Filmes Literatura

Obras para entender o encarceramento negro

Olá, sonhadores! Como vocês estão?
Sempre que encontro um tema que me atrai, seja em qualquer mídia, fico um tempo fissurada nele, apenas consumindo obras que se relacionem com tal assunto. Após ler Se a Rua Beale Falasse, o meu próximo interesse foi o encarceramento negro, o qual consumi filmes, séries e documentários, para entender melhor o assunto e absorver tudo que eu conseguiria.

Segundo dados do Banco de Monitoramento de Prisões do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o encarceramento no Brasil chegou a 812.564 em julho de 2019. Pesquisas do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), em 2016, mostraram que a maioria dos presos são pessoas negras e pardas, sendo 65% do total de prisões.

Hoje é Dia da Consciência Negra e cabe a nós, pessoas brancas, conscientizarmo-nos sobre a situação atual – e do passado também – de pessoas negras; cabe a nós estudarmos, aprendermos e refletirmos; cabe a nós criarmos consciência e começarmos a agir como pessoas antirracistas. Anote as dicas desse post e comece a entender um pouco sobre o que é o encarceramento negro.

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Documentário A 13ª Emenda

O impacto da escravidão nos dias atuais

O documentário A 13° Emenda, dirigido por Ava DuVernay, contém a participação de ativistas negros, políticos dos EUA e de estudiosos do assunto, seja através de entrevistas pessoais ou gravações de momentos históricos. No filme podemos entender melhor como e porquê há uma relação entre o encarceramento negro desenfreado e a lotação das prisões, além, é claro, da relação entre escravidão e discriminação.

A 13° Emenda é rico em informações, conteúdo e credibilidade, sendo um meio certeiro para que pessoas, leigas ou estudiosas, brancas ou negras, saibam da verdade por trás de cada prisão injustiçada e movida pelo preconceito. Lembro, inclusive, de assistir ao documentário e ficar chocada, triste, enraivecida e imponente, tudo ao mesmo tempo, mas também de ficar mais sabida e com propriedade para falar sobre o assunto quando o necessário, não obstruindo em momento algum o lugar de fala das pessoas negras. Afirmo que esse documentário é essencial e necessário para todos.

Se você procura por uma análise mais detalhada sobre o documentário, eu indico esse texto do Reili Sampaio.

Filme Luta Por Justiça (Just Mercy)

Racismo e falha jurídica

Baseado em uma história verídica, Luta Por Justiça traz a vivência real de Walter McMillian, um homem negro, que foi condenado ao corredor da morte após ser incriminado pelo assassinato de uma garota branca de apenas 18 anos; um crime o qual ele não cometeu e o qual não há provas que concretizem sua atual sentença.

Acompanharemos o processo de seu julgamento através do advogado Bryan Stevenson, um jovem negro que tem como intenção se dedicar às prisões injustiçadas de pessoas negras, começando assim o seu trabalho com o caso de McMillian. Por não ter provas contra McMillian e muito menos uma investigação competente, fica claro que a sua prisão – e a desvalorização de sua vida – foi fruto de racismo e sistema jurídico desleixado.

Luta Por Justiça foi um filme que eu estava bastante ansiosa para assistir, tanto por causa dos atores renomados que compõem o elenco como também por conta do enredo instigante. Eu me emocionei e me revoltei, assim como acontece com todas as obras que exploram esse tema. E por isso não deixaria de o indicar, pois é uma história que vale a pena conhecer e que serve para abrir os nossos olhos para as injustiças ao nosso redor.

Minissérie Olhos Que Condenam (When They See Us)

Injustiça, racismo e vidas quebradas

De todos citados nesse post, Olhos Que Condenam foi o título que mais me devastou, me emocionou e me deixou em pedaços. Ainda sinto todas as sensações em minha pele e lembro de como a minissérie foi impactante sobre mim, fazendo com que eu chorasse em todos os episódios.

