Literatura

Resenha: “O Impulso” – Ashley Audrain

Recebi a prova antecipada de O Impulso pela Editora Paralela, sendo assim a primeira vez que tive o privilégio de ler um livro antes de seu lançamento oficial, e fiquei imensamente feliz, tanto com a confiança da editora para com o meu trabalho como também por essa ter sido a minha primeira leitura do ano. E olha, não havia como começar de forma melhor.

O Impulso traz questionamentos que eu acho importante e necessários em qualquer tipo de livro: a obrigatoriedade da maternidade. Ou seja, a maneira que a sociedade impõe a maternidade como algo obrigatório ou como sinônimo de felicidade e realização para as mulheres. E a obra aborda muito bem esse aspecto ao mescla-lo com a maldade e crueldade humana, tudo isso em um thriller.

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“Todos temos o direito de alimentar certas expectativas em relação aos outros e a nós mesmos. Com a maternidade não é diferente. Todos esperamos ter uma boa mãe, nos casar com uma boa mãe, ser uma boa mãe.”

Título: O Impulso
Autora: Ashley Audrain
Quantidade de páginas: 328
Editora Paralela
Gênero:
 Ficção / Suspense e Mistério / Thriller
Ano: 2021
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Minha classificação: ★★★★★ (5/5)
* Livro cedido pela editora

O seu passado pode lhe influenciar como mãe?

Blythe é escritora e casada com Fox, seu namorado desde a época da faculdade. Juntos, eles tem a sua primeira filha, Violet. Entretanto por ter tido uma relação familiar nada saudável com a mãe que um dia a abandonou, Blythe tem medo de repetir os mesmos atos negativos e sem emoção de sua mãe. Ela tem medo de não conseguir amar Violet como deve, de não conseguir cuidar dela como é necessário e de não criar aquele laço instransponível entre mãe e filha.

E é exatamente isso que acontece: Violet nasce e Blythe não consegue encontrar em si o instinto materno de que todas as suas colegas mães a prometeram. Esse sentimento de culpa pelo distanciamento entre ela e a filha começam a pesar na balança quando Blythe percebe que sua filha não é como as demais crianças, podendo haver na menina um instinto maligno e repulsivo.

Essas suspeitas irão se intensificar quando Blythe engravida do segundo filho, Sam, um menininho que logo, imediatamente, ganha todo o seu coração, proteção e amor. Mas Violet seria mesmo esse monstro que Blythe diz ser ou as coincidências são apenas frutos de sua imaginação por se achar uma mãe ruim?

O Impulso é um thriller narrado em 1° pessoa, por Blythe, que nos deixa apreensivos e curiosos com o que está para acontecer. Os acontecimentos sufocam, incomodam, e mostram as nuances – comuns e diferentes – entre três gerações de mulheres forçadas a maternidade pela sociedade.


“Era a única coisa com que você se preocupava. Você me queria alerta e paciente. Me queria descansada, para eu poder cumprir com meus deveres. Antes, você costumava se preocupar comigo como pessoa – minha felicidade, as coisas que me faziam bem. Agora eu era uma prestadora de serviços. Você não me via como mulher. Eu era apenas a mãe da sua filha.”

Reprodução: Biblioteca Pessoal

O Impulso é um thriller com questões sociais recentes e pertinentes que traz a maternidade e a maldade humana como seus principais questionamentos.

O Impulso me surpreendeu bastante. Tendo Precisamos falar sobre o Kevin como um dos meus livros favoritos da vida, fiquei ansiosa pela leitura ao mesmo tempo que receosa, já que muitos aspectos eram semelhantes. O medo de ser uma cópia me deixou bem balançada, mas no final pude separar os dois e ver que cada um tem os seus próprios méritos.

Sendo uma mescla ótima de Precisamos falar sobre o Kevin com Menina Má, a obra me deixou durante toda a narrativa com aquela sensação de estar presenciando algo proibido, algo que eu não deveria. Fiquei chocada com os atos e palavras da pequena Violet, ao mesmo tempo que refletia profundamente com os questionamentos de Blythe.

O tema da maternidade é um assunto bem delicado para mim, e eu sempre me identifico com personagens femininas que não se sentem à vontade com o pensamento de serem mães ou que se sentem duvidosas a respeito de como serão como mães, e nisso a Blythe me conquistou desde o início, pois pude sentir uma conexão entre nós, um laço. Eu torci para que a Blythe encontrasse a paz ao mesmo tempo em que eu tive uma raiva imensa pelo Fox.

Acima da maldade humana representada no livro e na profundidade de três gerações de mulheres, demonstrando suas semelhanças e medos, o que mais me tocou foi a relação conturbada entre Violet e Blythe e as reflexões sobre a obrigatoriedade de ser mãe em nossa sociedade, como se só fossemos consideradas mulheres após o primeiro parto. E tratar sobre isso é demais – e incrível – aos meus olhos.

O Impulso é angustiante. Tendo capítulos curtos, a leitura torna-se rápida, ainda mais porque todo o enredo e todos os acontecimentos fazem com que o leitor fique ávido por respostas, querendo mais e mais. É claro que ao final ficamos com aquele receio e até medo perante crianças, mas o livro se faz quase necessário para todos os fãs de thrillers.


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