o seu modo de pensar, agir e sua falta de sentimentos.

Leia também: O Último Desejo, de Andrzej Sapkowski

“Quem está repleto de sentimentos que o destroçam e quem é apenas a cobertura de uma fria caveira oca? Quem?”

Título: A Espada do Destino
A Saga do Bruxo Geralt de Rívia #2
Autor: Andrzej Sapkowski
Quantidade de páginas: 472
Editora: WMF Martins Fontes
Gênero:
 Ficção / Fantasia / Drama
Ano: 2012
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Minha classificação: ★★★★★ (5/5)

Qual será o verdadeiro destino de Geralt de Rívia?

Composto por seis contos longos, A Espada do Destino irá narrar a jornada de Geralt de Rívia ao longo de mais de 10 anos. Neste livro há um debate intenso sobre predestinação e destino. Será que é possível mudar o destino ou reescrevê-lo? Ou será que ele já é escrito e sobra para você apenas segui-lo? E a predestinação, ela é verdadeira? Há pessoas predestinadas a outras?

Dentro desta década também será explorada a relação amorosa, íntima e complicada entre Geralt e Yennefer, abordando o pertencimento de um ao outro e a veracidade dos sentimentos do casal. O amor entre eles é realmente verdadeiro, puro? E por que esse amor não pode ser vivido, sentido? Por que o destino dos dois, mesmo um amando o outro, é viverem separados?

Geralt está mais frio, demonstrando cada vez mais a sua falta de emoções, assim como ele sempre afirmou que era, mas algo que suas ações sempre demonstraram o contrário. Através disso, os contos nos fazem entender com mais profundidade o que é se tornar um bruxo, o que isso significa de verdade e como isso afeta suas relações pessoais e acarreta em uma vida solitária.

Com isso, nesse segundo livro da saga The Witcher encontramos reflexões sobre relacionamentos, sentimentos e sobre o próprio interior do protagonista. Dessa vez não tendo foco em batalhas e monstros – por mais que estes ainda apareçam -, mas, sim, na humanidade e nas emoções dos personagens.


“Aedd Gynvael, com seu monturo, aquele enorme e fedorento monte de lixo no qual devo entrar, porque me
pagam para isso, porque foi para isso que fui criado… para me enfiar na imundice que causa repugnância e asco
nas pessoas normais. Privaram-me da capacidade de sentir quaisquer emoções e sentimentos para que eu não
pudesse sentir quão nojenta é essa imundice e, horrorizado, não recuasse e fugisse dela.”

Reprodução: Biblioteca Pessoal

Em A Espada do Destino encontramos um Geralt reflexivo, frio e que está cansado de seguir uma vida que lhe foi predestinada por outros

Nesse livro o Geralt está bem mais reflexivo. Inclusive, senti uma crise pessoal nele, principalmente após o seu contato com a morte. Estou percebendo bem mais reflexões sobre os sentimentos do Geralt e um clima mais tenso, mais pesado, de frieza e tristeza, o que foi assustador ao ver como ele tratou friamente os sentimentos da Essi. Viver essa vida de bruxo não foi a sua escolha, e isso pesa ainda mais após esses longos e solitários anos. Ele está cansado, esgotado e farto.

Por mais que ele ame Yennefer e ela o ame, também fica claro que há algo de errado na relação dos dois, como se não fosse algo natural, o que, claramente, pode estar ligada ao último desejo do bruxo no livro anterior. Há muito pesar em seus ombros e muita tristeza em seu caminho. Nos compadecemos com sua jornada, mas, no fundo, só queríamos que ele pudesse sentir tudo, dos sentimentos mais intensos às sensações mais afloradas. Só queríamos vê-lo bem.

Acredito que por isso o decorrer do livro seja tão melancólico e reflexivo, deixando para o final um reencontro mágico e predestinado que tanto esperamos e que, no fim, nos deixa felizes. Esse é outro ponto abordado bastante no livro: predestinação. O que faz uma pessoa ser predestinada a outra? Uma promessa, o destino? Realmente existe essa tal de predestinação ou fazemos o que queremos sem ter consequências?

Se eu pudesse, falaria sobre esse livro por horas, pois estou amando cada vez mais essa saga e seus personagens. Vi uma construção maior e ainda mais elaborada dos personagens, e é ótimo poder passar esse tempo com eles. Confesso que já estou com saudades e que, mesmo ainda no segundo, essa saga já é uma das minhas favoritas.


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