Aqui temos mais uma história verídica, onde conheceremos cinco jovens, quatro negros e um latino, quatro menores de idade e um com mais de 18 anos, que são incriminados injustamente – e sem uma devida investigação aprofundada – pelo estupro de uma mulher branca, passando parte de sua juventude e vida adulta em prisões e reformatórios.

Não vou adentrar nas atuações, pois os atores são impecáveis. E mais uma vez a Ava DuVernay mostra sua excelente direção, tornando-se uma de minhas diretoras preferidas. Nessa minissérie temos a percepção de como essa prisão injusta impactou a vida desses jovens e de suas famílias. São cenas e diálogos fortes, intensos, que mexem conosco e nos mudam para sempre.

Livro Se a Rua Beale Falasse

As lacunas do racismo

A leitura de Se a Rua Beale Falasse foi o estopim, ou seja, o primeiro passo para um interesse maior sobre o encarceramento da pessoa negra. Eu li o livro e depois me senti na obrigação de procurar por mais, de saber mais, e então assisti aos filmes, ficcionais ou não, que listei acima.

A obra abordará a história do casal de noivos Fonny e Tish. Fonny está preso, acusado erroneamente de ter estuprado uma mulher, e Tish todos os dias zela pela liberdade do amado, fazendo o possível – e até mesmo impossível – para tirá-lo de tal sofrimento. Ela está grávida e tudo que mais deseja é ter seu noivo de volta em casa, em seus braços.

O livro foi escrito em 1974 e espanta ao percebermos o quanto ele ainda consegue ser real, crível. É angustiante estar ao lado de Tish, pois todas suas sensações são transmitidas ao leitor, o fazendo clamar por justiça. E mesmo que o foco do livro seja a prisão de Fonny, os temas abordados aprofundam em discussões menores dentro do próprio racismo, sendo um grande leque de reflexões e debates.

Aqui eu deixo como combo tanto o livro como o filme. Eu ainda não assisti a adaptação cinematográfica, mas sei que deve ser um belo complemento, afinal o seu diretor, Barry Jenkins, é o mesmo que dirigiu o filme Moonlight, outra obra espetacular que fala sobre a vivência negra, este com ênfase na homossexualidade.

E se quiser saber mais sobre o livro e a minha opinião, leia a minha resenha.

Sonhando Através de Palavras

Já faz algum tempo que eu queria compartilhar essas dicas incríveis com vocês e, acho, agora foi o momento perfeito. Continuo procurando por títulos que englobem o encarceramento negro e demais assuntos importantes, por isso caso queiram deixar recomendações nos comentários eu serei grata.

Espero que vocês tenham gostado das dicas e que possam conferir cada uma delas. Lembre-se de que é importante valorizarmos a vida e história da pessoa negra, hoje e sempre. Lembre-se também de dar espaço para suas obras, seus filmes, suas histórias. Lembre-se de acompanhar produtores de conteúdos, atores, escritores e pessoas negras. Não se esqueçam.


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3 thoughts on “Obras para entender o encarceramento negro”

  1. Oi Thainá, sua linda, tudo bem?
    É tão sem sentido todo esse ódio e preconceito baseados na cor da pele de uma pessoa, eu simplesmente não consigo compreender. Acho que basta nos imaginar no lugar da pessoa. Não gostaríamos que fosse conosco, então, não podemos fazer com o outro. Gostei muito das suas dicas, esse livro já está na minha lista, mas o filme e o documentário eu não conhecia, mas já anotei aqui. Sua postagem ficou ótima.
    bjs.
    cila.

  2. Oi, Thainá!
    Adorei as suas indicações, acho que cada vez mais temos que nos armar de conhecimento para vencer as barreiras do preconceito e racismo. Uma pena que em pleno século XXI os seres humanos ainda tenham esse tipo de comportamento lamentável.
    Bjos
    Lucy – Por essas páginas

  3. Olá,
    Gostei das dicas, não sou uma pessoa que vê tantos filmes (realmente vejo bem abaixo que o comum) e gostei da lista, não vi nenhuma das indicações mas fiquei interessada. O livro Se a Rua Beale Falasse parece muito bom!

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